Autor Tópico: Rota Berber #2012  (Lida 10788 vezes)

Cobra

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Rota Berber #2012
« em: Abril 15, 2012, 23:52:59 pm »
Apenas para dar conta da nossa próxima aventura com as bifas...



Pois bem, mais um ano, mais uma viagem ao exterior, nos mesmos moldes da que ocorreu o ano passado, e que foi bem sucedida.

A ideia foi germinando na cabeça do Rui e da minha, no final do ano passado com várias propostas e formatos (Espanha, Europa e Norte de África), tendo sido o destino mais consensual o de Marrocos.

Pela aventura, pela cultura, pelas paisagens, pelo contraste, e sobretudo pelo custo de vida que por lá ainda consegue ser inferior ao nosso.

Inicialmente apontámos para uma volta de 10 dias, o suficiente para dar uma volta jeitosa e ficar com uma impressão daquele país.
Da mesma forma como no passeio longo anterior, repetimos a fórmula e estipulámos um número máximo de 4 pessoas.

Assim as inglesas terão a companhia de uma valente japonesa, duas Triumph Tigers XC e uma Suzuki Vstrom irão pisar as sensacionais areias do Deserto.

Serão 11 dias por terras marroquinas, com partida a 25 de Abril e regresso a 5 de Maio.

E como já é hábito, um rol de bonitas fotos e muitos metros de fita estão em perspectiva.

Já começa o nervoso miudinho!

Cumps!

PJMS

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #1 em: Abril 16, 2012, 00:31:37 am »
Que bela viagem.

Pena não ter disponibilidade e muito provavelmente mota (street triple) para vos acompanhar nessas aventuras.

Que seja espetacular e que corra tudo bem.

Divirtam-se. E que esperamos o vosso "super" relato da aventura.

1Ab

botas87

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #2 em: Abril 16, 2012, 00:50:51 am »
Que bela viagem.

X2  ;)

Pena tb não ter moto para vos acompanhar...

Qualquer das maneiras Boa viagem e tirem umas umas pics para meter inveja a malta.

Abraço
Triple Inside

Fernando Santos

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #3 em: Abril 16, 2012, 09:20:12 am »
Marrocos ... as coisas que vocês me estão a fazer lembrar. ::)
A aventura começa logo pelo sul de Espanha. A zona de Tarifa é linda e a estrada um "must" com umas curvas boas e bem asfaltadas. Uma voltinha em Gibraltar antes de apanhar o ferry também se recomenda.
O meu trajecto preferido até Sevilla costuma ser por Rosal de La Frontera onde se entra logo num asfalto excelente e num rol de curvas digno de qualquer moto.
Boa viagem e nem me tentem ... que eu não posso, mas queria. :-[
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ruimbarradas

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #4 em: Abril 24, 2012, 19:11:49 pm »
Ora, conhecem melhor forma de celebrar o 25 de Abril?  ;)
 
Finalmente chegou o momento pelo qual sempre ficamos tão ansiosos. Dentro de algumas horas estaremos a fazer-nos à estrada para o nosso 1º "assalto" a Marrocos.
 
Fica prometida a crónica...
Rui Barradas



TriumphKings

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #5 em: Abril 24, 2012, 21:02:23 pm »
Cobra e Rui,
 
Façam a melhor viagem que conseguirem imaginar, tratem bem das tigresas que elas também vos vão tratar bem e, acima de tudo, divirtam-se à grande que nós ficamos com um bocadinho de inveja  :'(  a aguardar pela V/ reportagem fotográfica  8)
Nasces sem pedir, morres sem querer   …Aproveita o intervalo!!!

Fernando Santos

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #6 em: Abril 25, 2012, 15:30:58 pm »
Cobra e Rui,
 ...   a aguardar pela V/ reportagem fotográfica  8)
Boa viagem. Umas fotos e umas crónicas do assunto.
Se a minha vida melhora durante seis meses ninguém ouve falar de mim ... ;D ;D ;D
Um abraço - Salaam aleikum  السلام عليكم
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RJVieira

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #7 em: Abril 25, 2012, 21:59:03 pm »
Boa viagem.


Mostrem o que as Tiger conseguem fazer  ;D


Fico a aguardar a vossa chegada para um relato :)


Mais uma vez, boa viagem.


Um abraço.

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #8 em: Maio 09, 2012, 21:56:26 pm »
Então foi mais ou menos isto...  8)

http://danielsantos.smugmug.com/photos/i-8z4zCzQ/0/X2/i-8z4zCzQ-X2.jpg
Rota Berber #2012


Track: http://www.gpsies.com/map.do?fileId=ridqfozhppjzpnaa

Distância: 3790kms.
Tempo: 258h34mn49seg (68h48mn32seg de condução / 189h46mn17seg de pausa).
Altitude: 0m mínima / 2668m de máxima.
Velocidade Máxima: 169km/h
Velocidade Média: 55km/h

Distribuição de velocidade:
0-60km/h: 27.8%
60-100km/h: 55.0%
100-140km/h: 17.0%
+140km/h: 0.2%


https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc7/469722_436203883074579_100000549137776_1526044_1756661206_o.jpg
Rota Berber #2012


e de seguida, o que interessa ;)
« Última modificação: Maio 09, 2012, 22:07:37 pm por Cobra »

Giovanni

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #9 em: Maio 09, 2012, 22:51:46 pm »
Muito bom
Parabéns pela viagem. Um percurso que gostava muito de realizar e já discutido com malta amiga.
Se tiveres possibilidade, relata aqui um pouco a aventura  ;)
Abraço
BRITISH STEEL

Fernando Santos

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #10 em: Maio 10, 2012, 09:13:49 am »
Excelente percurso.
Motos peludas. ;D ;D ;D
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PJMS

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #11 em: Maio 10, 2012, 14:52:09 pm »
Muitos parabéns ... já vi que andaram a experimentar outras motos ... as locais  :P
 
Ficamos à espera do relato e mais fotos  ;)

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #12 em: Maio 11, 2012, 23:05:03 pm »
Imagens e relatos, já sabem que é comigo...  ;)

Tem é de ser devagarinho, que entre fotos e filmes tenho aqui cerca de 100GB.
 
Então aqui vai o primeiro de onze dias.
 
 Dia 01, 25ABR, Lisboa-Taghzoute.
 
 Perto das 4h00 estava a chegar ao posto de abastecimento do Fogueteiro na A2. A tralha tinha sido arrumada de véspera, mesmo assim demorei a carregar a bagagem na “burra”, pelo que quando cheguei no local já se encontrava a dupla de Ruis (Barradas e Benedito) a postos para arrancar. Cumprimentos habituais e duas ou três fotos para marcar o momento. Não mais que isso, pois logo começámos a ouvir pelos altifalantes que não era permitido captação de imagens no local... Devia estar mal disposto o funcionário.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-SLcXBk6/1/L/20120425042531-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 E lá fomos em redor dos 140km/h para não arriscar a multa logo no inicio da viagem. Auto-estrada até Grândola e dai por nacionais até Rosal de la Frontera. A travessia do Alentejo foi penosa, em especial nos arredores de Serpa onde deveriam estar uns 3 ou 4ºC. Apesar de bem agasalhados e dos punhos aquecidos no máximo batemos bem o dente. Em Rosal, o primeiro abastecimento a preço espanhol e mais em conta.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-zvv6nTR/1/L/20120425101518-L.jpg
Rota Berber #2012

 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-33bzQ48/0/L/20120425101527-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Mais adiante e depois de Aracena, parámos para o pequeno-almoço. Um café e uma avantajada sandes de presunto. Tudo, cerca de 6€, mas merecidos.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-vrCzxCv/1/L/20120425080011-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Depois entrámos nas auto-vias, passando Sevilha ao largo. Finalmente avistávamos o mar e Tarifa. Já estava quente. Ainda com algumas horas pela frente até ao embarque, estacionámos as motos numa ruela pequena à sombra e seguimos à procura de almoço.
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-4cqpDkm/0/L/20120425145825-L.jpg
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 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-djc4TXc/0/L/20120425145839-L.jpg
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 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-h32XDqr/0/L/20120425145944-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Encontrámos-lo, logo à entrada do porto, num restaurante que nos pareceu agradável. Na esplanada, pasta para todos: esparguete, canelonis e lasanha para cada um.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-nmDbPZV/0/L/20120425131809-L.jpg
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 16h00, hora de carregar as motas no barco. Entrámos no porto, estacionámos as motas e fomos levantar o bilhete. No regresso passam por nós um grupo grande de motos portuguesas que também seguiam para África. Ficamos a perceber através de um deles (o mais castiço que se fazia transitar em scooter Burgman) que eram de Aveiras e iam passar uns dias ao outro lado.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-dCjMcRm/0/L/20120425152654-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Mais uns minutos no parque e começámos a avistar a barcóla de boca larga que nos iria levar a África.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-HnhTb2n/0/L/20120425160143-L.jpg
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Assim que descarregou o que trazia, começou a carregar para a próxima viagem. As motos entram primeiro. O grupo de Aveiras seguiu à nossa frente, e em pouco tempo estavam as motas todas arrumadas no fundo do convés, cintadas e calçadas para a viagem.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-v8g3qDC/0/L/20120425160657-L.jpg
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Subimos ao porão, e escolhemos umas cadeiras para passar a viagem. Tratamos logo de preencher a folha de registo de entrada e aguardar que a pedissem.
 
 Mesmo ao nosso lado estavam os portugueses. O castiço fez questão de vir ter connosco e nos trazer um belo pão caseiro de cozido… Sim, não estava recheado de chouriço, mas antes de carnes do cozido. Nunca tinha visto tal preparo, e soube bem, apesar do pão estar meio cru.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-PDr8RQg/0/L/20120425171443-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Comemos uma bela fatia, agradecemos e fomos dar uma volta ao barco. Cá fora já se avistava a costa marroquina e a cidade de Tanger.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-gF892dc/0/L/20120425174948-L.jpg
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Rota Berber #2012

 
 O barco sendo bem grande (talvez com uns 3 pisos de convés) ia talvez a meia lotação. A viagem estava a ser calma, mar raso e tempo agradável. Foi feita a chamada, e ainda no barco seguimos com a ficha e passaporte para o guiché para dar entrada no destino. Aí encontrámos outro tuga que se deslocava a trabalho. Um motorista de autocarro a serviço. Contava-nos eles que não gostava de cá vir, a trabalho claro. Falou-nos no problema que é o regresso, com os marroquinos clandestinos a “enfiarem-se” nos buracos do autocarro para fazer a travessia. Carimbámos o passaporte e recebemos pela primeira vez o nosso número de identificação marroquino. Até aqui tudo pacífico.
 O barco atraca, e apressámo-nos a ir para o convés aprontar as “meninas”. Algum stress, mas encontrámos-las bem. Solta cinta, sobe para cima da mota e saímos do barco atrás do grupo de Aveiras.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-mQ4z5VH/0/L/20120425181219-L.jpg
Rota Berber #2012

 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-dnDQQVQ/0/L/20120425182206-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Já estávamos em Marrocos. Mas não andámos muito, parámos logo ali mais adiante na alfândega. Ficámos ali à espera com o grupo que chegasse a nossa vez. No entretanto andava um tipo com uma bandeja a servir uns chás de menta em copo plástico. Aceitámos um, e logo de seguida estava o fulano a estender a mão à espera da “propina”. Acho que lhe dei um ou dois euros que trazia, mas o chá não valia um tostão. Mostrámos a documentação ao oficial da alfândega. O tipo era simpático falava francês e logo nos disse que a papelada ali era gratuita. Nisto, andava por ali um velhote com ar reguila a rondar as motos. O indivíduo estava apenas identificado com um desenho de um distintivo qualquer no boné. O tipo pediu-me os papéis num tom ríspido, e quando percebeu que não pertencíamos ao grande grupo de portugueses largou-me da mão. Logo de seguida houve ali uma situação tensa. Alguém do grupo de Aveiras, não deu cavaco ao fulano e virou-lhe as costas em desagrado. O velho ficou chateado e dado que de todos era eu o que parecia falar melhor francês, veio ter comigo e pediu-me para explicar ao tuga que ali havia duas autoridades, alfândega e polícia, e que ele pertencia à última.
 
 Na verdade o marroquino tinha razão. Mas a entrada ali processa-se descoordenadamente, afinal estamos em África... A alfândega não quer saber da polícia, e a polícia da anterior. No meio disto tudo andam por ali uns malandros a ver se fazem pela vida à custa do turista desorientado. Expliquei ao velho marroquino que tinha razão, para desculpar o companheiro que o tinha confundido com um oportunista. Tudo se passou bem, seguimos ainda ao guiché da polícia para fazer o registo de entrada e finalmente saímos do porto para atravessar Tanger. Perdemos ali mais de uma hora nisto.
 
 Logo à saída do porto começou-se a sentir África. Milhares de pessoas a deambular pela rua e um trânsito caótico. Grande choque. À primeira rotunda, ríamos connosco próprios, de nervosos que estávamos. Eu estava ali há minutos e já estava adorar aquilo. Saímos tão entusiasmados que nos esquecemos de tratar de levantar dinheiro marroquino. Consultámos o GPS e parámos à beira de uma avenida para atravessá-la a pé até ao ATM mais próximo.
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-GDMqKmk/0/L/20120425194646-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 Um bairro da lata repleto de assaltantes... Essa é a primeira impressão com que se fica... E não pode ser mais falsa e enganadora. Felizmente não demorámos muito tempo a perceber isso. Uns em cima dos outros levantámos dinheiro, cerca de 3000 Dirhams cada (11 Dirham = 1 Euro) e regressámos às motos. Prosseguimos até à saída de Tanger percorrendo o trânsito e rotundas que nos conduzem para fora da cidade. Cada rotunda que fazíamos, era uma emoção. Ali não há regras, não há traços, não há sinais, todos circulam como lhes apetece e por onde lhes apetece. Máxima atenção aos espelhos e ao que se atravessa à nossa frente, e vamos bem. Ainda parei numa ou duas passadeiras, mas depois de ver o estado espantado em que os peões ficavam, deixei-me disso. Rapidamente se percebe que a preocupação é de quem atravessa e não de quem circula.
 Finalmente chegávamos à nacional que nos iria levar até Tetouane, e de caminho parámos para abastecer numa estação de serviço. Começava a escurecer. Atrás de nós chegou um polícia motard marroquino. Os tipos aqui circulam de BMW RT novinhas. O Benedito quis lhe tirar um retrato, mas o fulano não deixou. Continuámos pela nacional mais uma boa hora. No inicio íamos contidos a respeitar o traço, mas com o adiantar da hora e escurecer repentino, começámos a pisar o risco, como eles fazem. Lembro-me que seguia à frente de pupilas bem dilatadas. Noite completamente escura sem uma luz, e uma estrada sinuosa, cheia de deformações e lixo na berma. Liguei os duzentos e vintes watts de faróis da Tiger e fiz-me ao caminho. Com um clarão destes, nada escapa.
 
 Por fim, após mais uma curva larga chegávamos ao Refuge Caiat. Lá do cimo ouvi as indicações para subirmos a rampa até ao parque. Rampa não asfaltada, algo íngreme e um pouco estragada. Subimos aquilo sem dificuldades mas com cautela. Depois de 700 e poucos quilómetros, finalmente cortávamos a ignição às motas.
 
 Para nos receber estava o Ahmed que logo nos mostrou o caminho do nosso quarto pelo jardim do Caiat. Grande pinta! Um quarto à marroquino com quatro camas (uma delas beliche) dispostas à volta. Só iríamos usar três, mas as outras dariam jeito para distribuir a tralha. Já não era cedo, pelo que fomos à casa principal à procura de jantar. Lá encontrámos o Daniel, proprietário do Caiat e portuense de gema... Sabe bem chegar a África e continuar a falar português. Logo nos pôs à vontade e passou-nos a ementa. Sopa para começar e tajines para continuar. Tudo muito típico claro.
 
 A tajine é um prato típico marroquino que herda o seu nome do tacho de barro afunilado onde é cozinhado. É composta geralmente por legumes, especiarias e carne (borrego, vaca ou frango) sendo o processo de cozedura feito de forma muito lenta o que permite obter uma carne extremamente macia e solta.
 
 As escolhas dividiram-se entre a sopa de harira (uma sopa berber consistente com base de tomate), creme de legumes e tajines de carne com legumes ou ameixas e amêndoas. Acompanhamento com o pão marroquino, que é delicioso e do qual ficámos fã... Geralmente redondo, é feito de uma massa leve pouco fermentada e de uma côdea salpicada de sementes.
 
 
 http://danielsantos.smugmug.com/Passeios/comando-padeiros/Passeio-Rota-Berber-Cr%C3%B3nica/i-Z6Zn4DF/0/L/20120425230641-L.jpg
Rota Berber #2012

 
 A refeição foi feita na companhia do Daniel, sempre em amena cavaqueira. Mandámos vir a sobremesa e ainda continuámos ali algum tempo na conversa antes de recolher aos nossos aposentos. Estávamos cansados e não demorámos muito a adormecer.
 
 continua...

Giovanni

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #13 em: Maio 11, 2012, 23:24:37 pm »
 :D :D :D
 
Excelente  ;) 
 
Com uma trail neste tipo de viagens, não devemos ter metade dos problemas do que se for com outro tipo de modelo  ::)
 
Parabéns pelo inicio da crónica. Está muito porreira e cativante. Estou desejoso de ler o resto  ;D
BRITISH STEEL

Rods

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #14 em: Maio 11, 2012, 23:55:56 pm »
Bela crónica e que grande aventura  ;) , ficamos à espera dos próximos episódios !!!


Abraço
Rods
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