Autor Tópico: Rota Berber #2012  (Lida 10787 vezes)

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #30 em: Maio 26, 2012, 23:13:39 pm »

De regresso às montadas, uma quebra de “protocolo”. O Barradas já lhe tinha tomado o jeito, montou-se no animal e allé hop!... Em menos de um minuto o dromedário estava de pé pronto para as curvas do deserto. Ora o problema é que aquilo tem um procedimento. Assim que um levanta, o que está atrás faz o mesmo automaticamente em efeito dominó (os bichos estão presos uns aos outros por cordas). Assim e por causa disto, a caravana apronta-se sempre do fim para o inicio. Sendo o dromedário do Barradas o terceiro de uns sete, havia pessoal que tinha ficado em terra! Nada de grave. Arreia-se o dromedário do Barradas e retoma-se a rotina. Daqui a pouco já seguíamos o caminho a passo de camelo (ou dromedário) duna acima, duna abaixo.


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012



 É impressionante como uns bichos daquela envergadura se conseguem mover naquele mar de areia. Estive a reparar e os tipos estão naturalmente preparados para a cena. Umas patas fortes com um pés largos, circulares e espalmados que não se enterram muito na areia, em especial as patas dianteiras que parecem ser maiores para vencer as subidas e travar nas descidas… Um belo trabalho da mãe natureza. Volta não volta, o dromedário do Benedito chegava-se à frente e nas “curvas” ficava ao meu alcance. Nesse momento fazia-lhe umas festas e o gajo gostava, chegava mesmo a ajeitar a cabeça para facilitar.


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O meu e o do Barradas eram uns verdadeiros reguilas anti-sociais! O guia demonstrou-me isso ao tentar chegar à cabeça do “meu” dromedário. Levou logo um ameaço de dentada. As tentativas de “confraternização” do Benedito com o dromedário do Barradas (que seguia atrás) também eram escusadas. O fulaninho desviava a cabeça para o outro lado, claramente não apreciava o gesto.



o Barradas e o anti-social


Cerca de hora e meia depois, a navegar pelas areias, e já completamente embrenhados no deserto sem que à nossa volta se avistasse outra coisa senão dunas, chegámos ao acampamento. Antes do “curvar” da duna já se ouvia a música.


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O acampamento situa-se num local abrigado por uma imensa duna a Oeste, e é composto por umas dezena de tendas agrupadas. Saímos dos dromedários e fomos conduzidos para um desses grupos de tendas. Sentaram-no num tapete em círculo e serviram-nos um chá. Instantes depois estava a noite posta, e olhando para o céu, tínhamos umas destas fabulosas vistas que só é possível ter num local destes, deserto e com total ausência de luz. Um céu estrelado como em pouco lado se vê, que parece ter sido polvilhado de estrelas. Algo verdadeiramente único!


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Rota Berber #2012

um céu estrelado incrível


Daí a um pouco vieram-nos chamar para o jantar, servido numa tenda comum. Sentados no chão como manda a tradição, estavam connosco os nossos companheiros de viagem (excepto os dromedários, claro) mais um grupo de japoneses que teriam vindo noutra caravana. Vieram umas tagines acompanhadas do habitual pãozinho típico. Começámos a falar com o casal marroquino que era uma simpatia. A senhora falava fluentemente francês, espanhol e inglês. Eu falava com ela francês, o Barradas espanhol e o Benedito inglês. Ficámos a saber que eram de Marraquexe e que era a primeira vez deles no deserto. Via-se que era pessoal bem informado e com uma posição confortável na vida. Ficámos ali à conversa uns com os outros, às tantas até um casal dos japoneses entrou na conversa. Pelo rapaz, um tipo muito eléctrico ficámos a saber que eram de Tóquio e que estavam ali apenas três ou quatros dias. Disse-nos ele que foi desejo da namorada, queria ver o deserto. Muito engraçado este encontro de culturas e histórias. Não se pode dizer que os berberes se esticaram no jantar, estavam bom mas curto. Saímos da tenda e fomos nos sentar de novo no tapete cá fora. Estava-se a preparar a festa. O Benedito não se sentia grande coisa, andava a chocar uma gripe. Foi directo para a tenda para dormir que nos tinham indicado, uma tenda só para nós três. Eu e o Barradas ficámos á espera que o espectáculo começasse. E iniciou algo tímido.


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Rota Berber #2012



A fogueira não queria pegar e o batuque não estava muito ritmado. O pessoal foi desmobilizando e eu e o Barradas fizemos o mesmo após algumas tentativas de capturar seja o que for no escuro completo da noite.


Fomos à tenda fazer companhia ao Benedito, que já estava embrulhado nos lençóis.


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Rota Berber #2012

wtf?!


A tenda era toda forrada a tecido e no chão estavam estendidos três colchões sobre os quais estavam feitas as camas. Ainda me lembrei da bicharada que poderá haver por aqui, mas depressa deixei-me de preocupações e confiei no know-how berbere. Toca a dormir que amanhã há nascer do Sol para ver às 5h00!


continua...
« Última modificação: Maio 26, 2012, 23:15:23 pm por Cobra »

Giovanni

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #31 em: Maio 31, 2012, 00:10:36 am »
Outro mundo  :)
Que grandes fotos. Andavam sempre com a máquina a disparar  ;D
Muito bom o trabalho de imagens sempre alusivas aos relatos  ;)
 
BRITISH STEEL

Alexandre Vicente

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #32 em: Maio 31, 2012, 00:28:45 am »
Tenho lido a vossa "pequena" aventura com bastante interesse.
Vos digo, que serve de inspiração para futuras viagens.
Muito bem. Boas fotos, descrições ao detalhe. Estão de parabéns por esta aventura.
Um muito obrigado por partilharem a mesma connosco.
 

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #33 em: Junho 06, 2012, 21:16:35 pm »

Dia 6, Merzouga-Tinerhir-Ouarzazate


Perto das 5h00, toca a vestir e sair da tenda para ver o nascer do Sol.


A noite não foi grande coisa. Não porque não estivesse confortável, antes pelo contrário, até temia que fosse pior. Frio não tive e apesar do colchanito não ser grande coisa, deu para o gasto. O problema foi mesmo o barulho lá fora, dei por mim a acordar várias vezes com o pessoal que julgo terá optado por passar a noite ao relento.
Toca a subir a imensa duna para espreitar o nascer do Sol… E não estava propriamente agradável. Estava bem fresco, e fazer um esforço destes sem forrar o estômago não é fácil. Para piorar a cena, estava vento. De modo que era cada vez mais notória a areia nas “ventas”, à medida que íamos subindo o imenso monte areia. As minhas pernas deixaram-me estar a meio da duna. A altura era a que baste, e lá em cima devia-se estar pior. O Barradas subiu mais um pouco e o Benedito foi mesmo até lá acima. Os restantes turistas distribuíram-se pela encosta, uns acima, outros abaixo.


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Rota Berber #2012

tudo a postos


Sentado na areia, percebi o verdadeiro uso do lenço berbere. Fiquei todo tapado só com os olhinhos à espreita. Com aquela areia no ar, desisti logo de tirar fotos e enfiei a máquina por dentro do casaco. Mais tarde percebi que era igual ao litro, ali até os bolsos ficam cheios de areia, mete-se por todo o lado… E esperámos que Sol se levantasse atrás do horizonte.


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Rota Berber #2012



Um momento bonito sem dúvida, mas muito desconfortável nestas condições. Um vento gelado que o polar que tinha vestido não travava, carregado de milhares de grãos de areia. Ao fim de dez minutos, um verdadeiro martírio. Assim que vi o Sol no ar, despachei-me a descer dali a passos largos… Bem melhor o por de Sol de véspera.


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Rota Berber #2012

acampamento visto da duna
Depois desta experiência nada melhor que encher o estômago. Regressámos à tenda das refeições para tomar o pequeno-almoço. Ementa típica, café, sumo de laranja, pão e doces. À saída estavam um miúdo com uma modesta banca montada na areia. Em exposição estavam umas jóias e uns camelos de couro. O miúdo não falava grande coisa, mas lá se conseguiu perceber quanto queria pelos artefactos. Cada um trouxe um “camelo” de recordação. A ver vamos em que condições chega a casa, que isto de viajar com bagagem de mota não é fácil. Já estávamos com vontade de sair dali, pelo que nos aproximámos dos “veículos”. Por lá já estava o nosso guia a aquecer os “motores”. No caminho de regresso trocámos as posições. Quer dizer, continuámos na dianteira da caravana, mas desta vez o Barradas seguiria à frente e eu no terceiro lugar…


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Rota Berber #2012

os nossos táxis


E pronto, a próxima hora e meia seria de duna acima, duna abaixo até às imediações do Auberge onde se encontravam as motas.


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já se vê o auberge lá ao fundo


Finalmente avistávamos a “civilização”, e alguns minutos depois o nosso guia estava a arrear os camelos, ou melhor dromedários. Depois o tipo montou ali uma banca com umas peças trabalhadas de minério fossilizado. Eram lindíssimas e pareceu-me que seriam em ónix negro (uma variedade de quartzo abundante em África). O tipo fazia-nos um bom preço por três peças. O Benedito só estava interessado na mini-tajine que era modelo único, de modo que ele ficou com ela e eu e o Barradas trouxemos cada um, um cinzeiro.
Antes ainda fomos pagar o que devíamos ao Hamid, e só depois regressámos para comprar os artefactos (não fosse faltar o dinheiro para o Auberge) e tirar umas memoráveis fotos em cima dos dromedários de capacete enfiado na cabeça (na nossa claro, não nas dos simpáticos animais)…


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Ficaram uns retratos bens fixes para mais tarde recordar.
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Por esta altura estávamos desertos (calha bem) de tomar um bom banho. O Hamid já nos tinha disponibilizado um quarto do Auberge para isso. Fomos buscar a tralha necessária às motas, que é o mesmo que dizer, 41 litros de mala. Viajar de mota não é simples, o “carrossel” do descarrega e carrega malas é diário, mas rapidamente nos acostumamos, o pior é mesmo é o conseguir fechá-las todos os dias de manhã.


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passaram ali a noite as meninas


Seguimos então pelo Auberge dentro à procura do nosso duche. Enquanto dois sacudiam a areia o outro tomava banho. Fui primeiro e tudo começou bem, até estar ensaboado e não sair mais uma pinga do chuveiro… “Bom, quem é que lá vai dizer ao Manel que se acabou a água?!?”…
Daí a pouco já pingava… Mas uma água fria que nem gelo… Que se lixe!... Olha, mal não fará com certeza. Tomei a banhóca, seguiu-se o Benedito e quando foi a vez do Barradas, parece que a água já chegava quente. É impressionante como esta areia se mete por todo o lado. Tinha os fundos de todos os bolsos das calças cheios de areia.
Tive de bater bem a roupa e os sapatos na varanda do quarto onde estávamos para tirar o grosso da areia que tínhamos levado do deserto.
Recompostos voltámos ao hall do Auberge para beber um café que o Hamid insistiu que tomássemos. Cinco estrelas este tipo.


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Rota Berber #2012



E pusemo-nos a caminho de Ouarzazate.
Metade do caminho já o conhecíamos, seria feito de volta até Tinerhir. A outra metade seria daí em diante para Oeste em direcção ao mar. Mas para já, tínhamos de fazer estes 8kms de pista até ao alcatrão. O Benedito seguiu à frente, com vontade. Eu logo atrás e o Barradas a fechar a caravana. Começou os saltitar da suspensão naquele piso às ondinhas… O Benedito deu-lhe gás e eu segui-o… Em pé em cima das motas, subimos a velocidade até aos 70km/h onde começa a dar-se aquele fenómeno fantástico da mota começar a “pairar”… O Barradas tinha razão quando na ida Deixamos de sentir o saltitar e vamos confortáveis. O perigo é mesmo apanhar um troço de areia e perder a direcção, mas a Tiger ia completamente firme com o belíssimo conjunto de suspensão a cumprir o seu trabalho. Frente estável e traseira presa, fantástico. Eu e o Benedito já devíamos ir para cima de uns 80km/h quando a direcção da Strom dele começa a fraquejar. A japonesa estava a chegar ao limite, a frente começava a ficar incontrolável, mesmo o Benedito bem munido de braços estava com dificuldades em segurá-la, teve de afrouxar. Eu seguia atrás dele desfasado, o que me permitiu dar gás e passar pela esquerda… Mas que qualidades fantástica tem esta britânica. O Benedito segurou a mota e estava bem, e eu segui até perto do final da pista, onde se encontra um amontoado de sinalização dos diversos auberges da zona. Esperei pelo Benedito e pelo Barradas e seguimos todos até à estrada.


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olha que duas


Logo que pudemos parámos numa aldeola para levantar dinheiro. Estávamos a ficar baixos de finanças e cada um levantou mais 2000 dirhams (cerca de 200€ portanto).


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A saída da região do deserto é perceptível, a paisagem muda, as pessoas também. Quando avistámos aqueles que achámos seriam os últimos camelos, perdão dromedários, parámos à beira da estrada para umas fotos.


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Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #34 em: Junho 06, 2012, 21:32:10 pm »

Não estávamos parados há muito quando estaciona um Dácia marroquino à nossa frente. De lá sai um casal jovem na nossa direcção com um ar claramente ocidental. Ele de calções e t-shirt, ela de jeans, blusa, óculos escuros e um lenço na cabeça. O tipo aborda-nos num francês perfeito dizendo que a jovem queria dar uma volta nas nossas motas. Inicialmente não percebi, mas o tipo desenvolveu dizendo que ela só queria fazer um ou dois quilómetros numa das motas à pendura… Achei aquilo estranho, mas é verdade que os únicos veículos de duas rodas a motor por aqui são as terríveis mobylettes que circulam por todo o lado nas cidades. Bem, ainda lhe perguntei se por aqui fazer isso sem que ela leve capacete não nos traria problemas, o marroquino respondeu-nos que não. Confiamos, pois efectivamente raros foram os tipos que aqui vimos circular de capacete. De novo optou-se pelo Benedito para dar a boleia. Comecei por dizer à moça como se subia para a mota, mas ela respondeu que já sabia e que já tinha andado… Óptimo.
O Dácia arrancou logo, o Bene segui-se e eu atrás dele com a câmara ligada. Às tantas vejo a Strom a arrancar à minha frente de goela aberta… Fizemos apenas alguns quilómetros e estacionámos de novo à beira da estrada. Tirou-se uma foto, o casal marroquino agradeceu o gesto, despediram-se e seguiram viagem. E nós ficámos ali alguns minutos a pensar na história… São loucos estes marroquinos…


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Bem, continuámos o caminho. Já passava largamente do meio-dia quando passámos Tinerhir e por aí começámos a pensar no almoço. Estávamos à procura de grelhados, e no centro de uma localidade encostámos à sombra para ver o que havia. O Barradas foi ver mais à frente o que havia. Enquanto isso, um fulano marroquino na esplanada contígua começa a fazer-nos perguntas. De onde éramos? De onde tínhamos vindo? Se estávamos a gostar?... OK, perguntei-lhe se era possível comer alguma coisa de grelhados por ali. O tipo foi ver dentro do boteco da esplanada e voltou acenando com a cabeça que sim. Perfeito. Assentámos arraias na esplanada com as cabeças ao Sol e pedimos carne grelhada… Daí a pouco vimos o dono do estabelecimento sair, e passado instantes regressar com um saco de carne. Isto é muito comum. O marroquino diz sempre que sim, e se não tiver, vai comprar ao marroquino do lado. E assim ficam dois marroquinos contentes. Ainda esperámos um bocado, mas sem stress, tínhamos tempo para cumprir horário. Lá veio a carne grelhada, que não estava nem boa, nem má, antes pelo contrário. Veio acompanhada de salada marroquina (uma mistura de tomate, pimento verde, cebola e especiarias) e do habitual pão, claro, que também já não dispensávamos à refeição.


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Rota Berber #2012

dispensador de papel em carbono


Comemos e pagámos. Já não me lembro do valor, mas estava balizado dentro dos níveis habituais. E estrada com elas (as motas) até Ouarzazate. Ali em redor de Tinehir reavistámos o magnífico vale do Draa, espectáculo que já tínhamos assistido no dia anterior quando descemos as gargantas. O Draa é o nome dado ao rio mais longo da Algéria e Marrocos cujo comprimento é estimado em cerca de 1100kms. Existe uma extensão desse rio com cerca de 100kms onde se forma um vale, que assume o nome do rio que o atravessa. Hoje em dia, apenas se avista o rio em toda a sua plenitude neste vale em anos de muita pluviosidade. Ainda assim este vale é maravilhoso pelo que aí se encontra um fabuloso palmeiral com uma extensão de vários quilómetros. Foi este fantástico espectáculo que avistámos da estrada durante algum tempo, um enorme palmeiral verde e viçoso, que constitui a maior fonte de tâmaras produzidas pelo país.


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Rota Berber #2012



Este troço de estrada entre o deserto e aquilo que são consideras as suas portas (Ouarzazate) é de facto muito interessante de fazer. Depois do vale do Draa e das suas palmeiras, o vale das rosas. Local onde o cultivo de rosas é proeminente, o que se nota facilmente com a grande oferta à beira da estrada de perfumes e enfeites de rosas. Durante alguns quilómetros fomos assediados por miúdos e graúdos com a venda de colares e corações floridos. Este caminho também é conhecido pela abundância de kashbahs* tradicionais, edificadas com uma argamassa à base de argila e excrementos de vaca. Impressiona quando passamos por elas na estrada, como aquelas edificações seculares de geometria por vezes duvidosa (feitas a olho) resistem às intempéries do ano.


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Rota Berber #2012



A dada altura, quando atravessávamos mais um lugarejo e seguíamos atrás uns dos outros desencontrados na estrada, o Benedito começa a alargar a trajectória. Pois foi nesse preciso momento que um jipe  turístico resolve nos fazer uma ultrapassagem. Foi por um triz que o Benedito não encostou a mala ao carro. Felizmente os tipos por cá têm o hábito de dar um toque de buzina quando passam, foi o necessário para o Benedito perceber o descuido e corrigir a direcção… Ia sendo.
Mais localidades, mais kashbahs e finalmente começámos a avistar o lago que limita Ouarzazate a Este.


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o que se passa aí?


Ouarzazate é uma cidade nova e moderna. Não tem Medina (centro histórico e religioso árabe de uma cidade) e deve o seu desenvolvimento sobretudo ao seu lado funcional de “porta de entrada” para o deserto. Também se popularizou pelas suas valências cinematográficas, com uma série de grandes produções a utilizarem os arredores como locais de filmagem. Mais um pouco e entrávamos em Ouarzazate pela sua enorme alameda. Uma avenida nova, ampla, organizada, repleta de candeeiros públicos estilizados e de sinalização luminosa, coisa que já não víamos há uns dias. Desta vez e ao contrário de Fés, tínhamos o ponto certo no GPS do local onde iríamos ficar. Tínhamos reservado um quarto no Dar Rita de Ouarzazate… E Rita não é árabe, é mesmo português. Sim, outro tuga estabelecido em África. Ficaríamos no Dar (cujo significado é casa em árabe) de Rita Leitão, uma portuguesa radicada em Marrocos. Saberia bem depois de alguns dias no meio dos dromedários a falar espanhol, inglês e francês conversar com alguém daqui em português. Atravessámos Ouarzazate de uma ponta à outra para chegar ao bairro onde se encontrava o Dar. Chegar lá não é a coisa mais simples, temos de nos enfiar por umas ruas pequenas. Demos com o local facilmente e distribuímos as motas pela rua. Teve de ser o vizinho do Dar a dar as indicações de como arrumar as motas, seria também ele que ficaria de olho nelas durante a noite. Descarregámos as malas como habitualmente e subimos para o nosso quarto. Na verdade e dado que a ocupação não estava esgotada, tivemos direito a dois quartos, que decidimos distribuir na forma habitual. Roncadores para um lado e o Barradas para o outro.
O Dar Rita segue a construção habitual dos Dars e Riads marroquinos. Habitações distribuídas em redor de um pátio central. E que boa pinta tinha este Dar. Tudo perfeitamente decorado e distribuído pela mão de uma mulher europeia, nota-se bem. Soube bem voltar a ter um cheirinho ocidental depois de uns quantos dias embrenhados no Marrocos profundo. O meu sistema digestivo estava a fazer uma reinicialização depois de umas quantas refeições marroquinas. Nada de grave, apenas uma purga necessária… Creio que seriam aquelas saladas marroquinas, uma presença sempre constante à mesa. Daqui em diante fiz questão em deixá-las sempre de lado. Tralha desembalada, aparelhos a carregar e descemos ao pátio do Dar para sair por Ouarzazate e procurar jantar. Perguntámos à Rita onde se comia bem, que nos passou a dica do La Halte junto a uma praça do centro de Ouarzazate. Cerca de dez minutos a pé. Perfeito, daria para relaxar e exercitar um pouco as pernas… Seguimos pela Avenida até à praça, onde estava uma animação dos diabos.


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Muita gente para cá e para lá, e um bando de miúdos a jogar à bola.





Demos facilmente com o dito restaurante, diga-se com muito bom aspecto. Na ementa estavam as habituais tajines.


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Pedimos cada um a sua e para acompanhar uns sumos de amêndoa. Os sumos de amêndoa eram na verdade batidos. Aliás, todos os sumos disponíveis eram de facto batidos.


Mas estava bem bom, a amêndoa combina de facto maravilhosamente com o leite. Serviram-se as tajines e cada um atacou a sua com categoria. Que pratos deliciosos, rematados no final com um crepe ao mesmo nível.


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No final estávamos bastantes satisfeitos, até com o preço que se manteve na média. Regresso ao Dar pelo mesmo caminho, desta vez com as ruas praticamente desertas.


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hoje as motas ficam cada uma em seu canto, com guarda claro


Ainda antes de dormir duas ou três tecladas nos portáteis para falar com as respectivas e carregar umas fotos… Finalmente desliga-se a luz para o descanso merecido.


continua...

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #35 em: Junho 23, 2012, 22:55:14 pm »

Dia 7, Ouarzazate-Ait Benhaddou-Tichka-Marraquexe

Mais uma manhã soalheira e, para não variar, acordei uma hora antes da hora marcada.

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Despachámos a rotina da manhã, descemos para o pequeno-almoço, e que bom que era! Um dos mais bem servidos: pão, manteiga, mel, doces, crepes, bolos, cereais, iogurte, queijo… Ena!... Tivemos a companhia da Rita, o que nos permitiu ter uma agradável conversa com ela e perceber um pouco melhor como é viver nesta terra.

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Ficámos a perceber que a recepção não é pacífica, mas que depois da aceitação a convivência é sã, tendo direito até a cuidados especiais. Não foi difícil perceber-mos que aqui os homens e mulheres têm um papel específico e distinto. Sistematicamente vimos á beira da estrada marroquinos sentados à sombra. Nunca vimos mulheres. As que vimos estavam dedicadas aos “seus” afazeres, trabalhando nos campos. A mesma coisa nos cafés: não são para as marroquinas. Não será assim em todo o lado, mas no geral aqui, claramente o homem é rei, por tradição e religião…

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Outro aspecto para nós estranho é o desprezo que todos parecem ter por animais. O homem reina a escala e abaixo dele estão os animais impuros e sujos, como o gato, cão e no extremo o burro… E esta do burro é curioso dado que dependem tanto dele. Mas para nosso espanto ficámos a saber que uma das piores ofensas por ali é chamar alguém de burro!… Isto para dizer que apesar disso, a Rita sendo uma ocidental está totalmente inserida e aceite na comunidade onde se localiza o Dar, tendo mesmo direito a uma atenção especial da comunidade. Ela e a sua lindíssima cadela Jana, uma labrador cruzada de Husky com uns gloriosos doze anos. Assim as duas gozam de alguns “privilégios”, provavelmente pelo seu estatuto não muçulmano e europeu, e esse é um traço que caracteriza bem o povo marroquino, que é acolhedor como poucos.

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Enquanto falávamos disto e doutras coisas, fomos dando conta da fantástica mesa de pequeno-almoço. No final estávamos satisfeitos e prontos para seguir viagem. Esta não seria das mais meigas pois tínhamos entre nós e Marraqueche a passagem pelo Alto Atlas, nomeadamente pelo Pico do Tichka a 2260m de altitude.

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Ainda antes de abalar, umas festas à amorosa Jana e agradecimentos à Rita.

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À saída de Ouarzazate uma paragem na farmácia para comprar qualquer coisa para a constipação do Benedito que estava a piorar. Na farmácia fomos atendidos por uma jovem farmacêutica em traje ocidental que gentilmente nos aconselhou e vendeu a medicação necessária para o Benedito.

O dia estava fantástico com um solzinho agradável e uma temperatura confortável. À saída de Ouarzazate parámos nos estúdios ECLA, famosos por aí terem sido rodados umas quantas películas comerciais (“The Mummy”, “Gladiator”, “Alexander”, “Babel”, “Prince of Persia”, entre muitos outros). Virámos as motos com os “focinhos” para a estrada ajeitando-as para a fotografia… À entrada estava um marroquino com uma máquina fotográfica de boa gama a tirar umas fotos. Esta estranha figura de cabelos emaranhados pela nuca veio ter connosco dizendo que estava ali a tirar umas fotos e que as motas estavam a estorvar… Prontifiquei-me para retirarmos as motos, afinal o tipo já ali se encontrava. O gajo não quis, disse que voltava noutro dia e seguiu para o seu Clio que estava ali estacionado. OK, tudo bem, deve ter acordado com os pés de fora… Quando nos estávamos a preparar para puxar das máquinas, aparece o fulano outra vez, com um monte de fotografias panorâmicas impressas… Queria-nos mostrar o trabalho. “Tânger!” dizia ele, “Isto foi tirado em Tânger!”… E tivemos de gramar com o “álbum fotográfico” todo!

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Sinceramente as impressões não estavam grande coisa. A resolução da imagem parecia não ser suficiente para o tamanho de impressão, mas ainda me mostrei interessado e fiz umas perguntas. Depois de ver o “rolo” todo, voltei-lhe a dizer que desviaríamos as motas para ele continuar o seu trabalho. O tipo voltou a negar, e foi-se embora. Grande maluco!… Bom, finalmente batemos umas chapas descansados e continuámos o caminho.
Cerca de uma hora depois estávamos a sair da Nacional em direcção a Ait Benhaddou, e quase que falhávamos o sítio. O ponto do local estava mais ou menos tirado, e dado que não se vê o local da estrada, não é óbvio onde se deve parar. Existe apenas uma modesta placa a indicar o local de estacionamento. À primeira não vimos e seguimos em diante. Ao chegar a uma ponte de madeira sobre um rio, já estávamos certos que não era por ali. Tirou-se uma foto e voltámos atrás.

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Deixámos as motas no parque à sombra e descemos até ao rio à procura de Benhaddou. No caminho de descida há logo do lado esquerdo uma série de lojas de produtos artesanais.

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À porta de uma destas estava um marroquino tradicionalmente trajado que meteu logo conversa… Quando percebeu que éramos portugueses virou-se dizendo “Batatas Fritas com Sardinhas!!!”… E eu a pensar que o Cristiano Ronaldo é que era popular!… Mandou-nos entrar, dizia ele que precisava da nossa ajuda… Queres ver que está aqui outro maluco?!... Bem, lá entramos na loja, que parecia uma autêntica gruta do Alibabá.
Sentámo-nos, e deu-me para a mão um bloco de folhas e uma caneta. Queria que lhe escrevesse uma carta em português para um amigo que tinha. Pelo que percebi, tinha estabelecido uma amizade com um português de Lisboa durante uma incursão no deserto. E lá fiz o ditado, que dizia mais ou menos: “Olha pá, já mandei os tapetes e já tenho aqui o dinheiro, avisa lá quando chegarem… E quando quiseres aparece aí”.
Ficou-nos agradecido e serviu-nos um belo de um chá! Falámos de uma série de coisas, nomeadamente do chá. O que estávamos a beber, era a versão whisky berbere, que é portanto feito em exclusivo da planta do chá. Era assim que se bebia no deserto, porque a menta dava gazes, dizia ele… Certo, agradecemos a informação.

Antes de irmos embora, claro, tivemos direito à demonstração de artigos… O Benedito ainda se interessou por um puff, mas não o chegou a comprar. Eu acabei por trazer uma lindíssima Cruz do Sul (ou cruz berber) em colar, cuja função original era a de auxiliar à navegação por estrelas (o seu formato permite encontrar no céu a constelação do mesmo nome, servindo a mesma de orientação). Tirou-se uma foto de “família” para a posteridade e seguimos caminho.

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Para alcançar Ait Benhaddou é preciso atravessar um pequeno rio, o Oued Ounila. O curso nesta altura do ano não é grande, mesmo assim estão colocadas umas fileiras de sacos de areia que permitem atravessar o rio sem molhar o pé.

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Do outro lado fomos logo abordados por uns tipos que queriam oferecer os seus préstimos de guias a troco de alguma “propina” (Marrocos será sem dúvida o país com mais guias e guardas de parques que alguma vez vi!). Claro está que apesar da insistência dispensámo-los e seguimos.

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A vista exterior da pequena vila de argila é magnífica e incrivelmente fotogénica.

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Facilmente se percebe o porquê deste lugar ser tão popular nas produções cinematográficas. Fizemos a entrada pela porta principal, tendo sidos interceptados por um velhote marroquino que nos cobrou 10 Dirhams cada pela entrada no museu com oferta de chá. Quando por nós passou um grupo de jovens marroquinos que efectuou o pagamento da entrada ao velhote em palmadas nas costas, percebemos que o nosso bilhete incluía afinal também um excelente “barrete” marroquino! Não fizemos alarido e seguimos o caminho. Avançámos e entrámos nalguns edifícios que se encontravam abertos e desabitados. Benhaddou não é uma vila “fantasma”, há pessoas que aqui moram e comércio de portas abertas. Existem no entanto uma série de edifícios típicos e históricos abertos ao público que vão sendo mantidos pela comunidade para fins turísticos. Esperemos que o que nos foi cobrado à entrada seja em prol destas benfeitorias!

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Avançámos pelas ruas labirínticas de paredes de barro e rapidamente encontrámos a rua principal onde se localizam as habituais lojas de artesanato e afins. Uma delas assemelhava-se a uma pequena galeria de pinturas. Quando espreitámos lá para dentro, o proprietário e artista que se encontrava cá fora fez questão de nos fazer uma demonstração de pintura com chá. Segundo ele esta técnica seria antiga e utilizada por ali entre tribos para passar mensagens secretas. O tipo pegou numa folha e com o pincel embebido naquilo que parecia chá começou a pincelar o papel. Ficámos surpresos porque não se via nada. Ou ele via muito bem ou estava a pintar de cor. Finalmente munido de uma chama deu um calor à folha queimando-a por debaixo. Foi aí que se fez magia e começou a aparecer um desenho de uma paisagem, muito bem pintada, diga-se de passagem. Fantástico!… É claro que depois queria que levássemos alguma pintura destas, mas tivemos de lhe explicar que “quadros” em bagagem de mota, não são compatíveis…

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« Última modificação: Junho 24, 2012, 00:02:36 am por Cobra »

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #36 em: Junho 23, 2012, 23:41:44 pm »

Continuámos pela rua até esta nos levar a outra saída/entrada da vila. Aí reencontrámos o simpático casal marroquino do deserto. Aí também percebemos que por este lado não são cobrados bilhetes. Estes simpáticos senhores fizeram questão de nos levar a visitar a kasbah da vila, um verdadeiro monumento que ainda não tínhamos visitado. Tivemos assim uns excelentes guias sem custo algum. Passámos pela várias divisões (sala, recepção, cozinha) com os vários utensílios e com uma amabilidade que é bem marroquina, foram-nos explicando o que era isto e aquilo e para que servia. No final percebemos que também tinham levado com o barrete de 10 Dirhams para entrar… Enganam-se uns aos outros! Fez-nos sentir menos ingénuos… Despedimos-nos desta simpática família e seguimos o caminho de regresso.

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Quando chegámos ao estacionamento estava um grupo a apreciar as motas. Eram compatriotas também amantes de motas, mas desta vez estavam por cá num passeio de carro. Estivemos uns minutos à conversa, disto e daquilo. Despedidas e seguimos o nosso caminho que ainda havia um bom troço de estrada a fazer. À nossa frente tínhamos o Alto Atlas, com a inevitável passagem pelo Tizni n’Tichka a 2260m de altitude. Para quem vem de Ouarzazate e pretende alcançar Marraquexe, este é o único caminho possível, um sucedâneo de curvas e contra-curvas montanha acima e abaixo… Olha que chatice!

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Atestámos ainda cá em baixo e começámos a subir. Já seria perto da uma e ainda não tínhamos feitos muitos quilómetros quando passámos por um “estaminé “ com ares de restaurante… Achámos melhor dar meia volta e parar neste sítio onde as fumarolas indiciavam que ali se faziam grelhados. Assim que viram as motos chegar o pessoal do restaurante ficou logo animado. Um deles arranjou logo ali uma mesa e umas cadeiras para pousar os capacetes. O fulano estava tão acelerado que ia mandando tudo ao chão! O restaurante, de dimensões amplas, tinha um talho ao ar livre onde se escolhia a carne que logo ali ao lado era passada num enorme grelhador exterior. Lá dentro na grande sala anterior faziam-se as tajines.

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Rota Berber #2012


Tivemos ali a assistência de um marroquino que parecia ser o encarregado do negócio. Depois de escolhermos umas costeletas de vaca para grelhar, o simpático homem levou-nos a ver a panorâmica do vale logo por cima do restaurante. Quando nos aprontávamos a subir a escada que leva ao telhado, fez-nos sinal para um marroquino mais idoso que cumprimentámos. Era o pai dele e proprietário deste “complexo” de comes e bebes... Lá em cima a vista era excelente, com uma bonita panorâmica sobre o vale. Perguntei ao fulano onde fica o Tichka, e ele apontou-nos no sentido da estrada que se enfiava pela montanha. “Mais uns quilómetros por ali”, disse-nos ele. Parece que há neve na passagem do Tizni n’Tichka, mas felizmente não nesta altura do ano. Regressámos cá abaixo para tratar da fome.

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Rota Berber #2012


Não se esperou muito até começar a aparecer na mesa o pão, azeitonas e habituais saladas marroquinas. Pouco depois chegou também a carne bem grelhada. Um almoço simpático e agradável. No final a conta rondou os 70 Dirhams por pessoa, o que foi bastante agradável. Ainda antes de partir deixámos um dos marroquinos que por ali trabalhava tirar uma foto em cima de uma Tiger. Ia para lhe dizer que subir para cima do banco era mais fácil do lado direito, mas já não tive tempo. O tipo montou-se na mota pelo outro lado alçando a sua comprida perna, e não teve dificuldade nenhuma!… Foto, cumprimentos e adeus, vamos para o Tichka!

Fizemos a estrada que tínhamos visto a partir do telhado do restaurante e a partir daí foi só diversão até lá acima!... Diversão sim, mas comedida. É que a estrada aqui não é diferente das outras: lixo, terra, gravilha com fartura nos beirados da estrada. Não dá para facilitar… Isto somado aos vários camiões que vamos apanhando, e estamos limitados. Não parava de pensar que se deveria atingir facilmente o Nirvana neste troço se o mesmo estivesse em boas condições. Esta foi sem dúvida a estrada mais torcida que fizemos em Marrocos. Paisagem a condizer, numa mistura de rocha e vegetação a lembrar um pouco os Alpes. Mesmo assim, menos a meu gosto quando comparado com o locais por onde passámos na travessia do Médio Atlas, esse sim para mim o top em paisagem mototurística!

Eu seguia atrás e o Barradas à frente. Íamos tão entusiasmados e a desfrutar da cena que até passámos o ponto de 2260m de altitude onde se encontra o marco de passagem do Tichka! Emendámos o lapso e quando chegámos à placa que assinala o sítio encontrámos uma inglesa que também por ali estava em viagem numa Suzuki Freewind.

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Não me recordo do nome dela, mas era extremamente simpática. Já nos seus 40/50, com um ar completamente descontraído do género hippie, tinha pinta de já ter feito muitos quilómetros de estrada. Aquele tipo de viajante que anda sem compromissos, nem itinerários, e muitas vezes sem destino. Às tantas ela puxou de um mapa e começou-nos a apontar para onde pretendia ir, mais ou menos. Ainda não sabia bem onde iria passar a noite, algures naquela direcção. A Freewind estava bem artilhada de bagagem, com uma topcase e uns alforges amarados com cordas.

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Queria tirar uma foto da Suzuki com as Tigers para mostrar ao irmão que também tinha uma, mas modelo 1050. Não nos demorámos muito, o tempo de trocar umas palavras com a nossa amiga e de tirar umas fotos. Ela seguiu caminho, e nós também.
Mesmo sem GPS o Benedito seguia à frente, aqui não havia que enganar. Mais uns curvões, mais umas paisagens espectaculares e em local apropriado fiz sinal ao Benedito para parar. Estávamos numa posição alta e privilegiada para uma foto desta fantástica “serpente do asfalto”. Parámos na margem junto a uma chafarica de venda de artesanato e logo depois vimos chegar a inglesa que fez o mesmo. Puxámos da máquinas para fotografar o local, mas ela não se demorou, de capacete e com a Freewind a trabalhar, despediu-se e saiu a correr quando se apercebeu que estava um enorme camião para passar. E ainda conseguiu sair à frente deste.

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Nós não estávamos com pressa. Deixámo-lo ir, e subimos um pouco a estrada á procura de um ângulo de vista mais apropriado sobre a estrada.

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Um pouco depois estávamos de regresso à estrada agora em trajectória descendente. A britânica ia-lhe a dar bem, pois mesmo com cerca de dez minutos de avanço ainda demorámos um pouco a alcançá-la!…

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Vá pronto, servem também de desculpa uns quantos carros e camiões que tivemos de ultrapassar. Passámos por ela, acenámos mais uma vez e vamos embora.

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O cenário ia mudando, ficava mais verdejante e arbóreo. A estrada ficava menos sinuosa, mas nem por isso menos divertida. Mais adiante, mais uma paragem para fotografar não sei o quê. E de novo vieram uns marroquinos não sei de onde, a querer vender não sei o quê. Acho que eram umas peças em quartzo, mas neste momento a minha preocupação era encontrar um Imodium Rapid que levava enfiado não sei em que mala! Malditas saladas marroquinas, estavam a fazer efeito… Felizmente não se tratava de um desarranjo agudo, mas antes do sistema a querer fazer uma “purga” depois de seis dias de tajines e saladas marroquinas. Mais um pouco até Marraquexe a ver se o comprimido faz efeito, senão terá mesmo de se resolver a situação atrás de um pinheiro!

Quando nos abeirámos do destino, ia melhor, mas nem por isso com o caso resolvido.
A entrada em Marraquexe foi como prevíamos, stressante. Já íamos avisados que ali o trânsito é assustador, nomeadamente o de motoretas (ou mobylettes). Confirma-se, parecem abelhas vindas de todos os lados, isto somado aos outros veículos que circulam ao melhor estilo marroquino, que é, como lhes apetece. Já ouvia o Barradas a stressar com as aproximações e achegas “à confiança” dos locais. De facto no inicio tem piada, mas depois chateia. E claro, nós não fazíamos por menos e o nosso Riad encontrava-se precisamente dentro da Medina. Pelo menos aqui íamos precavidos e levávamos o ponto de um estacionamento próximo, o parque da Prefeitura. Por aí estávamos safos, achávamos nós erradamente. Lá segui em diante, Medina a dentro… Esquerda, direita, vira, é por ali, é por aqui… chegámos.

O ponto levou-nos de facto ao parque de estacionamento da Prefeitura, com lugar talvez para uns 40 carros. Até aqui sem sobressaltos, tudo como planeado. Aquilo que para o qual não estávamos preparados veio de seguida. Encostámos no estacionamento à procura de lugar, e fomos logo cercados por uma dezena de fedelhos. Queriam 100 Dirhams por cada mota para ficar ali durante a noite!… Perdão?!... E trabalhar não?...
« Última modificação: Junho 24, 2012, 00:10:33 am por Cobra »

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #37 em: Junho 23, 2012, 23:51:08 pm »

Por esta altura já não éramos tão ingénuos, e tínhamos por referência os 20 Dirhams/mota que nos tinham levado em Fés para um parque coberto e fechado. Não mandámos ali um logo às poias, porque tínhamos acabado de chegar e ainda nos sentíamos deslocados. Vagou um lugar e enfiamos lá as motas. Nisto veio o chefe da maralha dizer que ali as motas não podiam ficar. Um tipo mal-encarado nos seus quarenta anos, tradicionalmente vestido. OK, toca a tirar as motas e encostar, entre todos decidimos que o melhor era um de nós ir ao Riad e pedir as “instruções do protocolo”, dois dos fedelhos que por ali andavam, prontificaram-se a ir comigo a pé até lá. Assim foi.

Quando cheguei ao Riad fui recebido pela simpática Manuela, a proprietária de origem italiana. Perguntei-lhe se 300 Dirhams era preço razoável para três motas naquele lugar. Ela torceu o nariz aos dois putos que me tinham acompanhado, e disse-me que manifestamente não, e que geralmente o capataz do parque até costumava ser simpático… Pois talvez, para carro. Quando se tratam de motas, parece que o “sistema” entra colapso. No entretanto um dos fedelhos avança com uma nova proposta 20 Dirhams/mota em parque fechado… Bom, esta parece-me razoável. Ela já os conhecia e perguntou-lhes claramente se o preço era esse mesmo e se depois não mudava. O pilecas confirmou o preço e saímos dali de volta às motas para resolver o assunto.

O Riad não era longe do parque mas ficava num dos becos da Medina. De modo que desamarrámos a bagagem e levámo-la a pé. Aliviados das bóias laterais estávamos mais à vontade para enfiar as máquinas Medina adentro. Os putos iriam nos levar ao dito parque, e pelos vistos queriam andar os dois de “cu tremido”. Um seguia à boleia do Benedito (o taxista oficial da viagem) e outro queria montar-se na Tiger do Barradas… Só faltava mesmo o chefe da canalha querer ir à minha boleia!... Lá se convenceram que um bastava, e seguiu o Benedito à frente com o “guia”. Foi com bastante frisson que fizemos o caminho até ao suposto parque. O caminho fez-se por ruelas estreitas, mudanças de direcções apertadas, tudo desviando de bancas, pessoas e mobylettes a circular em todas as direcções. Um bom momento para mais tarde recordar! O parque de estacionamento era praticamente todo ele coberto e tinha boa pinta… Mas, e eis o revés… O homem queria 30 Dirhams por cada uma das motas... Chiça penico!... Não é por serem mais 10 Dirhams que não chega a 1€, mas é a atitude e o princípio!… Por esta altura já estávamos fartos de propinas, esquemas e serviços impostos, em suma de marroquinices! De Ouarzazate para a frente é onde estão os malandros. Oferecemos 20 Dirhams, o tipo aceitou 25 desde que saíssemos cedo de manhã. Ligámos as motas e viemos embora. Confusão de novo até ao Riad e estacionámo-las ali. Pedimos para falar com a Manuela para nos dar uma ajuda. Tínhamos de esperar pois ela estava no banho. O pintelho que tinha ido à boleia não desmobilizou e para ajudar á festa, estava ali o comparsa dele também. Mostrei-lhes o nosso desagrado e pedi-lhes que dessem corda aos sapatos, já não precisávamos mais dos serviços deles. Disse-lhes que se não sabiam o preço, então não o confirmavam como fizeram. Responderam-me que não sabiam que o parque tinha aumentado, coisa e tal… E não arredaram pé. Às tantas um deles, e perante o meu desagrado cada vez mais notório, começa a dizer que o preço que ele tinha dito era 20 ou 30 Dirhams… Raios o partam ao pintelho!... Se há coisa que me tira do sério é o desmentido e dar o dito pelo não dito. Veio-me um rasgo de fúria à cabeça e mandei uma arrochada à topcase do Barradas. Foi à topcase, porque o fedelho mentiroso estava a três metros de distância… Estávamos cansados, fartos de andar para a frente e para trás, e de ser comidos em esquemas e este pulha estava agora a dizer que o mentiroso era eu!…

Era preciso não perder o controlo, e por isso informei que ia ali ao lado andar um bocado para acalmar. Assim fiz, afastei-me e fui fazer os cem passos na rua ao lado. Foi por esta altura que comecei a ouvir o Barradas a elevar a voz e perguntar ao pirralho que idade é que ele julgava que nós tínhamos. Voltei ao lugar, e perante a minha insistência e do Barradas um dos putos decidiu desmobilizar, precisamente aquele que nos tinha levado ao parque. O outro ficou, sem dizer cheta. Às tantas perguntei-lhe o que estava ele à espera, e disse-lhe para meter-se a caminho. Respondeu-me que aguardava a Manuela para que falássemos todos. OK, pareceu-me razoável. Quando veio a Manuela, expliquei-lhe a cena, e ela de imediato confrontou o rapaz. Perguntou-lhe como podia ter confirmado à frente dela o valor por mais de uma vez, quando não tinha a certeza. O tipo desdobrou-se em explicações e não adiantou nada. Nisto tinha chegado o vizinho do Riad, um marroquino dos seus trinta que viva em frente. Imediatamente a Manuela perguntou-lhe onde poderíamos deixar as motas, o tipo lembrou-se de um parque onde segundo ele não seriam mais de 30 Dirhams.
A história acabou com a Manuela a dar 20 Dirhams ao puto ranhoso e nós a aceitar a proposta do marroquino. Seguimo-lo pela Medina, desta vez sem boleias. O tipo ia se esgueirando pelos atalhos das ruelas e nós a reencontrá-lo mais à frente. Fomos assim até ao parque de estacionamento, um local fechado de aspecto pouco cuidado, mas que serviria perfeitamente para deixar as máquinas em descanso. Ele foi primeiro lá dentro para ver do preço. 40 Dirhams cada por 24 horas… Mau… Não espera, 33 cada pelo mesmo… OK, perfeito, 24 horas dar-nos ia tempo para aproveitar Marraquexe durante a manhã e recuperar todo este tempo perdido! Aceitámos e agradecemos.

Já passava das 20h quando demos por terminado este triste episódio. Confesso que aqui se desvaneceu um pouco do encanto do povo marroquino. Felizmente e como se compreende, nem todos são iguais. Fiquei com a impressão que à medida que nos vamos aproximando da costa a malandrice e oportunismo aumenta. Há mais esquemas de angariação, onde quem paga perde facilmente a noção de como e por quem está a ser distribuído o seu dinheiro. Imagino facilmente que os 30 Dirhams que nos foram pedidos seriam repartidos entre o responsável pelo parque de estacionamento fechado, o puto que lá nos levou e até talvez o chefe guarda do parque da Prefeitura. E depois este pessoal cria necessidades onde não existem e cobram por isso. O parque da Prefeitura é um bom exemplo. Trata-se de um local público gratuito explorado por uma teia de aldrabões que não faz nenhum o dia todo e que se apropriou daquele local sem sequer os terem instituído!
Bom, finalmente estávamos instalados, ainda que separados em dois hóteis. Por uma questão de disponibilidade de quartos, o Benedito teve de ficar a solo noutro hotel ali próximo. Eu e o Barradas ocupámos um duplo no Mon Riad, e que pintarola de quarto. Todo o Riad era fabuloso! Mantendo a traça original estava soberbamente decorado num estilo árabe e ocidental, combinados em perfeita harmonia. Depois de instalados tratámos de sair à rua para desfrutar todo o ambiente da Medina. O Benedito já tinha assentado arraiais no Riad ao lado do nosso e já nos aguardava à porta para sairmos juntos. O principal motivo por termos optado por esta localização era a proximidade da famosa praça Jeemna El Fna. Esta praça é provavelmente a mais importante de Marraquexe, ou pelo menos da Medina.

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Marraquexe é com certeza o centro turístico de Marrocos. A cidade está povoada de pessoas de outras nações e as ofertas levam isso em consideração. O mercado da Medina é enorme e não faltam por lá muitas “chinesices”, tornando-o de alguma maneira menos autêntico. Saímos pelas estreitas ruas em direcção à praça, espreitando à distância as diversas lojecas. Havia de tudo, umas atrás das outras. Candeeiros, roupas, sapatos, comida, especiarias, enfim… Um sem-número de coisas! No caminho lembro-me de pararmos à frente de uma loja de produtos naturais o que fez logo sair o lojista. Fomos logo puxados lá para dentro, aliás é o truque que todos usam. Primeiro entra-se só para “ver”, depois fazem-nos uma demonstração, e a seguir virá o provável negócio.

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O tipo extremamente simpático fez-nos uma demonstração de um pouco de tudo. Sabonetes, perfumes naturais, pedras, pastas e pós. A melhor foi quando misturou cominho negro com cristais de eucalipto num pedaço de tecido e nos fez inalar esta curiosa combinação. O Benedito que estava com o nariz congestionado ficou logo bom, com o olfacto recomposto ao estado normal. Eu experimentei e bateu mesmo forte! Inspirado com vigor é uma sensação refrescante e aliviante que vai até ao centro do moina, literalmente. O fulano ia fechar a loja e nós queríamos comer, pelo que ficámos de ali voltar no outro dia.

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Finalmente chegámos à praça, e que cenário… Numa das extremidades encontravam-se as barraquinhas de fruta, sobretudo laranjas, tâmaras e frutos secos. No centro estavam várias dezenas de tendas de comes e bebes e uma fumarola no ar que fazia impressão! Caracóis, pão, espetadas, camarões, salsichas e outros petiscos eram servidos em pequenos pratos a quem quisesse sentar-se nas mesas e bancos corridos em redor das pequenas bancas. Havia angariadores à boa maneira da Feira Popular a tentar convencer os passantes que ali se come melhor. Levávamos uma cábula. Tínhamos como referência de confiança a barraca nº1 (todas elas estão numeradas). Sentámo-nos à mesa e espreitámos o menu. Mandámos vir pão, sopa, uns camarões, umas espetadas e umas merguez (salsicha de carneiro e vaca meio picante). Apesar de todo o aspecto rudimentar da coisa senti-me ali bem, estávamos a viver a cena e a sentir o espírito! Estivemos ali talvez uma hora, a petiscar nas calmas e a falar desta vida bem boa…

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Depois fomos às compras. Ou pelo menos a ver o que havia. Encontrámos uma t-shirts com impressão alusiva a Marrocos que achámos piada. Regateamos ali um bocado, baixámos o preço para as três, e lá as levámos, uma para cada um. Ainda antes de regressarmos aos Riads, o Benedito ainda conseguiu negociar um magnífico puff em pele cujo preço final depois de regateado ficou em metade, cerca de 350 Dirhams (um pouco menos de 35€). A parte da manhã do dia seguinte estaria guardada para mais negócios. O Benedito deixou-nos à porta do nosso Riad e seguiu para o dele. No quarto ainda se carregaram algumas fotos na net, antes de reclamarmos o devido descanso!

continua...
« Última modificação: Junho 24, 2012, 00:13:29 am por Cobra »

TriumphKings

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #38 em: Junho 24, 2012, 19:49:27 pm »
O Cobra continua a brindar-nos com belos testemunhos das suas "voltinhas".
 
Muito bom!
Nasces sem pedir, morres sem querer   …Aproveita o intervalo!!!

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #39 em: Junho 26, 2012, 23:50:09 pm »

Dia 8, Marraquexe-Essaouira


Noite bem dormida, pequeno-almoço tomado (com os mimos habituais) e estávamos na rua. O Benedito tinha dormido num Riad ao lado, mas logo se encontrou connosco.



o nosso riad


De véspera, e por causa de um desagradável episódio sobre a escolha do parque onde deixaríamos as motas, perdemos mais de uma hora já depois de chegar a Marraquexe.


Assim, e porque o troço de estrada a fazer até Essaouira era de uma relativa curta distância (menos de 3h), decidimos sair mais tarde e aproveitar mais algum tempo para explorar o mercado de Marraquexe.


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vai, que ainda cabe muita coisa


Seguimos directos para a praça Jeemna El Fna, hoje pela manhã totalmente diferente de como a tínhamos visto. As tendas de comes e bebes já não estavam, apenas se mantinham as barraquitas da fruta. Apesar de haver já algum povo na rua, a Medina estava ainda a “acordar”.


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Grande parte dos negócios estavam abertos ou a abrir, mas muitos ainda se encontravam fechados.


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restaurante fino típico marroquino


Andámos por ali, para trás e para diante, há procura de lembranças a bom preço para levar para casa.



O Benedito era o que estava mais entusiasmado. Já de véspera tinha feito negócio com um puff e hoje estava com vontade de trazer mais coisas. Nomeadamente um candeeiro marroquino (aqueles grandes em metal) que já andava a namorar há uns dias… Ainda lhe demos a sugestão de levá-lo amarrado às costas na mota, mas de facto viajar em duas rodas tem este inconveniente do espaço.


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esta loja eram 4 ou 5 pisos de marroquinaria de todo o feitio


Já muita sorte teve ele de ter conseguido enfiar um puff numa das malas laterais! Ao cabo de duas horas todos tinhamos as compras feitas (ténis, sandálias, relógios, brincos, colar e uns ímanes para frigorífico). Houvesse mais tempo e o Benedito ainda tinha trazido mais umas coisas!


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estes triciclos vimos-los por todo o lado


Já passava das 11h00 quando nos dirigimos ao parque para recolher as motas. Tudo em ordem. Entregámos a senha e saímos de lá com elas em direcção aos Riad.


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Carregámos as malas, pagámos a conta e ala que se faz tarde! Próximo destino, Essaouira, uma pequena vila piscatória situada na costa atlântica marroquina. Menos de 200kms em linha recta para cumprir nas calmas e apreciar a bonita paisagem.
Totalmente descontraídos seguimos pela nacional que liga Marraquexe à costa, estrada boa, desimpedida e, por vezes, com mais de uma faixa. Às tantas vejo o Benedito aos “esses” à minha frente… Volta não volta é habitual fazermos isso, sobretudo depois de muita estrada a direito, acaba por variar um pouco a condução e “limar” as laterais do pneu. Ia atrás do Benedito com a câmara do capacete ligada e aproximei-me dele para filmar a cena… Ele parou com a dança e aí lembrei-me de pedir ao Barradas que seguia à frente para começar com o baile. Depois comecei eu, e rapidamente o Benedito percebeu que havia dança e alinhou… Ficou tudo registado, três portugueses malucos aos “esses” no meio da estrada… Bom momento de descontracção!... Eu acho que foi por esta altura que entrámos em modo de cruzeiro. O stress e ansiedade inicial de andar por novas paragens estava a desaparecer.
Depois de 7 dias, um pouco por todo o lado, já estávamos completamente entrosados e à vontade neste meio e começávamos agora a descontrair e a apreciar este magnífico país de outra forma.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #40 em: Junho 26, 2012, 23:50:58 pm »

Parámos numa localidade qualquer, no primeiro restaurante com grelha. Típica pintarola de boteco marroquino, com um avançado rígido para a rua onde se encontravam o grelhador e umas mesas. Dirigi-me ao tipo à frente das chapas que com um largo sorriso nos fez sinal para nos sentarmos.


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Rota Berber #2012



Essa é uma característica que vimos durante todo o percurso. Sempre tivemos um tratamento diferente. Não sei se será o facto de nos fazermos deslocar de mota ou a nossa pinta de turistas, mas em todo o lado há por parte dos locais uma preocupação em nos agradar genuinamente. De forma humilde, mas empenhada, fazem gosto em nos servir da melhor forma, sempre com a vontade que apreciemos o que eles têm para nos oferecer. Aqui, como noutros botecos anteriores, tivemos direito a que nos escolhessem a mesa e nos facultassem talheres (tipicamente a comida é manuseada com as mãos). Nisso, creio que são muito parecidos connosco, é um povo que sabe receber!


Embora fossemos com algum receio da alimentação, esse nunca foi um verdadeiro problema. Creio até que o Benedito foi o que se safou melhor, e era inicialmente o que tinha maior receio. Nunca tivemos grande preocupação e sempre fizemos questão de não seleccionar restaurantes ocidentais, que também por cá existem. É verdade que os conceitos de higiene são diferentes por aqui, mas nunca tivemos problemas com isso em relação à comida. Os únicos “inconvenientes” deveram-se ao facto de não estarmos habituados aos temperos, e nunca estiveram relacionados com a qualidade da comida. A propósito, os meus desarranjos de véspera estavam melhores depois de consumir um Ultra-Levure.


O Benedito optou por frango e eu e o Barradas por carne de vaca picada, na brasa. Estava bom e bem aviado. Aqui deixei logo de lado as azeitonas e a salada marroquina habitual, restringi-me ao pão e ao meu prato. Pagámos e seguimos o nosso caminho. Mais um pouco até Essaouira. No caminho efectuámos mais um abastecimento e passámos por uma cena trágica, um atropelamento do que nos pareceu ser uma criança. Da maneira como conduzem, não devem ser infrequentes estas tristes cenas.


Finalmente começámos a avistar o mar da estrada, o que significava que estávamos a chegar ao destino. Descemos até ao nível do mar para entrar em Essaouira. Desta vez o hotel estava situado nos limites da cidade, mais propriamente a Sul, longe da confusão. O ponto do GPS estava correcto e levou-nos ao edifício pretendido, o Hotel Borj Mogador com aspecto ocidental e agradável. Fomos à recepção fazer o check-in, e perguntámos onde poderíamos deixar as motas. Havia ao lado uma espécie de pequeno terreno baldio a fazer de parque onde poderíamos deixar as motos. Tinha guarda (claro…) ao preço de 10 Dirhams por cada mota. Mesmo com guarda deixámo-las amarradas, não fosse o diabo tecê-las. Descarregámos as malas no quarto, que não sendo nada de especial, era correcto e agradável, com a grande vantagem de uma das janelas ter vista para as “burras”!


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Rota Berber #2012



De onde estávamos à Medina, seriam ainda uns 30 minutos a pé, andando bem. A 7 Dirhams (menos de 0.70€) a viagem de táxi não havia mesmo razão para gastar as solas. Aliás, a este preço percebemos que a opção de ficar na Medina não é a melhor aposta. É fácil arranjar boas alternativas, a melhor preço, com parqueamento, fora da zona velha da cidade e optar por utilizar o táxi para as deslocações. Apanhámos o táxi logo em frente ao hotel, um Dácia creio que com 200 mil quilómetros e vários remendos. Em menos de 10 minutos estávamos à porta da Medina.


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Este local, e a costa atlântica marroquina, no geral, dizem-nos muito: Essaouira já foi portuguesa! Regressando à época quinhentista dos Descobrimentos, quando Portugal foi grande e desempenhou um papel importante no mundo. De facto, nessa altura, e sobre o nome de Mogador, os portugueses estiveram aqui instalados (e noutras 5 cidades costeiras) durante cerca de 5 anos. Fundada à mais de 2500 anos, foi ocupada por lusos que a fortificaram e a equiparam com armamento bélico. Aqui foi erigido o Castelo Real de Mogador em 1506, tendo sido tomado pelos berberes 4 anos mais tarde, obrigando a guarnição portuguesa a refugiar-se em Safi, uma cidade mais a Norte por onde também iríamos passar.
Essaouira sempre representou um ponto estratégico na costa marroquina. Antes do porto de Agadir se estabelecer, era por aqui que eram feitos os embarques e desembarques de homens e mercadorias. A fortaleza portuguesa não resistiu à remodelação e refortificação levada a cabo no século XVIII e pouco resta por lá que assinale a nossa curta passagem, a não ser o saudoso nome pela qual foi conhecida.


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Depois da “loucura” de Marraquexe, estávamos secos de dinheiro. Tínhamos de levantar mais algum para dar até ao fim da viagem. Passámos por uma caixa logo depois do primeiro pórtico da vila, mas havia ali um problema. O Sol batia de frente no ecrã, e este não estava nas melhores condições. Ainda fizemos uma tentativa mas não se percebia nada.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #41 em: Junho 26, 2012, 23:52:08 pm »

Continuámos e avançámos pela rua principal da cidade que atravessa a Medina. Uma rua sem trânsito mas suficientemente larga para ter dois sentidos. Por ela se encontravam uma série de bancas, para além das enúmeras lojas nos edifícios contíguos. Muito povo na rua, para cima e para baixo. A Medina adensava pelos vários becos e ruelas perpendiculares à rua onde nos encontrávamos.
O Barradas comprou um saco de amendoins a um fulano que os torrava no local, e fomos comendo-os. Às tantas e sem caixote do lixo algum, fizemos como os outros mandando as cascas para o chão… Pelo menos estas são biodegradáveis. Saímos da rua principal e seguimos em direcção ao oceano, à procura da muralha exterior ao porto, ou a Scala Kashbah como é aqui conhecida.


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esqueçam os dois artistas e prestem atenção ao engenho da bicla... é de 2 lugares


As ruas são estreitas, encavalitadas e labirínticas, mas lá demos com o caminho. Daí a pouco estávamos sobre a muralha, debruçados sobre a água.


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Rota Berber #2012



Fantástico este local! Muitos turistas por aqui, mas também pessoas locais sentadas a apreciar o Sol e a ver o tempo passar. A muralha ampla é decorada por algumas dezenas de canhões europeus (a maioria espanhóis) do século XVII.


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grandes vidas


Tem dois níveis, e no de baixo residem umas quantas galerias com venda de artesanato, numa onda mais refinada e também mais calma que o frenesim de Marraquexe.


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Rota Berber #2012



Aqui já se respira Europa. Esta fortificação e a sua gémea na zona do porto (Scala do Porto) estão aqui há quatro séculos e foram mandadas construir na zona onde outrora existira o Castelo Real de Mogador.


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Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #42 em: Junho 26, 2012, 23:53:56 pm »

Subimos para as gigantescas ameias da muralha para ver a costa e tirar umas quantas fotos. Pena foi termos o Sol de frente.


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012



Depois seguimos até à torre a Norte da muralha para passear mais um pouco por ali.


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Rota Berber #2012

ora aqui está um bom exemplo de empedrado árabe que provavelmente inspirou a nossa calçada portuguesa


Nisto o Barradas entra em pânico! Levou a mão ao bolso e não encontrava a chave da Tiger… Bem… Ou a perdeu, ou a deixou na ignição… Mas já não sabia… De qualquer forma, já havia pouco a fazer. Encontrar uma chave perdida em Essaouira, só mesmo com um golpe de muita sorte… Se tivesse ficado na ignição, havia uma boa probabilidade do nosso guarda a ter guardado. Assim mesmo, as motas estavam presas com as correntes e cadeados e supostamente teríamos um tipo de vigia… No caso da chave estar irremediavelmente perdida, o Barradas também não ficaria apeado pois tínhamos trocado entre nós o segundo jogo de chaves.


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Rota Berber #2012



Assim, prosseguimos com a visita. E estava na hora de tratar do jantar. Eu levava de referência uma dica de um colega. Um mercado da vila com a possibilidade de se comer no local o fabuloso peixe fresco. Mas primeiro tínhamos de ir tratar de levantar umas moedas. Com o Sol mais baixo, fizemos uma segunda investida ao ATM defeituoso.


Estava um pouco melhor, e o Barradas fez uma tentativa. Com alguma dificuldade conseguiu levantar mais 2000 Dirhams. Engraçado foi depois disto, o facto do ecrã da máquina voltar a funcionar. Era mesmo defeito e parece que ficou bem. Óptimo, ficou mais fácil para eu e o Benedito também de seguida levantarmos dinheiro.


Voltámos à rua principal da vila. Tinha indicação que o mercado estaria numa ruela perpendicular ao primeiro ou ao segundo arco. Ainda nos metemos por aqueles becos, mas sem sucesso. Às tantas voltámos à rua principal e junto ao arco perguntei a um polícia que por ali estava. Prontamente me respondeu que ficava ali por uma rua a poucos metros… Perfeito! Demos com aquilo sem grandes problemas. Uma espécie de pátio escondido repleto de bancas de peixe fresco. Em redor deste pequeno mercado existem umas galerias com umas mesas e cadeiras manhosas. É aí que se prepara e serve o peixe. Não nos fizemos esquisitos e entrámos numa. Um marroquino de calças à pescador apressou-se a arranjar-nos uma pequena mesa junto à parede. O aspecto do local não era para fracos. Iluminação fraca, aspecto a condizer, e um chão que colava à sola dos sapatos… Tirando isso, tudo fino!… Venha o peixe. Pedimos uns camarões, lulas para o Benedito e dourada escalada para mim e para o Barradas. Vieram os pratos, e estava bem bom! Sabia bem variar um pouco das tajines e espetadas dos passados dias. Despachámos tudo com uma grande categoria e no entretanto, duas mesas à nossa volta tinham sido ocupadas por turistas: uma com um casal de velhotes franceses, e outra com um grupo grande de italianos. Está a ficar famoso este sítio.


Pagámos uns 70 Dirhams cada (qualquer coisa abaixo dos 7€) e saímos. Regressámos à rua principal para fazer o caminho de volta até ao porto, onde se encontrava a praça de táxis. A rua estava ainda mais animada de gente. No caminho, o Benedito ainda fez uma visitinha a uma loja para negociar qualquer coisa. Aqui o estilo é completamente diferente, não estão empenhados da mesma forma que pudemos presenciar em Marraquexe. Um dos marroquinos que lá estava, o mais jovem começou a fazer olhinhos aos nossos sapatos. Queria negociar os meus Merrell ou os do Benedito… Recusámos, claro.


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Rota Berber #2012



Já na praça de táxi e com a noite posta, entrámos no primeiro da fila para regressar ao nosso hotel nos limites da cidade. Pagámos 8 Dirhams (menos de 0.80€).


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O Barradas ia com alguma esperança de reencontrar a chave no canhão de ignição. Quando chegámos encontrámos logo o nosso guarda do parque que me explicou que tinha retirado a chave da ignição e entregue ao tipo da recepção. Nesse momento, o Barradas com um sorriso de orelha a orelha apanhou os “ditos” literalmente do chão!


Subimos até aos aposentos. Estávamos cansados, mas satisfeitos da vida! Ainda se deram umas tecladas na net para conversas e actualizações de facebooks. E finalmente, uma boa noite de sono.


continua...

Giovanni

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #43 em: Junho 27, 2012, 23:42:08 pm »
 :D
Bem, já não tenho memoria de uma crónica tão completa.
Estão aqui relatos que parecem filmes de suspense. É um choque de culturas tremendo  ::)
Sempre grandes fotos...
Bom trabalho  ;)
 
BRITISH STEEL

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #44 em: Julho 09, 2012, 20:45:50 pm »

Dia 9, Essaouira-Safi-El Jadida


Acordámos depois de uma noite bem dormida. Tínhamos pela frente 300 e poucos quilómetros de estrada costeira entre Essaouira e El Jadida.


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Rota Berber #2012



 Aprontámos a tralha e fomos tomar o pequeno-almoço no restaurante do hotel, uma sala ampla e um pouco sombria. Pagámos a estadia e levámos a bagagem para junto das motas, que teriam que ser desamarradas antes de levar a carga.



arrumadinhas


O velhote guarda do parque estava por ali para receber o prometido. Creio que o Barradas lhe pagou um pouco acima do combinado (10 Dirhams por mota, ou seja menos de 1€) pela satisfação de recuperar a chave que tinha esquecido!


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Rota Berber #2012



O tempo estava ao nível dos outros dias: sol com céu pouco nublado e a temperatura ligeiramente mais fresca devido à influência dos ares da costa. Qualquer coisa um pouco acima dos 21ºC, perfeito para rolar de mota. Saímos de Essaouira por onde entrámos, e logo apanhámos a estrada costeira. Durante vários quilómetros rolámos sempre com o oceano à vista. Tirando alguns dromedários a pastar, a paisagem é em tudo semelhante à nossa costa atlântica.


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Rota Berber #2012



Por volta da hora de almoço estávamos a entrar em Safi, vila costeira a Norte de Essaouira. E também por aqui estiveram os portugueses há 500 anos! Já lá ia um dia sem fazer um Souk (mercado) de mota… Pelo que obviamente, na esperança de alcançar a zona portuária, atravessámos o primeiro Souk que encontrámos. Pelo meio do maralhal, entre os pepinos, cebolas e outras leguminosas chegámos à baixa da cidade.

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Rota Berber #2012


Aí encontrámos uma rua larga com estacionamento em espinha, com o habitual guarda. Parámos e perguntámos quanto era. O tipo, com chapéu à motorista, de tês escura e bigode à Chalana, não falava uma palavra de francês. Tentámos espanhol, inglês e nada. Lá veio um lojista fazer a tradução, queria 15 Dirhams. Menos de 50 cêntimos por cada mota pareceu-nos tolerável. Deixámo-las por ali e avançámos à procura de almoço. Peixe de preferência, que de carne já estávamos um pouco cheios. Subimos o Souk de novo a pé, e descemos pela rua paralela que parecia entrar mercado dentro. De cada lado dessa rua estreita e cheia de gente, estendiam-se dezenas de barracos com “jeitos” de restaurante com apenas e uma única coisa para venda, peixe frito. Eram dezenas de frigideiras a fritar peixe, rua abaixo… O Barradas gosta muito de peixe, desde que não seja servido frito. Assim descemos a rua e fomos à procura de outra coisa. Mas peixe em Safi, parece que só frito! Assim lá nos decidimos por um pequeno restaurante com os tradicionais pratos de carne.


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Rota Berber #2012





Éramos os únicos clientes, o que à partida não é bom sinal. Mas dada a hora um pouco adiantada, poderia ser disso. Fomos atendidos por um miúdo simpático com talvez uns 12 anos, muito eléctrico e agitado. Parecia que andava a “drunfos”. Os Ruis optaram pela tajine kefta e eu pelo frango, para variar um bocadinho da carne moída. Os frangos eram assados na máquina, que por acaso estava mesmo ao nosso lado. Aqui o frango assado é servido com especiarias, aliás como tudo. E o meu devia levar algum tipo de caril ou açafrão, porque o amarelo carregado, não é a cor natural do frango. Mas estava agradável. Vieram as habituais saladas, pão e uns pratinhos de molhos a acompanhar.
Comemos, pagámos e regressámos às motas para não perder mais tempo.
Quando me preparava para pagar os 15 Dirhams ao guarda do chapéu, o gajo faz-me sinal que queria mais. Perdão?!... Lá percebi que queria 20 em vez de 15… Estupidamente passei-lhe mais 5 Dirhams para a mão… E a seguir veio a fúria… Onde é que já tinha visto isto?!... Ah sim, em Marraquexe…
Comecei a confrontá-lo falando em francês, mas o gajo ficou a fazer o número de homem estátua. Pudera, já tinha o que queria! Atravessámos a rua, fomos ter com o lojista para confirmar o valor inicial… E o gajo confirmou, e do outro lado da rua mandou uma “bujardadas” em árabe ao artista da chapeleta… A reacção dele foi, sorrir.
« Última modificação: Julho 09, 2012, 21:00:03 pm por Cobra »