Autor Tópico: Rota Berber #2012  (Lida 10789 vezes)

RJVieira

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #15 em: Maio 12, 2012, 01:14:03 am »
Espectacular  :)  quero ler o resto.


Um abraço.

Fernando Santos

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #16 em: Maio 12, 2012, 16:56:16 pm »
Excelente!! :D
Boa continuação.
Abraço
Homen que é Homem, não bebe leite; come a vaca.

PJMS

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #17 em: Maio 14, 2012, 15:18:27 pm »
Isto promete  8)
 
Se tiveres oportunidade fala também um pouco sobre a vossa logística de preparação de uma viagem destas. Como é que organizaram a viagem e o percurso a efetuar, que contactos e compromissos são importantes de estabelecer (locais ou outros que façam a ponte), que equipamento levam e o que é abastecido localmente, autonomia em termos da gasolina e mantimentos, peças sobresselentes, mapas, ...

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #18 em: Maio 15, 2012, 08:42:04 am »
Dia 2, 26ABR, Arkchour-Chefchaouen-Taghzoute
 
 O Benedito tinha-se esquecido de desarmar o alarme do relógio de pulso, de modo que soou cerca de uma hora antes da hora que tínhamos planeado acordar. Já se sentia a luz do Sol a entrar pelas janelas do nosso quarto, e passei a hora seguinte a rebolar na cama de um lado para o outro.
 
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Rota Berber #2012

a porta da esquerda era o nosso quarto
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Rota Berber #2012

as motas à nossas espera
 
 Banhos tomados, seguimos para a esplanada do Caiat para tomar o pequeno-almoço. Um cantinho fantástico com cadeiras e mesa de ferro em estilo marroquino, debruçado sobre o vale.
 
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Rota Berber #2012

o restaurante
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Rota Berber #2012

a esplanada
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Rota Berber #2012

a vista do Caiat
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

outra habitação do Caiat
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Rota Berber #2012

a Frida, um dos dois canitos residentes
 
 O tempo estava promissor: por cima das nossas cabeças um céu limpo e de azul profundo. Vieram os comes e bebes, café com leite, sumo de laranja, queijo, manteiga, doce de alperce, mel, azeite e aquele delicioso pão marroquino a estalar… Ui qu'a bom…!
 
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Rota Berber #2012

o pequeno-almoço servido na esplanada
 
 Na véspera, o Daniel do Caiat, tinha aconselhado o trekking nas redondezas em detrimento da visita à vila piscatória de Oued Laou à beira do Mediterrâneo. A tarde essa, estaria reservada para visitar a cidade azul, Chefchaouen. Num instante o Daniel ligou ao guia que nos aguardaria num determinado parque de estacionamento. Terminámos o pequeno-almoço, tirámos umas fotos e seguimos de moto até ao ponto de encontro. Talvez uns dez minutos, foi o que levámos para fazer o caminho entre o Caiat e o parque de estacionamento. Por lá nos aguardava o Mustafá, um fulano novo conhecedor dos encantos da região. Falava francês, espanhol, inglês e até um pouco de português. Arrumámos o equipamento na topcase e seguimos com ele, que nos levou monte acima. Começou logo a subir bem, pelos campos fora.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

sempre a subir com o nosso guia
 
 Enquanto seguíamos por um trilho estreito, lembro-me de uma conversa rápida com uma pastora que nos queria vender umas das suas cabras. Às tantas começámos a trepar pelo meio do calhau, fizemos uma pausa para recuperar o fôlego e aproveitou-se para falar um pouco mais. Ficámos a saber que o nosso guia marroquino tinha 28 anos, era de uma aldeia ali perto e vivia da venda de algum artesanato e de acompanhar os turistas pelos belos recantos da região. Perguntei-lhe se não ambicionava fazer vida fora daqui, disse-me que sim, mas que financeiramente não tinha os meios para tal. Um tipo verdadeiramente simpático.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

lindíssimas vistas da região durante o caminho
 
 Levou-nos até ao topo do monte, para depois começar a descê-lo por um carreiro à beira do precipício. Um passo em falso e acaba por ali a viagem. Fomos descendo, e já à distância se avistava o nosso destino, a conhecida “Ponte de Deus”.
 
 
o trilho à direita é o que vamos fazer
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Rota Berber #2012

aqui vê-se melhor
 
 Eu já lhe conhecia a origem, mas assim mesmo perguntei ao Mustafá. Descritivamente a Ponte de Deus não é mais que uma ponte de pedra natural que une duas margens de um desfiladeiro. Existem várias lendas para a sua origem, que envolvem quase sempre um enredo "à la" Romeo e Julieta, onde supostamente Deus terá edificado a ponte para o par se encontrar. Na verdade, no passado, o desfiladeiro não existia e por ali passava um rio subterrâneo. O solo abateu em todo o lado, menos na “Ponte de Deus” e assim nasceu o desfiladeiro com a sua ponte natural.
 
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Rota Berber #2012

ponte de Deus em toda a sua glória
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Rota Berber #2012

aqui mais perto
 
 Chegámos à ponte e tirou-se logo ali umas fotos. À beira da ponte está por lá uma barraca em argila que vende bolos e bebidas. Sentámo-nos e mandámos vir uns chás. O Benedito passou o chá e ficou-se por um bolo. O chá estava consistente e delicioso e combinava o sabor da menta com o açúcar maravilhosamente… Nada daquela água suja que nos serviram à chegada na alfândega. Terá sido provavelmente para mim o melhor, ou um dos melhores chás de menta que bebemos. O Benedito mandou logo vir um depois de provar um pouco do chá do Barradas. Estivemos ali um pouco e soube maravilhosamente.
 
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Rota Berber #2012

o grupo
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Rota Berber #2012

no relax
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Rota Berber #2012

cházinho de menta, um dos melhores que bebemos
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Rota Berber #2012

lá em baixo
 
 Finalmente, encetámos a descida de regresso ao estacionamento. Um trilho estreito a serpentear pela vegetação, a fazer com cuidado. O Mustafá seguia à nossa frente e por uma vez por pouco não foi parar lá abaixo.
 
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Rota Berber #2012

sempre boas vistas
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Rota Berber #2012

muita vegetação
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Rota Berber #2012

região lindíssima
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Rota Berber #2012

o nosso amigo, Mustafá
 
 O percurso não tinha ainda chegado ao fim. Tínhamos calcorreado a margem Sul do rio, iríamos agora prosseguir pela margem Norte até às pequenas cascatas. E lá fomos, sempre junto a uma levada do rio. Cerca de 45mn depois chegávamos às cascatas que estavam concorridas. No caminho seguimos atrás de duas marroquinas e um marroquino que também procuravam as cascatas. Por lá já se encontrava à beira do rio, um grupo de três outros em amena cavaqueira. O nosso guia despachou-se a tirar a roupa e ficar de calções para mandar um valente mergulho, e nós ficámos com inveja de não poder fazer o mesmo.
 
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Rota Berber #2012

água cristalina
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Rota Berber #2012

a pequena cascata
 
 Depois de apreciar o local e de umas quantas fotos, restava-nos fazer o caminho de regresso que me pareceu menos penoso que o de ida. Já íamos bem quentes com umas quatros horas de caminho, sempre debaixo de Sol. O Benedito era o único que não levava chapéu e protector solar, e daí resultou um belo escaldão na moina!
 
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Rota Berber #2012

percurso junto a uma levada
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Rota Berber #2012

paisagem fantástica
 

 
« Última modificação: Maio 15, 2012, 08:46:45 am por Cobra »

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #19 em: Maio 15, 2012, 08:43:35 am »
 Regressados às motos tínhamos de acertar contas com o gentil Mustafá. Pagámos-lhe o que pediu (300 dirhans) e claro também ao “guarda” do parque (20 dirhans). Em Marrocos qualquer estacionamento tem “guarda”. São basicamente uns tipos que não fazem nenhum, que ficam nos parques o dia todo (às vezes a noite), auto-intitulam de “guardas” e no final cobram-nos um serviço que não pedimos e por vezes não queremos. Regressámos ao Caiat com o Benedito a dar boleia ao nosso amigo Mustafá. Dali seguimos directos para Chefchaouen (ou Chaouen) que já não era cedo, e ainda teríamos de procurar almoço. A entrada em Chaoun fez-se em grande, contornando a cidade mas entrando directamente pelo Souk, que é o nome que se dá aos mercados marroquinos. A passaagem por um Souk de mota deve ser semelhante à travessia da feira da ladra de Lisboa, mas em pior. É um mar de gente a divagar, são as malditas mobylettes a cruzarem-se em todos os sentidos, e os carros e furgões também a fazerem-se ao caminho por ruas pequenas de um só sentido. Eu seguia à frente com o Benedito atrás de mim, e o Barradas a fechar a “caravana”. Estava com a comunicação aberta para este último e só o ouvi a stressar… Não é fácil, deve-se progredir com calma e cuidado para não virar o boneco ou levar um marroquino de rojo. Mal sabíamos nós que ainda tínhamos muito disto pela frente. Lá conseguimos sair do Souk e encontrar o parque de estacionamento, que claro também tinha o seu “guardião”. Acordámos logo o preço, que julgo seria de 10 dirhans por mota. Logo ali fomos “assaltados” por uma série de pseudo-guias, quase todo eles ganzados… É que aqui fuma-se! Dispensámos todos e partimos à descoberta da cidade. Seguimos directamente para a praça central onde o Daniel do Caiat nos tinha recomendado dois restaurantes de qualidade. A praça é turística e convém ir de “lição estudada” para não levar o barrete. Um dos restaurantes chamava-se Dar Com, e não o encontrámos facilmente.
 
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Rota Berber #2012

 vista para a praça
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Rota Berber #2012

estes restaurantes são de evitar
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Rota Berber #2012

a praça
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Rota Berber #2012

mais um pouco de praça
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Rota Berber #2012

cidade pregada na encosta
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Rota Berber #2012

este é razoável mas caro
 
 Tivemos de perguntar a um fulano simpático de uma loja de comunicações que nos apontou o caminho. Entrámos e subimos. “Dar” significa casa, e tratava-se de facto de uma fantástica casa de vários pisos decorada no mais puro estilo marroquino. Uma coisa no género de pequeno palácio das arábias, cheio de detalhe e trabalho. Recomendaram-nos almoçar no terraço, e não nos fizemos rogados. Magnífico terraço, na mesma linha da restante casa com tecidos coloridos a fazer de tenda e a proteger os nossos frágeis couros cabeludos. A ementa era variada e típica. O Barradas foi para os “pinchos” (espetadas), eu e o Benedito para o “Couscous Royale” (uma espécie de cozido marroquino). Estava bom, ainda que um pouco curto em chicha para o Benedito, salvou-se o maravilhoso molho de mel que acompanhava.
 
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Rota Berber #2012

 aviados
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Rota Berber #2012

 Couscous Royale
 
 Pediu-se a sobremesa e já seriam umas 15h30 quando terminámos o repasto. O resto da tarde estaria guardado para deambular pela cidade. Perguntámos pela direcção das nascentes (Ras El Maa) e caminhámos para lá. Pelo caminho várias fotos das ruas pintalgadas de azul que dão o nome á cidade. Diz-se que o azul afasta os mosquitos e que esse será o motivo para a sua predominância nas paredes das casas. Não sei se será mesmo assim, a verdade é que é bem bonito e que não vi mosquitos por lá.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 
 Chaouen é pequeno mas as ruas são meio labirínticas e às tantas tivemos de perguntar a um fulano o caminho para Ras El Maa.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 
 Fomos tirando fotos, mas há que ter cuidado. As mulheres marroquinas não gostam, nem permitem fotos, e nós respeitamos, claro.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 
 Finalmente demos com as bonitas nascentes, um considerável ponto de encontro da cidade. Para além de turistas e locais a apreciar a paisagem, por aqui também se encontram as lavadeiras que aproveitam as águas corrente do rio para a sua roupa lavar.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Não estivemos ali muito tempo. Estávamos cansados das quatro horas de trekking pela manhã e o Sol já se ajeitava para se esconder no horizonte. Voltámos às motos para regressar ao Caiat. Pagámos a “propina” ao guarda e descemos a encosta onde se situa Chaouen. Mesmo à saída da cidade, uma paragem de emergência para o Barradas “processar” o chá que tinha bebido durante o dia… estava aflito.
 Estava a ficar fresco e chegámos ao Caiat ainda com a luz do Sol. Optámos por jantar cedo no Caiat. “Brochettes” para todos, que é como quem diz espetadas. Durante o jantar conhecemos outro português por ali radicado que frequentava a cozinha do Caiat sempre que possível. Estivemos ali um pouco à conversa e depois regressámos ao quarto para o sono dos justos.
 
 continua...
 
 
« Última modificação: Maio 15, 2012, 08:47:25 am por Cobra »

Waters

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #20 em: Maio 15, 2012, 16:47:51 pm »
Muito bom,

Excelente passeio, relato e fotografias 8) .

Venha lá o resto.

Saudações

Giovanni

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #21 em: Maio 17, 2012, 10:57:27 am »
Muito bom... Muito bom...  :D
 
Na crónica a explicação constante das coisas e a indicação dos nomes nativos está fantástico  ;) 
 
Fotos espectaculares.
 
Bom trabalho
BRITISH STEEL

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #22 em: Maio 17, 2012, 22:27:33 pm »
Nem sei o que dizer com mais esta reportagem destes valentes aventureiros ... que paisagens, locais e experiências magníficas  :o
 
Acho que vou ter de alugar/comprar uma Tiger para os conseguir acompanhar numa próxima aventura :P

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #23 em: Maio 19, 2012, 00:59:58 am »
Dia 3, Taghzoute-Fès
 
 Mais uma manhã soalheira no Caiat. Levantámo-nos, higiene habitual e seguimos para o delicioso pequeno-almoço. Mesmo local, na esplanada virados para o vale.
 
 Depois do estômago aconchegado, altura de pagar a conta, despedidas e seguir estrada fora em direcção a Fés. Agradecemos a recepção simpática ao Daniel, que foi maravilhosa, soube bem este toque lusitano logo depois de desembarcar em África. Ficou a vontade de passar por aqui alguns dias de descanso. Motas carregadas e ala que se faz tarde.
 
 
 Nós e o Daniel Pinto, que bem se este no Caiat...
 
 Passámos ao largo de Chaouen progredindo para Sul em direcção à vila de Moulay Idriss. A estrada, mais ou menos a direito, era agradável e a paisagem continuava verdejante e interessante. Algures a meio do caminho fizemos uma paragem junto a um Oued, ou rio. Ajustámos o equipamento e seguimos viagem.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Por volta da hora de almoço estávamos a chegar aos arredores de Moulay Idriss. O objectivo era visitar as ruínas de Volubilis, um local arqueológico que há por ali de uma cidade romana. Estávamos todos com fome, pelo que ainda fui espreitar se havia onde comer à entrada das ruínas. Não havia, de modo que seguimos até Moulay Idriss logo ali ao lado, à procura de almoço, deixando a Volubilis para a parte de tarde. Entrámos poucos metros em Moulay quando demos com a praça principal. Havia logo ali alguns botecos marroquinos, e quis o azar (ou a nossa sorte) que a frente de um deles estivesse desimpedida para estacionarmos as motos. Perguntei a um polícia onde poderíamos deixar as máquinas, e este confirmou que ali estariam bem.
 
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Rota Berber #2012

 
 O dono do boteco chegou-se logo à frente ajudando-nos a deixar as motos ali arrumadas. Claro está, sentimo-nos na obrigação de fazer ali a despesa. O local era pouco maior que uma cozinha, e resumia-se a uma bancada na esplanada com duas ou três mesas. O homem era uma simpatia e aceitámos que nos tratasse da refeição.
 
 O prato seria uma tagine kefta, que é essencialmente uma espécie de almôndegas na chapa com molho de tomate fresco, cebola e aquelas especiarias que eles tão bem sabem usar. Tivemos o privilégio de ver o fulano tratar do almoço à nossa frente. O marroquino de nome Aziz, nos seus cinquenta e muitos anos, fazia questão de nos descrever a confecção do prato. Enquanto a coisa apurava, ia-nos servindo um delicioso chá berber, ou “whisky berber” como é conhecido. Foi aqui que percebemos as diversas nuances do chá marroquino. Pois bem, há essencialmente três formas de preparar o chá. 100% menta, meio/meio ou 100% da planta de chá. A versão berber é a última, puro chá, sempre açucarado.
 
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Rota Berber #2012

 mestres da culinária
 
 Este senhor era de uma simpatia extrema: esforçou-se por nos agradar, esforçou-se por fazer a melhor refeição, esforçou-se por nos deixar confortáveis. Bem, a verdade é que provavelmente nosso amigo Aziz não se esforçou em nada, e tudo aquilo era apenas bondade autêntica e natural, como já não estamos habituados a ver.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 o ar de satisfação
 
 Comemos que nem uns reis, lambuzámos as nossas beiçolas naquela tagine maravilhosa, sempre acompanhada daquele pão fabuloso. Tirámos uma boa colecção de fotos e no final o Aziz pediu-nos que lhe enviássemos as fotos para um mail que me trouxe rabiscado nas costas de um bocado de uma embalagem de chá. Não sei se lá chegará, mas irei com certeza tentar enviar-lhe uma foto, o tratamento que tivemos merece sem dúvida o gesto. No final apertou-nos a mão e deu-nos quatro valentes beijocas a cada um, à marroquino… Sim, aqui os homens beijam-se. Este almoço foi sem dúvida uma boa memória que ficou para todos, até pelo preço que pagamos, cerca de 4€ cada um.
 
 Estômagos bem aconchegados seguimos para a visita de Volubilis, sem antes fazer o percurso panorâmico de Moulay Idriss como aconselhado pelo nosso amigo.
 
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Rota Berber #2012

 
 Chegámos ao parque de Volubilis e dirigimo-nos à entrada mais abaixo. O Aziz tinha-nos também dito para entrar pela porta de baixo e sair pela de cima, e só percebi o porquê mais tarde.
 
 Deixámos então as motas junto à porta de baixo e fomos logo abordados pelo guarda “oficial” do parque. 10 dirhans cada um, pagos adiantados. Depois o guarda fez-nos sinal para entrar por cima, e assim fizemos. Ao chegar à porta de cima, havia um guiché que aparentava ser a bilheteira… Cometemos o erro de olhar para lá, e logo nos foi cobrado mais 10 dirhans pela entrada, isto enquanto outros passavam sem deixar tusto. Não seria a última do género. Em Marrocos é assim. Há sempre um marroquino a cobrar bilhete, mas ninguém lhe liga muito. E ele também não se empenha a não ser que se vá ter com ele, ou se tenha pinta de turista. Os bilhetes são genéricos (apenas fazem referência a uma direcção qualquer de monumentos) e felizmente baratinhos, menos de 1€ cada. Entrámos no sítio arqueológico e apontámos para as ruínas do templo. O local em si é grandioso e enorme.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Pelas ruínas ainda se conseguem perceber as avenidas e a dimensão fabulosa do local. No entanto todo o espaço em si parece se encontrar ao desmazelo. Mato alto, tudo espalhado, nada identificado ou catalogado. Só mesmo o marroquino com apito que por lá circula a proibir os turistas de subirem para os blocos de pedra para dar algum ar organizado à coisa.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Andámos por ali um bocado à volta do templo que será talvez o maior núcleo de vestígios, e nem tivemos mais curiosidade em ver o resto. Não é que por cá se faça melhor, também somos especialistas em não cuidar do nosso património histórico (veja-se Miróbriga em Santiago do Cacém), mas realmente Moulay Idriss até me pareceu mais interessante que Volubilis.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Voltámos à estrada. A saída de Volubilis foi curiosa, pois o GPS fez-nos repassar pela estrada panorâmica de Moulay Idriss, mas em sentido contrário. A vista era boa, mas o troço não era particularmente simpático de fazer (piso estourado e cheio de lixo). Afastámo-nos da vila e seguimos montes afora. Lembro-me de passarmos por um rebanho na estrada e de um troço de curvas manhosas, género cotovelos, com meia faixa de alcatrão cheia de gravilha. Finalmente aproximávamo-nos de Fès. Uma paragem ainda no exterior da cidade para “mudar as águas”, duas ou três fotos e siga para o meio da confusão.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Esta seria a primeira entrada numa grande urbe africana. Para que fique a ideia, trata-se da segunda maior cidade do reino de Marrocos, com cerca de 1 milhão de habitantes. Foi capital e pertence ao conjunto das quatro cidades imperiais com Rabat, Marraquexe e Meknés. Encerra a mais antiga Medina do mundo, que com as suas cerca de 9000 ruas e becos assume a o título de maior área urbana sem carros do planeta. O termo Medina designa a zona antiga e original da cidade. É aí que se concentra o comércio, madraças (escolas corânicas) e mesquitas. É o coração da cidade que está geralmente vedado ao trânsito automóvel.
 
 Já tínhamos tido um cheirinho em Tanger de como se regrava o trânsito, e Fès não destoou. Assim que começámos a aproximação à cidade fomos logo assolados por pseudo-guias de mobylette que nos acompanhavam em andamento, fazendo perguntas e oferecendo serviços - onde ficar, onde ir, onde comer - à vontade do freguez, mas claro a troco de uma boa “propina”. Fomos despachando os gajos, mas eram mais chatos que varejeiras! Apareciam de todos os lados, até fora de mão. Eu seguia à frente e tinha o ponto de GPS que tinha retirado do booking. Para nosso azar, quando chegámos ao destino, nada havia. Tivemos então de recorrer a um destes espertalhões de motoreta para nos levar ao Riad que tínhamos reservado. O tipo queria-me levar a outro que conhecia, dei-lhe bem a entender que não nos interessava e que queríamos ir ao nosso. Ainda antes e para não haver confusões, perguntei-lhe o preço do “serviço”, ao que o gajo me responde “é o que tu quiseres”. Seguimos o tipo que nos enfiou Medina dentro pelo Souk (mercado). Grande maluqueira. Um mar de gente e nós pelo meio com as nossas “pequeninas” motas armadas com bagagem. O tipo na sua mobylette seguia à minha frente, eu fazia o melhor para o seguir e não perder o Benedito atrás de mim. Pelo intercom ouvia o Barradas a stressar: “eu vou mandar um abaixo, não tarda!”… Filmei toda a cena, para mais tarde recordar. Finalmente chegámos a uma espécie de parque de estacionamento manhoso. O tipo diz-me que teríamos de deixar as motos ali e seguir a pé alguns metros. Achei estranho. Deixei os Ruis no parque e fui com o guia até ao Riad. Não andámos muito até chegar à porta da casa, mas aquilo não era o que queríamos. Disse-lhe que não e virei costas. Este “Mustafá” ou percebeu mal, ou está a armar-se em esperto. O tipo veio atrás de mim, sacou de um cartão e perguntou-me se era aquele o Riad. “É mesmo esse”, disse-lhe eu. Veio-me com uma conversa que me tinha perguntado se era ali, e que tinha dito que não. Para ser sincero, já não me lembro. Perguntei se nos levava lá. O tipo não devia saber onde era pois chateou outro que por ali passava. Lá se entenderam e voltámos às motas... e adivinhe-se?... Tivemos de fazer o caminho de volta pelo Souk… Ai, ui, ui, ai… e um pouco depois estávamos noutro ponto da Medina que parecia mais sossegado. Este sim era o lugar que tínhamos reservado. Descarregámos as malas e perguntámos pelo parque. As motas até não ficariam ali mal na rua, mas por 20 dirhans a noite (cada uma) fechadas em garagem, não arriscámos. Mas antes de levar as motos ao parque fechado (a uns 50 metros dali) tinha de acertar as contas com o “Mustafá” de serviço. Dei-lhe 20 dirhans para a mão. O gajo não gostou e pediu-me 50 dirhans, ao que lhe respondi, “Então mas afinal é o que tu queres, ou o que eu quero?... Quando te perguntei antes, o que disseste?”… O tipo não insistiu e contentou-se. Se o tipo do parque nos leva 20 dirhans para guardar uma moto num parque, não estou a ver porque é que este gajo quer 50 dirhans para nos levar em 500 metros de Medina… A esse preço só ficava satisfeito se me carregasse às costas! O Benedito levou um dos empregados do Riad à boleia até ao parque, para que nos indicasse o caminho.  Confirmámos o preço, arrumámos lá as motas e voltámos todos a pé.
 
 O riad era maravilhoso. Uma casa de 300 anos tipicamente decorada e maravilhosamente mantida. Como todos os riads, as habitações aglomeram-se em redor de um magnífico pátio central ornamentado com uma belíssima fonte no meio. Foi aí que nos serviram o chá de boas-vindas e que trocámos umas palavras com o que deveria ser o proprietário. Falou-nos do significado histórico de Fès e da sua afamada Medina. Disse-nos que no mínimo deveríamos despender dois dias para visitá-la condignamente e que hoje, sexta-feira, não seria o melhor dia, dado que pelo Islão é dia de oração e a grande maioria do comércio está encerrado. Com o Médio Atlas para atravessar amanhã, não havia tempo para Medinas. Paciência. Iríamos mesmo assim dar uma voltinha por ali e procurar jantar, o resto terá de ficar para uma próxima oportunidade.
 
 Assim fizemos, saímos à rua a pé e metemo-nos por aqueles becos. É certo que a grande maioria das lojecas estava encerrada, ainda assim muitas estavam abertas, sobretudo numa das duas avenidas principais. Comes e bebes, quinquilharia, roupa, candeeiros e mais não sei o quê, era o que se via por ali à venda. O Benedito queria já começar as compras, mas haveria mais tempo para isso em Marraquexe. Eu sei que já ia desorientado. O Barradas dizia que sabia o caminho, e que podíamos dar a volta por “ali”.
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Às tantas demos connosco a uma das portas da Medina. Nisto somos abordados por mais um “espertalhão” que queria nos mostrar não sei o quê. Despachámos o gajo em espanhol, mas não ficou convencido. Virou-se para o Barradas a dizer que ele não o enganava, que era marroquino de Casablanca! Embrulha… Se não estou em erro foi a segunda vez que ouvimos esta conversa. Já o guia do Caiat tinha dito o mesmo. Parece que o Barradas tem ali uma costela de África… Bem, na verdade temos todos, não tivéssemos nós sido ocupados por muçulmanos… Ainda hoje a Sul do Porto se fala nos Mouros… Mas pronto, de todos nós, parece que o Barradas é o mais marroquino!
 
 Não nos afastámos muito da Medina. A rua estava movimentada, nós com fome, e pareceu-nos bem jantar por ali. Espreitámos dois ou três botecos, tudo igual. Optámos por nos aproximar daquele que mais gente tinha. Uma espécie de snack-bar que servia frango num género de kebab enrolado, que é o mesmo que dizer, carne fatiada, arroz, salada e batata frita enfiada num crepe. O lugar tinha umas mesas ao fundo e à entrada a cozinha, numa espécie de avançado onde se processava a comida a grande velocidade. Ao lado da “cozinha” estava um tipo sentado atrás de uma registadora. O fulano apercebeu-se do nosso interesse e pôs-nos logo à vontade descrevendo a ementa disponível. Apesar de não muito bem encarado, foi mesmo simpático e deu indicações para nos arrumarem uma mesa no interior. Em pouco tempo estávamos lá dentro sentados à espera do jantar. Bom, o sítio era impressionante, em especial o chão que dava ideia não ser limpo há pelo menos um mês… Tudo o que ali caía, ali ficava. Mas estávamos ali para fazer como os outros e partilhar do espírito, só assim se pode dizer que se passa pelas coisas. Vieram as “sandes” enroladas em papel manteiga. Achámos melhor pedir bebidas engarrafadas. Existe sempre um mini-jerrycan de água disponível nas mesas, mas a recomendação é sempre optar por algo que venha fechado para a mesa. Comemos o nosso “kebab” enrolado. Não foi bom, nem mau, antes pelo contrário, e saímos dali. Tudo creio que ficou por 7 dirhans. A ver vamos se mais logo não ficamos com uma dor de barriga.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 É bom, ou não é bom?...
 
 Regressámos à Medina guiados pelo mestre Barradas, O Marroquino. Tentou-se tirar umas fotos, mas a fraca luz não proporcionou nada de jeito.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 
 Conseguimos regressar ao Riad, sem grandes problemas, mas eu fiquei com a sensação clara que ali nos podemos perder. Quem não for cauteloso e não recorra a bons pontos de referência, com certeza se perderá com todos aqueles becos escuros, túneis e passagens estreitas.
 
 
 
 No Riad despachámo-nos a subir ao nosso quarto, uma mezzanine debruçada sobre o pátio, com duas camas em cima e uma em baixo.
 
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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

 Esta era a nossa mini-central eléctrica habitual
 
 Decidimos entre nós que O Marroquino, que não ronca, ficaria em baixo. Aqui havia wifi, mas apenas no pátio, pelo que antes de dormir e à vez, enquanto se tomavam os banhos fomos revezando nos portáteis para falar com a família e carregar umas fotos no facebook.
 
 continua...
 
 

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #24 em: Maio 20, 2012, 19:00:13 pm »



Vídeo em stop motion realizado durante a viagem:

https://vimeo.com/42498636


Espero que gostem ;)


Cumps!

Fernando Santos

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #25 em: Maio 21, 2012, 09:41:30 am »
Excelente trabalho.
Obrigado pela partilha.
Um abraço e boa continução
Homen que é Homem, não bebe leite; come a vaca.

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #26 em: Maio 21, 2012, 14:51:26 pm »

Dia 4, Fès-Imilchil (Médio Atlas)


A noite passou-se bem neste encantador Riad. Mal, estava o tempo. Como já tinha sido habitual nas outras noites, acordava antes da hora. Cerca de uma hora antes da hora combinada, despertava e ficava a rebolar na cama até me levantar. Aqui não foi diferente, e logo quando despertei dei conta da chuva que caía lá fora. Batia certo com a previsão que tinha consultado antes de sair da pátria mãe. Felizmente, e se o tempo não falhar ao previsto, este seria o único dia de chuva da nossa estadia em África. Hoje seria então dia de agasalhos e fatos de chuva. Subimos ao terraço onde se serviam os pequenos-almoços. Local castiço, fechado com vidros coloridos. Lá fora conseguia ver-se as milhares de antenas parabólicas penduradas, por vezes de qualquer jeito, sobre os telhados.


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012



Não estava particularmente quente, pelo que o café veio mesmo a calhar. Pequeno-almoço usual, com as tradicionais panquecas marroquinas (de duas qualidades), o habitual pão saboroso, tudo ornamentado com mel e doce de alperce à descrição.


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Rota Berber #2012

ui ca bom!...


De seguida havia que pagar a conta, recolher as motas, carregar malas e seguir em direcção ao Atlas. 370 dirhans acrescidos de mais 60 para o parque das motas, nada mal como conta para três marmanjos portugueses. Contas rigorosas, calhavam 13€ a cada um. A estes preços, sinceramente, dispensa-se o campismo! Fomos buscar as motos debaixo de uma chuva miúda, já equipados a rigor e capacetes postos. O pessoal na rua ia nos mirando com alguma curiosidade, provavelmente por nos ver assim equipados montados em nada. As máquinas estavam onde as tínhamos deixado, e como as tínhamos deixado.


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Rota Berber #2012



Pagámos a dívida e levámo-las dali até ao Riad. Carregou-se a bagagem, pedimos ao tipo simpático e profissionalíssimo do Riad para nos tirar um retrato e pisgámo-nos de ali em direcção à montanha.


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Rota Berber #2012



A saída da Medina aquelas horas foi pacífica, e num instante estávamos na próxima estação de serviço no exterior da cidade a lubrificar as correntes. Estava um frio do “caneco” e uma chuva miudinha chata.


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Rota Berber #2012

olha estas a assentar de traseira com o peso


Logo depois de deixar Fez começou a subida em curva. Íamos com cuidado e sem stress. Já há beira de Ifrane, tinha identificado um desvio pelo parque em redor de uns lagos que há por ali.


O primeiro lago fica logo à beira da nacional, e é depois contornando este que se faz o desvio prosseguindo até aos próximos. Fizemos uma paragem junto ao lago. Descemos até lá abaixo. O Benedito queria mesmo tirar uma foto à beira do lago, levou a mota até à beira e depois à artista puxou um pião, cujo o resultado previsível no meio daquela lama só podia ser o arrear da Strom no chão! Nada de grave, apenas um encosto da mala lateral no chão.


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Rota Berber #2012

Não mexe, está bem aí...


Rapidamente se abeiraram dois marroquinos montados em cavalos com decoração típica. Queriam nos levar a dar uma volta ao lago, mas cavalo por cavalo, preferimos ficar com os nossos.


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Rota Berber #2012



Saímos dali com cautela, para não repetir a manobra do Benedito. Contornámos o lago e prosseguimos por uma pequena localidade. Recordo que tinha uma estrada esquisita. Cerca de metro e meio de alcatrão no meio, o resto tudo rebentado e passeios novos elevados a cerca de meio metro de altura. Continuava a chuva miudinha e o frio. Por esta altura estávamos bem desconfortáveis com as pontas dos dedos a gelar. Seguimos o percurso que se enfiava pelo meio de arbustos rasteiros em curvas e contra-curvas. A estrada continuava manhosa, estreita e suja. Volta não volta, tínhamos de andar pela beira, para evitar os camiões que vinham de frente. Chegámos ao segundo lago e ainda perguntei ao Barradas se lhe apetecia parar à margem do lago. Com o tempo desagradável que estava nem ele, nem eu, fizemos questão de parar por ali, seguimos. Pouco tempo depois estávamos de regresso à nacional a caminho de Ifrane. Curioso local este que nada tem a ver com o resto. Foi fundada pelos franceses como estância de esqui. Está a 1700m de altitude no Médio Atlas, e está edificada e organizada tal qual uma estância alpina. As casas aqui assemelham-se a chalés, os jardins são verdejantes e arrumados ao estilo europeu.


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Rota Berber #2012

para ficar a ideia do frio que estava...


De repente parecia que tínhamos chegado à Suíça! É certo que faltava a neve, que por esta altura já desceu encosta abaixo, mas a decoração e o frio faziam em tudo lembrar os Alpes europeus.


Depois de andar às voltas, encontrámos o centro da cidade e estacionámos as motas. Enquanto tratávamos da coisa, num carro defronte um grupo de duas ou três jovens marroquinas “esgazeadas” faziam-nos olhinhos e sorrisinhos malandros! Estávamos cheios de fome, de modo que despachámo-nos a ir procurar almoço.


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Até os restaurantes aqui são diferentes. Menos típicos e mais ao género café e snack-bar. Desencantámos um e mandámos vir umas tagines kefta (aquela espécie de almôndegas na chapa) muito inferiores às do nosso amigo Aziz. Estava quentinho no estabelecimento e isso era bom.


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No final do repasto quando espreitámos lá para fora, o Sol parecia brilhar, fantástico!... A chuva parecia ter ido de vez, e a temperatura estava mais amena. Saímos de Ifrane, continuando o caminho pelo Atlas. Numa passagem pelos vários lugarejos apanhei um susto de morte. Seguia atrás do Benedito, e este do Barradas. Logo na minha traseira seguia um carro “colado”, à boa maneira marroquina. Numa travagem repentina do Benedito para não sei o quê, tive de encostar travão para parar a Tiger. Nesse mesmo momento senti a lateral do carro que seguia atrás de mim de raspão na perna esquerda. Fiquei branco e com tremores! Caiu em mim aquela sensação desagradável de quão frágil somos e expostos estamos quando vamos de mota. Foi mesmo uma questão de milímetros para que a viagem não acabasse para mim naquele momento. Para mim, e provavelmente para o Benedito com o qual teria logo chocado se houvesse impacto. O Barradas teria de fazer o regresso a solo. Felizmente estávamos todos bem, mas já não tinha estômago para voltar atrás e tirar umas fotos como sugeriam os dois companheiros. Continuámos.


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Uma paragem ainda antes do Atlas


A estrada seguia verdejante, o que me parecia estranho. As poucas fotos que tinha visto do Médio Atlas contemplavam sempre paisagens áridas e rochosas, nada como o que se desenrolava à nossa frente. Lembro-me de comentar isso com o Barradas e de lhe dizer que já estava à espera que a “coisa” mudasse drasticamente, tipo linha separadora. Aqui é verde, aqui já não é. E assim foi. Já mais para o final da tarde, o cenário mudou de verde para cinzento. Em poucos metros deixou de haver vegetação alta e abundante para dar lugar a alguns arbustos mal semeados. Agora sim cheira a Atlas! Logo depois atravessámos uma aldeia típica com estrada totalmente em terra. À saída abastecemos e continuámos pelas colinas e montanhas. Uma paisagem fantástica que nos transmitia mesmo o sentimento de aventura. O percurso alternava em curvas simples intervaladas por longas rectas. Num desses segmentos fizemos uma paragem. O cenário era divinal! Ao longe, nas colinas, ainda batia o Sol, o que dava à terra um bonito colorido ocre. Onde estávamos, numa espécie de vale, a sombra coloria tudo em nosso redor num cinzento seco.


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Rota Berber #2012



Não nos apercebemos que logo ali estava um rebanho acompanhado de duas jovens que dele cuidavam. Uma delas uma menina ainda pequenita com ar reguila, a outra uma jovem provavelmente adulta. Digo provavelmente, porque só lhe víamos os olhos. Ainda a confundi como sendo a provável mãe da pequena, mas talvez fosse a irmã. Estava trajada com indumentária típica que apenas lhe descobria os olhos. Trazíamos todos alguns rebuçados para distribuir, e achamos que ali seria uma boa oportunidade. Cumprimentámos as duas, que nos retribuíram o gesto timidamente. Depois entregámos umas mãos cheias de rebuçados à pequena que ficou efusivamente contente. Tirámos umas fotos e seguimos viagem.


A estrada adiante assumia uma paisagem e traçado ainda mais exótico. Logo adiante o Barradas pára o andamento. Tínhamos um Oued para atravessar (um riacho portanto). A corrente estava forte, mas a passagem era feita sobre cimento. Nada a temer. O Benedito como sempre, fez-se ao piso primeiro, sem medos, e queria até repetir a coisa mais vezes. Nesse momento apareceram uma série de miúdos ao nosso redor. Geralmente é isso que acontece, quando se pára na estrada, eles abeiram-se de nós na esperança de receber coisas. Todos pedem “stylos” ou dirhans. “Stylo” é caneta em francês, e foi um mau hábito introduzido pelos turistas. Parece que alguém cismou há um tempo atrás que a distribuição de canetas ajudaria na alfabetização dos miúdos, então foi-se criando o hábito de distribuir canetas. Daí aos rebuçados e dirhans foi um passo, e agora os miúdos anseiam desesperadamente por “prendas”. Ao ponto de se atravessarem na estrada ordenando-nos a parar, ou a mandar pedras, como já ouvi nalguns relatos. Eu, durante esse tempo, só vi dois ou três a ameaçarem com calhaus, mas nenhuma concretização.


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Rota Berber #2012



Depois do Barradas, passo eu o Oeud, e já estávamos cheios de criançada à nossa volta. Queriam levar o meu saco inteiro de caramelos… Levam uma mão cheia cada um e vão com sorte. E siga em diante que já se faz tarde. Continuávamos a atravessar esta espécie de vale com paisagens incríveis. Uma sensação difícil de exprimir com palavras. O percurso ia piorando em condições e traçado. Começámos a trepar a encosta por uma estrada sinuosa miseravelmente mantida. Havia troços sem um metro de alcatrão. Estava a ficar escuro e já estava mesmo de noite quando nos abeirámos do lago. Ia-mos falhando a cena! É que ali não há mesmo luz nenhuma. Não havia nada marcado ou reservado, mas tínhamos dois ou três pontos referenciados no GPS. O primeiro seria o Auberge Tislit, à beira do lago com o mesmo nome. No estudo que tinha feito a esta espécie de kashbah (construção típica marroquina com laivos de fortaleza) tinha boas referências. Casa muito modesta mantida por uma matriarca berber, conhecida por Madame Malika.


Chegámos e veio logo ter connosco um simpático e pequeno marroquino. Era o Said. Perguntei-lhe se daria para passar ali a noite, disse-me que em princípio sim, mas foi ver. Estacionámos as motos por ali, munidos de uma lanterna. Entrámos no Auberge que estava cheio de franceses. Um grupo que estava por ali a fazer um raid em moto-quatro.


Reorganizaram as coisas e um quarto ficou liberto para nós. Perfeito!... Vamos ao jantar. tagine de frango, não nos pareceu mal. Primeiro claro, um chá berber. A kashbah era composta de uma sala ampla no centro, ao seu redor estavam dispostos os quartos e ao fundo as casas de banho muito simples, de “dor nas pernas” como diz o Benedito. Na sala de convívio estavam dispostas umas mesas de plástico onde eram servidas as refeições. Apesar de muito modesto e rudimentar, sabia mesmo bem estar ali!


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Rota Berber #2012

pintura sobre a lenda dos lagos... fica a explicação na próximo episódio


Perdidos no meio do Atlas só com o essencial e aquele calor humano que os marroquinos genuínos sabem tão bem dispensar. Veio a tagine e o habitual pão marroquino feito com uma massa diferente por aqui. Comemos, bebemos e conversamos. O Said ia nos fazendo companhia, enquanto a Malika tomava conta da cozinha. Tentámos deixar umas coisas a carregar, mas o inversor só aguentava com coisas pequenas. É que ali a electricidade é a baterias, carregadas durante o dia... Posto isto, fomos à deita que amanhã há deserto para fazer.


continua...

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #27 em: Maio 26, 2012, 23:05:36 pm »

Dia 5, Imilchil-Todra-Merzouga


Novamente acordei antes da hora e apercebi-me que os franceses estavam de partida. Quando saímos das camas, os tipos estavam a arrancar de moto-quatro.


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Rota Berber #2012

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o hardware dos franceses


Fomos à vez aos banhos. Apesar de haver dois chuveiros, de Verão só corre um fio estreito de água pelo que só pode servir um de cada vez. O pequeno-almoço estava servido dentro do auberge, porque estava um calor “esquisito” para ser servido com vista para o lago. E nada ficou a dever aos outros pequenos-almoços! Pão, doce, crepes, bolos e até uns iogurtes. Enquanto comíamos a Malika e o Said fizeram-nos companhia. Uma simpatia autêntica como não estamos habituados. Aliás chega a causar estranheza, um trato genuíno de bondade a que nós europeus não estamos habituados.


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Rota Berber #2012



Falámos de uma série de coisas. Falou-se da lenda do lago retratada em dois enormes murais na sala de convívio. Eu já conhecia a história, mas confirmei-a pela boca de Malika. Em traços gerais a história atribui a origem dos dois lagos (Tislit e Islit) a um amor impossível entre um casal de jovens namorados de tribos berberes rivais (Tislit, uma belíssima rapariga de nome Tislit, e Isli, um valente e corajoso rapaz). O ódio de morte entre os dois clãs tornou a relação impraticável e os dois morreram após cada um se esgotar num lago de lágrimas. A título de curiosidades, estes lagos são muito procurados para pesca, conseguindo-se aqui apanhar um valente pescado. Segundo Malika, Tislit terá cerca de 25m de profundidade e Isli por volta de 85.


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Rota Berber #2012

o magnífico lago Tislit


Mas houve tempo para falar de tudo um pouco. Dos reis governantes de Marrocos, do que os marroquinos achavam deles, da crise na Europa, do conflito marroco-algeriano, das estradas, do desenvolvimento do país e até dos vários portugueses que por ali passaram. O auberge tem um livro de honra, e claro quisemos também deixar por lá umas palavras! Foi o Barradas que fez o obséquio e os restantes claro, assinaram de cruz. Ainda perguntámos ao Said se os nossos nomes nas t-shirts que tínhamos mandado fazer estavam bem escritos, e estavam mesmo. Nas costas é que parece que estava escrita “Pornogal”, em árabe duas ou três pintas fazem toda a diferença! Ficámos com pena de não ter trazido uns autocolantes do logo da viagem para colar na imensa porta do Auberge que serve de autêntico mural das diversas viagens do pessoal que por aqui passa.


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Rota Berber #2012



Carregámos as motos com as malas e ainda se tirou uma foto de família à porta do Auberge. Inicialmente a Malika estava reticente, mas depois lá acedeu e o Said pediu-nos para que depois lhe enviássemos a foto para a morada. A conta ficou por 300 e picos dirhans cada, sei que ficámos com vontade de entre todos lhes darmos mais 50 dirhans. Ainda antes de abalarmos o Barradas enfiou um pão marroquino e umas madalenas que a Malika gentilmente nos deu. Lá fomos. Passámos Imilchil com o seu ar típico de aldeia do Atlas e parámos mais à frente para lubrificar correntes, junto a um Oued (riacho) e longe da miudagem.


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Rota Berber #2012



Daí em diante foi um alternado de paisagens áridas de beleza fantástica e de pequenas localidades típicas com casas de barro amontoadas.


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Rota Berber #2012



Sempre que passávamos pelas aldeias os miúdos acorriam à beira da estrada acenando e estendendo os braços. Foi-se parando no caminho para tirar umas fotos. Numa dessas paragens fomos de novo assolados por um bando de miúdos pedinchões. Distribuímos algumas mãos cheias de rebuçados por eles e seguimos viagem. A estrada ia serpenteando pelo meio de montes e vales, por vezes cruzando com Oueds, alguns secos outros com fraco curso de água.


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Rota Berber #2012



Às tantas a estrada começa a perder altitude de uma forma torcida, ao nível do que há de melhor nos Alpes. Mesmo assim não nos esticámos nas curvas, aqui o piso está sempre muito sujo com terra, gravilha e outras coisas prontas a surpreender o motociclista.


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Depois deste bonito circuito, mais algumas localidades, rectas e uma Triumph Tiger a cruzar-nos em sentido contrário… Olha, olha, o que havia de andar por aqui! Uma XC laranjinha como a minha! Fizemos o cumprimento e uma festa, que curiosa coincidência. Finalmente a paisagem mudava para assumir contornos de desfiladeiro. Estávamos a entrar no Todra e nas suas “gargantas”.


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Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #28 em: Maio 26, 2012, 23:07:57 pm »

Começámos a progredir numa espécie de “canyon” de rocha alaranjada que se ia elevando ao nosso redor. A estrada variava de mais ou menos, a muito má. Ao lado desta passava um Oued por esta altura completamente seco. Deste, só se avistam os milhares de bocados de pedra que compõem o seu leito. Mais uns minutos desta paisagem exótica e num virar de “esquina” surge o centro turístico das gargantas. Começámos logo a ver as barraquinhas do lado direito, e aí parámos.


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Rota Berber #2012



Em três segundos tínhamos um marroquino ao nosso lado a perguntar-nos de onde éramos e a querer vender coisas. A sorte dele é que a sua cabeça estava ornamentada por um magnífico Shesh azulado (lenço berber). O Barradas andava há dias a falar no lenço e foi logo assuntar de preços. Conversa para aqui, conversa para lá, fazia-nos 150 dirhans por 3 lenços. Pareceu-nos razoável e o Barradas ficava contente com o seu lenço. Eu, pessoalmente fazia ideia de comprar um para dar à Maria. Não é que tivesse especial fascínio pelo lenço, mas depois de ter posto, não é nada mau, e daria um jeitão mais tarde no deserto.


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Rota Berber #2012



O berber era muito simpático e explicou-me como se punha a “farpela”, à berber disse ele… nada complicado. Tirámos logo uma foto com os turbantes postos. O tipo queria nos vender mais qualquer coisa, e até nos dar de comer, da sua tajine que estava ali a cozinha num buraco da estrada. Agradecemos e seguimos, tínhamos de estar às 16h00 no deserto.


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Rota Berber #2012



Ainda fizemos uma paragem rápida mais adiante, no centro turístico das gargantas do Todra. Muita gente, muita confusão, muitos carros, autocarros, e um calor dos diabos! Não demoramos muito por ali, ainda havia muitos quilómetros para fazer até ao deserto. Saímos daquela confusão,


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012



Atravessámos a cidade de Tinerhir logo aos pés do Todra e seguimos para Este, em direcção ao Sahara. Rectas e rectas intermináveis e calor. Tivemos de fazer uma paragem num boteco de uma estação de serviço para almoçar. Tudo ali se processava lentamente. Pedimos uma tagine, umas colas e água. Não estava nada de especial, teve de vir outra para não ficarmos com fome. Enfim, almoçou-se.


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

os tipos aqui gramam à brava as equipas espanholas


Mais uns quilómetros e vimos um primeiro pórtico que julgámos assinalar as Portas do Deserto. Atravessámos Erfoud a velocidade branda. O local estava inundado de jovens em bicicletas. Deviam estar a sair da escola, e eram às centenas, uns atrás dos outros, a pé e em duas rodas. Finalmente, ao longe já se via a duna. Já próximos de Merzouga ficámos atentos às indicações para o Auberge para onde pretendíamos ir. Sabíamos que existia indicação na estrada e que daí até lá seriam uns 6 a 7kms de pista manhosa. O Benedito ia à minha frente e de repente vejo uma máquina fotográfica a saltar da Strom. Foi ao chão e separou-se em dois bocados. Bonito. Imbuído do espírito de artista da fotografia lembrou-se de sacar umas fotos em andamento, escapou-lhe da mão e o resultado foi o que se viu! Voltou atrás para apanhar os bocados. Estava difícil encontrar, mas lá apareceram. Já eram umas 16h00 quando demos com a entrada para a pista, devidamente assinalada, como nos tinham informado. Segui à frente.


O solo era sólido, num misto de gravilha e areia. Fomos à cautela. Alguns troços eram terríveis. Um piso em rendilhado de ondas que provocavam uns solavancos valentes na moto e no esqueleto. Carregados que nem uns burros, a sensação não era nada confortável. Não é que a Tiger não se sentisse bem ali, nós é que não nos aguentávamos!


Fomos devagar, ás tantas o Barradas diz-me que talvez com velocidade se fizesse melhor o troço. Não fiquei convencido. Velocidade OK, mas cuidado também com o tralho. Uma roda mal enfiada na areia e virávamos facilmente o boneco. O regresso foi totalmente diferente, e a teoria do Barradas estava certa.


Depois de meia dúzia de quilómetros de martírio alcançámos a beira da duna e do Auberge. O local é fantástico, como nos filmes! O edifício do Auberge assemelha-se a uma enorme kashbah berber (construção típica marroquina com laivos de fortaleza) defronte a um mar de areia.


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Logo em frente avistámos os camelos, ou melhor dromedários. Alguns já estavam carregados a caminho do deserto, enquanto outros permaneciam “pousados” na areia a aguardar a sua vez.


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Assim que se deita olho às dunas apercebemo-nos da particularidade do sítio. Aqui a luz e as cores são diferentes. É difícil explicar, talvez o contraste do céu azul com o reflexo do Sol no colorido da areia. Aqui a areia é ocre, e vê-la assim espalhada em montes por quilómetros confunde a nossa noção de espaço. A combinação do azul e laranja nestas quantidades é algo exótico e fascinante para os nossos olhos europeus. Este bocado do deserto onde nos encontrávamos é conhecido por Erg Chebbi (ou dunas de Merzouga) sendo um dos dois maiores conjuntos de dunas do Sahara marroquino.


Depois da primeira impressão, estacionámos as motas no parque e seguimos directos para o Auberge, estava mesmo na hora de embarcar para o deserto. A sala de recepção do Auberge é qualquer coisa de fenomenal. Tipicamente decorada e repleta de símbolos berberes. Na recepção estava o sempre bem disposto Hamid, numa azáfama que só visto! Mais tarde percebemos porquê. As caravanas da véspera ficaram retidas no Auberge por imposição de uma tempestade de areia. Tivemos sorte, um dia antes e teríamos visto o deserto por um canudo. Confirmámos a reserva e esperámos pela nossa vez enquanto bebíamos um “whisky” berbere acompanhado de uns “cacahuetes”.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #29 em: Maio 26, 2012, 23:11:34 pm »

Cerca de meia-hora depois estávamos a subir ao dorso dos dromedários, numa caravana de sete ou oito pessoas.


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tudo bem aí?


Os bichos têm um ar castiço, mas são de feitios. Gostam de estar arreados e alguns protestam quando são incomodados. Depois, alguns gostam de atenção e outros nem por isso. Ficámos distribuídos na dianteira da caravana. Eu fiquei à frente, o Benedito atrás de mim e o Barradas atrás dele. Connosco iam também um casal marroquino muito simpático com as suas duas crianças, e outro casal jovem francês, mais enjoados. E como os bichos não sabem o caminho, há sempre um guia que segue a pé à frente dos dromedários. O nosso era um jovem berbere, trajado a rigor com uma belíssima indumentária num azul carregado.


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não tem que saber é só seguir pela “estrada”





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olha, compatriotas!


O tipo era simpático e quando o Sol estava a pôr-se parou a caravana e deixou-nos subir à duna para fotografar o momento.


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o nosso tuareg


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inesquecível



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olhem-me estes armados em modelos...


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Benedito, calça-lá a croc e vamos embora...


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