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[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Tópico: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013 (Lida 5255 vezes)
Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #15 em:
Setembro 20, 2013, 13:45:58 pm »
Obrigado a todos.
Já me ocorreu a ideia de publicar estes textos e fotos, no passado cheguei a fazer a publicação em formato de "imprensa" de algumas crónicas:
http://issuu.com/makoshark2/docs/rota-alpino-mediterranica-volume-1
http://issuu.com/makoshark2/docs/canas_y_jamon_por_las_calles_de_la_ciudad
Mas depois deixei-me disso, o trabalho é algum, e vou dando prioridade a outras coisas.
Faço questão de escrever estes textos, essencialmente por dois motivos.
O primeiro mais altruísta, divulgar estes roteiros e locais, na esperança que outros se sintam motivados a visitá-los. Quero sinceramente que, quem leia estes textos veja aqui algum interesse para fazer o mesmo, daí fornecer as estatísticas, mapa, percurso e nomes dos locais por onde passamos. Sempre que possível com mais alguma informação local e histórica, para que também a viagem não seja apenas "passar por ali".
Depois, porque me dá um gozo enorme recordar estas "histórias", meses ou anos mais tarde. Tenho o cuidado de fazer um sumário com detalhes imediatamente após o regresso destas viagens. Detalhes esses que incluo sempre que possível na crónica. São coisas que se esquecem, mas que sabem muito bem recordar.
A edição em papel/digital é uma boa ideia sem dúvida, mas enfim... Não está nas muitas prioridades que tenho actualmente. Para já privilegio o tempo para rolar, quem sabe um dia não imprimo isto tudo, mais que não seja para mim e para os amigos. Será sem dúvida um bom álbum de recordações.
Cumps!
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #16 em:
Setembro 20, 2013, 18:59:27 pm »
Dia 03.
Acordámos cedo e espreitamos cá para fora o tempo. Não estava nada famoso, tudo coberto.
Despachamos a rotina da manhã e descemos para o pequeno-almoço.
Cá em abaixo já estava um grupo a preparar-se para uma caminhada. Uns dez velhotes franceses, bem dispostos, equipados até aos dentes e acompanhados de um guia. Levavam farnel, o que indiciava que a caminhada seria grande... Ou então iriam devagar.
Rapidamente se fizeram ao caminho e ficámos a sós na sala para tomar o pequeno-almoço.
Já estava na mesa o pão, croissants, manteiga e doces quando se sentou na outra ponta da mesa um individuo de aspecto intrigante. Aparentava ter uns 50 e muitos/60 e poucos e, ou via mal ou estava muito intrigado com o que nos tinham acabado de servir, pois chegou mesmo a esticar o pescoço para espreitar.
Veio o café para nós, e pouco tempo depois também para o fulano.
Às tantas o tipo não resistiu e meteu conversa, começou a falar em espanhol para nós, acho… Respondi que éramos portugueses, e que estávamos por aqui a passear de mota.
"Ah, então foram vocês que estacionaram ao lado do meu carro, não lhe fizeram um risco? não?" – disse-nos ele.
Quando comecei a querer dizer-lhe que não, que tínhamos tido cautela, o tipo esboçou um sorriso dizendo que estava a brincar, e que não ligava nenhuma a carros.
Afinal o tipo era bem disposto e apenas queria falar um bocado.
Estivemos ali a falar um pouco, o senhor era de Marselha, coisa que desconfiei logo pelo sotaque, o pessoal do Sul de França tem uma maneira de falar cantarolando, nota-se logo.
Disse-me que já tinha estado em Portugal, em Lisboa e no Porto e que adorava a nossa comida. Falou-me também que tinha 68 anos e que gostava de fazer caminhadas e comer bem. Enganava, não lhe daria 68, pelo menos pelo aspecto e genica que o homem aparentava.
Falamos de mais umas coisas durante o pequeno-almoço, e depois percebemos que ele iria fazer a volta maior do Cirque. Há por aqui muitos percursos a fazer em Garvanie, e várias opções em redor do Circo. A volta mais pequena (a que íamos fazer), que é basicamente ir da aldeia até ao pé da cascata são cerca de 4kms e picos para cada lado com cerca de 200m de desnível, algo para fazer nas calmas em 3h (ir e vir). Depois há mais opções em redor da cascata para dia inteiro, 8 ou mais horas. Para quem goste de andar pela natureza, este lugar é um pequeno paraíso.
Depois do pequeno-almoço tomado, fomos libertar o quarto, deixando as Tigers já carregadas, prontas a arrancar no nosso regresso… E depois, finalmente saímos para dar às pernas.
Estava mais para chover que para outra coisa. Curiosamente não estava muito frio.
Durante a noite tinha-se instalado um capacete de nuvens por cima de Gavarnie que trouxe com ele um raio de uma humidade.
Passámos pelos cavalos e burros à saída da aldeia. É possível fazer o passeio nestes por 20 a 30€… Até poderíamos fazê-lo, mas não era a mesma coisa… Fomos antes a pé.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Refizemos o caminho até ao rio que tínhamos feito de véspera, e continuamos em direcção ao Cirque que nunca se perde de vista durante toda a caminhada.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Por esta altura já pingava uma chuva miudinha.
O percurso é fabuloso, o piso é bom e no início é mais ou menos plano, seguindo sempre junto ao rio.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
A paisagem é fabulosa, e do género a que não estamos habituados. Uma espécie de vale forrado com um tapete verde abundante e encostas repletas de pinheiros alpinos (do género pinheiro de natal).
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Pelo caminho fomos cruzando com uns quantos velhotes. Devo dizer que por esta altura já estávamos a desconfiar que tínhamos descoberto para onde os reformados franceses vêm passar o final das suas vidas… Para aqui, para os Pirenéus. Incrível a quantidade de velhotes que se encontra por aqui, em caminhadas e a andar de bicicleta.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Os últimos 300m até ao Hotel (sim, existe um hotel à beira da cascata) são suados.
Sempre a galgar. Subimos bem, mas eu cheguei lá acima literalmente a pingar em bica.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Junto ao hotel foi puxar da máquina e aproveitar o cenário único que tínhamos à frente dos nossos olhos…
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #17 em:
Setembro 20, 2013, 19:00:15 pm »
É difícil descrever por palavras, pelo que deixo as fotos, que mesmo assim não fazem total justiça à grandiosidade que o local tem.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Entretanto chega o nosso amigo francês do pequeno-almoço. Passou por nós dizendo que teve de abortar a sua caminhada e vir para aqui. Parece que um guarda lhe barrou o caminho por estar demasiada neblina lá em cima.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
com os seus 423m de altura, é considerada a cascata mais alta da europa
Na verdade a caminhada não acaba aqui. Para quem queira, existe acesso até à base da grande cascata. São mais cerca de 1000m custosos (+150m de desnível) por trilho estreito.
Estávamos curtos de tempo, ir até ao pé da cascata representaria pelo menos mais 1h de caminhada. Pelo que nos demos por satisfeitos. Aproveitámos para nos sentar 5 minutos na esplanada do hotel. Bebi uma garrafa de água pequena (2€!) que estava bem a precisar.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Andava por ali um cachorro de raça pequena simpático. O bicho devia ser do pessoal do hotel e andava impaciente à espreita de quem chegasse.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Voltamos para trás. O caminho de regresso faz-se muito melhor, é essencialmente a descer ou plano.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
O tempo continuava nublado e fechado. A chuva parecia estar a querer engrossar.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Chegámos à aldeia, e antes de regressar ao hotel ainda passámos por uma loja de souvenirs comprar umas coisitas pequenas (aqui tem de ser mesmo pequeno, os preços são abusivos).
Já no hotel, trocamos a roupa pelo equipamento de mota. Quando estávamos a despedir da Sylvie, esta lembrou-se que havia corte de via à saída da vila de Luz-Saint-Sauveur, precisamente na direcção para onde seguiríamos. Depois de consulta na web, ficamos a saber que a estrada estaria aberta das 12h às 13h e das 14h30 às 15h… Eram agora 12h15 e ainda estávamos no hotel, dificilmente conseguiríamos chegar a Luz antes das 13h (tínhamos uns 30kms para fazer em estrada de montanha)…
Tudo bem. Vamos embora, sem stress, e logo vemos. Se não der, almoçamos por ali perto e aguardamos pelas 14h30.
Quando chegámos a Luz, eram perto das 13h, nem sequer tentámos fazer a passagem.
Tínhamos de abastecer, pelo que fomos à procura de um posto. Nesse momento passou por nós uma caravana de BMs de uma excursão organizada espanhola… Pensámos para nós - estes vão dar com o nariz na porta… Assim foi, 5 minutos depois estavam a fazer o caminho inverso. Decidiram fazer o mesmo que nós, almoçar por aqui, aguardando que a estrada reabrisse.
Depois de abastecer, estacionámos logo as motas por ali e fomos a um restaurante que havia mesmo ao lado.
No interior, tinha uma pequena pista de bowling e estava decorado ao estilo americano.
Havia menu do dia e estava dentro nosso orçamento (<15€). Para começar: salada, presunto e pão. Entretanto ficámos a saber que o prato do dia (perna de cordeiro) tinha acabado, propunham-se substituir por bife do lombo. Certíssimo... Veio para a mesa um delicioso bife com batata frita. Delicioso é uma palavra fraca, magnífico adequa-se melhor. Bife alto, suculento, que se cortava como se fosse manteiga. Não estou a exagerar na comparação. Há muito tempo que não me passava pelos dentes uma carne desta qualidade.
Devo dizer que até aqui, a qualidade e apresentação do que comemos em França fica acima da média. Os tipos aqui gostam de comer bem (em qualidade) e de forma bem apresentada.
Estivemos ali a dar ao dente sem stresses, ainda estávamos a tempo de chegar às 14h30 à saída da cidade… Mas calma, ainda tínhamos a sobremesa para degustar… Um bolo de coco denso, banhado em creme inglês que estava simplesmente fantástico… Íamos sair daqui muito bem tratados.
Pouco mais de uma hora, foi o que demoramos a almoçar, pelo que pelas 14h30 já estávamos enfiados na fila de carros para sair da cidade.
Circulação alternada a andar muito devagarinho. Também não queríamos depachar, a estrada estava mesmo muito mal tratada, toda rebentada e coberta de gravilha.
O inicio do ano foi mau por aqui, subida dos rios como há muito não se via e consequentes inundações. Passar por troços em obras foi uma constante durante todo o percurso pela montanha.
O sacana do tempo é que não melhorava. Continuava aquele capacete nubloso por cima das nossas cabeças. Como o próximo ponto de passagem estava a 2115m (Col du Tourmalet) acabámos por entrar nele. Subimos até ao topo por uma estrada de cotovelos entrelaçados no meio de um nevoeiro cerrado. À nossa frente seguia uma caravana de holandeses, às tantas encostaram para nos deixar passar.
Não se via a ponta de um corno, e foi não vendo a ponta de um chavelho que chegámos ao cimo.
Parámos no Tourmalet, mas aquilo não estava para visitas. Chuva, vento e nevoeiro.
Foi mesmo só o tempo de sacar estas duas fotos, para dizer que lá estivemos.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Foi pena, este pico é um dos mais altos da volta à França na sua passagem pelos Pirenéus, a vista deve ser tremenda.
E siga para baixo, que a menos altitude se está melhor.
Entretanto a autocaravana dos holandeses tinha passado de novo à nossa frente.
Na descida ainda fomos uns quilómetros atrás, mas o cheiro a queimado rapidamente nos convenceu a passar à frente desta e ganhar distância.
Tínhamos mais uma cascata para ver de caminho, mas dado o estado do tempo resolvemos passar, não iríamos ver nada mesmo.
Felizmente, hoje eram poucos os quilómetros para fazer. O ritmo foi calmo, até pelo estado da estrada, fazer cotovelos a subir e descer nestas condições requer alguma cautela, e a Tiger do Barradas vinha com pneus em fim de vida a atirar para o liso.
E de seguida mais um Col antes de chegar ao destino.
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #18 em:
Setembro 20, 2013, 19:01:54 pm »
Quando chegámos ao Col d’Aspin (1489m) o tempo estava um pouco melhor (pelo menos não chovia), mas o "capacete" continuava aí, comprometendo qualquer foto de vistas.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Daí a pouco chegava a autocaravana dos holandeses…
Desta vez, encetámos conversa. Era um casal nos seus 50/60 que estava em viagem. Andavam ali um pouco à aventura. Vinham de Norte e tinham em mente descer para Sul em direcção à Catalunha e passar pela casa do Dali. Gente com boa pinta. Explicámos o que andávamos por ali a fazer, despedimo-nos e seguimos.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Estávamos a descer para o vale em direcção a Saint-Lary-Soulan, cidade onde iríamos pernoitar.
Aqui o tempo tinha melhorado um pouco. Já se notava o céu a querer desanuviar, aliás como previa a previsão meteorológica. Efectivamente este seria o nosso único dia de mau tempo.
Chegámos a Saint-Lary e tínhamos uma preocupação. Comprar vaselina para o Barradas… Perdão – comprar vaselina para os beiços do Barradas… Com o fresquinho da montanha, o homem estava a ficar com os lábios em frangalhos.
Ainda passamos pelo hotel para descarregar as coisas. O ponto do GPS estava correcto e demos com o hotel à primeira, não demos foi com a porta.
Andámos para a frente e para trás uns 10 minutos antes de dar com a entrada. Não é que fosse complicado, chegámos foi pelo lado menos evidente.
Arranjaram-nos uma garagem (que serve habitualmente para guardar as bicicletas) para meter as Tigers ao abrigo.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Não que fosse preciso, aqui não se passa nada, mas sempre ficam melhor.
Trocámos de roupa e seguimos em direcção a uma farmácia.
Lá chegados pedi vaselina para o Rui, tendo o cuidado de especificar que seria para os lábios dele… O tipo que estava a atender expressou um ar espantado, e perguntou-me se era mesmo vaselina que queria… Aparentemente aqui a vaselina mete-se noutros sítios…
Devo dizer que já testemunhei o efeito da dita na prevenção de lábios secos o ano passado em Marrocos, quando o Barradas e o Benedito já tinham chegado ao estado de ter os lábios rasgados com o calor. Em dois dias, resolveram o problema. Claro está, à custa de muita vaselina.
Saímos de lá com o produto, e o Rui tratou logo de besuntar os beiços. A coisa estava tratada, mas sem se livrar de ficar com um look de quem se mandou com a boca a um pote de mel, de tanto lambuzado que estava.
Fomos então dar uma voltinha ao burgo.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Que local tão jeitoso. Uma típica vila de montanha, mas toda ajeitadinha e organizada. Nota-se logo diferença para o outro lado espanhol.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Novamente, verificámos aqui a nossa teoria… Sabem para onde vão os reformados franceses nesta altura?... Para aqui, para os Pirenéus!… Talvez isto de Inverno anime com juventude, mas nestes meses está repleto de casais nos seus 60/70, todos com o mesmo aspecto. Arranjadinhos, lavadinhos, de óculos, elas cabelo curto grisalho, eles carecas ou de cabelo branco. É impressionante a quantidade de velhotes que se vê por aqui… Ficámos a imaginar que deverão passar as estações mais quentes do ano por aqui, em caminhadas e voltas de bicicletas, e o Inverno noutro sítio com clima menos rigoroso.
Dito isto, percebe-se que a cidade esteja a meio gás. Ainda assim demos um voltinha pelas ruas à espreita do comércio e de algum local para jantar.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Uma rotunda no centro impressiona, pela sua escultura central em forma de pinheiro, pela qual cai água abaixo.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Junto a uma igreja encontrámos um monumento de homenagem aos combatentes das grandes guerras.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
O comércio aqui divide-se entre, cafés, restaurantes, mercearias com produtos regionais e lojas de roupa e equipamento desportivo.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Numa mercearia reparei que tinham deixado um pão a jeito no balcão para os pardais comerem… E lá se mandavam eles ao pãozito. Sempre é melhor do que se mandarem à mercadoria toda.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
As casitas são espantosas, telhados negros inclinados, feitas em pedras e madeira. Um mimo.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Esta escultura pareceu-me curiosa… Fiquei sem perceber se o urso estaria a dançar com a criança, a abraçá-la, ou a comê-la…
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Não nos afastamos muito do centro, e acabamos por identificar uma pizzaria próxima do hotel.
Parecia uma boa escolha. Tínhamos visto dois ou três restaurantes pelo caminho que anunciavam pratos regionais de Garbure e Cassoulet. A primeira já tínhamos provado, e a segunda é manifestamente um prato forte para jantar – é uma espécie de feijoada feita no Sul de França.
Ainda era cedo para jantar, de modo que voltámos ao hotel para meter a escrita em dia (entenda-se net).
Estava um calor do cacete no quarto. Nesta região não se usa o AC, só aquecimento, e parecia que estava qualquer coisa ligado. Abrimos um pouco a janela.
Copiar fotos, meter umas no facebook e seriam umas 19h30, hora de jantar por aqui.
Saímos para a pizzaria. De fora não se percebe o que é aquilo lá dentro.
Não muito grande, mas tudo muito arranjadinho (como é hábito por aqui). O tecto era rematado a gesso e palha, as paredes todas feitas de pedra. Perguntaram-nos se tínhamos reserva… Epá, olha, não... É preciso?... Arranjaram-nos uma mesita. Vieram as bebidas e um prato de amendoins… O Barradas escolheu a 4 queijos, e eu a de “chorizo”, queijo de cabra e mel.
A pizza estavam óptimas com massa "fraîche faites maison" (fresca caseira) como anunciava o cartaz na rua… Adorei o toque queijo de cabra com mel.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Emborcamos as pizzas com satisfação e ficamos por ali (a carta de gelados não nos convenceu). Estávamos bem.
Não percebi a pergunta da reserva quando chegámos. Está certo que o restaurante não estava às moscas, mas também não encheu… Deve ser protocolo.
Saímos e demos mais uma voltinha por ali para desmoer.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Estavámos praticamente sozinhos na rua, não se passa mesmo nada por aqui... Umas 22h e os velhotes já estão todos em casa.
Na verdade andava também um tipo estranho pela rua a falar alto e a tirar umas fotos. Mas este não conta, não devia ser daqui.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Ficámos sem perceber se era maluco, ou estava a falar para algum auricular...
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Regressados ao hotel, ainda espreitamos as notícias e o tempo. Perfeito, confirmava-se a melhoria de tempo para amanhã.
Horas de dormir, amanhã temos uns quantos quilómetros para “calcorrear”.
continua...
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #19 em:
Setembro 21, 2013, 13:04:52 pm »
Simplesmente brutal!
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #20 em:
Setembro 22, 2013, 15:08:59 pm »
Ola colegas Triumphistas pelo que tenho lido e visto nas fotos ate agora tem sido magnifico mas também devido a narração que esta muito bem feita sem "massar" na leitura espero poder ler e ver ate ao fim da viagem.
Parabéns.
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #21 em:
Setembro 30, 2013, 09:58:16 am »
Obrigado a todos...
Ora então, vou continuar...
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #22 em:
Setembro 30, 2013, 09:59:14 am »
Dia 04
Acordei depois de uma noite não muito bem dormida. O quarto estava quente, o colchão era estreito e abaulado no centro... Grande nóia.
Em compensação lá fora o tempo parecia estar a virar para melhor, aliás como se previa de véspera.
Higiene matinal, arrumamos as malas, e lá descemos com elas até à garagem onde ficaram as Tigers a pernoitar.
Quando estávamos à volta delas aparece um francês, forte, nos seus 60 que começou a mirar as “meninas” com um sorriso.
Já não me recordo como fez a abordagem ou se fui eu que falei primeiro com ele, sei que ao fim de uns segundos estávamos a falar de motas.
Pelas nossas matrículas ele tinha percebido de onde éramos, fez-me umas perguntas sobre a nossa viagem, e depois contou-me que também ele rolava de mota.
Tinha vendido uma GS há pouco, essencialmente porque a esposa dele já não queria andar de mota. No entretanto comprou uma XTZ660 Ténéré, na esperança de troca pela nova MT-09 que acabou de chegar. Mas estava de olho nas tigresas, e fez-me umas perguntas sobre a máquina.
Dei-lhe o meu feedback sincero, quase 100cv, disponibilidade de motor em baixas como poucas, confortável, fácil de conduzir, 2 anos, mais de 20 mil kms, zero chatices. Percebi logo que o tipo era informado, e que seguia as revistas. Estava muito receptivo à Tiger, e acabou por me dizer que ia ver dela proximamente.
Um indivíduo de uma simpatia e educação primorosa, que devo dizer, foi o que presenciámos em todo o lado francês dos Pirenéus por onde circulámos.
Nisto eram quase horas de pagar, a recepção abria às 9h00. Aqui como da outra vez, decidimos que tomaríamos o pequeno-almoço no caminho… Ainda bem que o fizemos, mais adiante vão perceber porquê.
Hoje o dia seria ocupado na estrada, 180kms para fazer, mas com uns quantos locais para visitar.
Primeiro ponto, os lagos do Parque Natural de Néouvielle. Durante a elaboração do traçado, às tantas ponderámos excluir esta subida aos lagos... Felizmente não o fizemos.
Subir aos lagos representa despender umas duas horas no mínimo, não ficando estes a caminho de nada. É lá ir e voltar. Dado a distância que tínhamos de fazer até Vielha, esta ida ficou dependente do estado do tempo… Quando finalmente deixámos Saint-Lary-Soulan, a perspectiva era boa. Já se via nalgumas partes o céu azul.
À saída da vila a estrada estava um pouco mal tratada, com muita gravilha, fruto provavelmente de umas recentes obras. O Barradas seguiu à frente com cuidado com os seus pneus em estado slick. Ao cabo de pouco kms tínhamos chegado ao cruzamento da estrada dos lagos. Daí, começámos a subir em direcção aos lagos.
A estrada começa estreita e enfiada na sombra do vale. Vegetação densa em redor e um piso ainda húmido que implica cautela.
Passamos por uma ponte, e logo percebemos que havia um curso de água por ali. Depois, o arvoredo espalha-se e começa-se a ver o Sol.
A estrada estava a ficar bem torcida e as vistas deslumbrantes. Estávamos a subir por uma paisagem rochosa coberta pelo habitual manto verde viçoso, tão característico daqui.
Espreitando para cima conseguíamos ver os topos escondidos por algumas nuvens baixas, dando um efeito de mistério ao cenário.
Uns quantos cotovelos pela frente, bem fechados, que dificilmente conseguimos fazer sem sair fora-de-mão. A Tiger está como um peixe na água neste tipo de traçado.
A boa disponibilidade de motor em baixa, faz com que se possa fazer cada um destes laços com segurança sem recorrer a embraiagem e raramente à caixa.
Depois de uma boa meia-hora desta estrada, a primeira paragem no lago d’Aubert.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Bem fresquinho o tempo por aqui. O sítio é magnífico, em especial a esta hora da manhã.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Uma tranquilidade profunda, com aquela extensão de água ainda a fumegar com o diferencial de temperatura.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Puxámos das máquinas para tirar umas fotos, e estivemos por ali um bom quarto-de-hora.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Lá no cimo, entre as paredes rochosas conseguia-se ver claramente a parede da barragem a montante. Já lá vamos de seguida.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Esta zona do parque encerra uma série de lagos de boas dimensões. O próximo estava na continuidade deste onde nos encontrávamos.
Tínhamos o ponto no GPS, pelo que seguimos pela estrada. Mas não por muito tempo. Logo adiante a estrada estava barrada com cancela.
Parámos, fomos espreitar e percebemos. Logo depois da cancela está um parque de estacionamento, pago e obrigatório. O acesso ao lago seguinte faz-se a pé a partir do parque. Não seria questão de não valer a pena, mas tínhamos o tempo contado e uns quantos quilómetros para fazer no dia de hoje. Fica para uma próxima, com mais tempo.
Retrocedemos caminho e subimos em direcção à barragem. À medida que se sobe a vegetação fica menos proeminente, sem que por isso as vistas fiquem mais interessantes.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
A estrada continuava desafiadora quanto baste, com as suas curvas entrelaçadas e apertadas.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Quando chegámos ao cimo dos dois mil cento e tal metros, novo espectáculo magnifico.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Aqui a água está presa numa albufeira que se perde montanha adentro.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
O vento frio não era forte, o que permitia vislumbrar o bonito reflexo das encostas na água quase imperturbada.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Havia por ali uns casarucos fechados que em época alta deveriam assegurar serviço de bar e restaurante.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Escusado será dizer que a vista ali de cima era fantástica, conseguindo-se contemplar o lago d’Aubert e grande parte do vale. Creio que as fotos falam por si.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Capturadas todas as imagens, foi com satisfação que regressámos às Tigers para fazer o percurso sem sentido oposto. Maravilha de estrada.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Na subida tínhamos ficado de olho num troço de vista ampla com um rio à beira da estrada a fazer uns jeitos de cascata.
Fomos descendo atentos a esta imagem para uma curta paragem para fotos. Mas quem anda na estrada sabe que o sentido em que se vai dá-nos uma perspectiva diferente do mesmo sítio, por vezes nem parece que já passámos por ali no outro sentido. Pois bem, foi mesmo assim, não conseguimos dar com o sítio... Tudo bem, já levamos aqui uma boa quantidade de postais.
Ao chegar ao cruzamento parámos junto a uma moradia grande que fazia de café no piso térreo. Já seriam perto das 11h00 e nós ainda sem pequeno-almoço… Vamos mas é tratar disso.
Estacionamos as motas junto à esplanada e entrámos. Lá dentro, os proprietários, um casal nos seus cinquenta e muitos, imediatamente nos cumprimentaram.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Espreitámos o placard que descriminava o que havia para consumo… Crepes com chocolate da casa…
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Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #23 em:
Setembro 30, 2013, 10:01:25 am »
Ui, é mesmo isso, mais um café com leite a acompanhar e tudo servido ao Sol na esplanada, se favor.
Sentamo-nos numa das mesas no exterior, e não demorou muito para que nos fossem servidos os crepes e uma enorme chávena de café.
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Estava um pouco fresco lá fora, mas o Sol já batia forte, pelo que ficámos ali muito confortáveis a dar cabo daqueles fantásticos crepes.
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E foram mesmo deliciosos, seguramente os melhores que comemos por estas terras.
Ainda antes de seguir viagem, cruzámos com um casal de alemães numa CBR XX que também ali pararam no café.
O tipo arranhava mal o inglês, mas conseguimos dar-lhe a dica dos lagos, recomendando a subida até lá acima.
Uma nota curiosa, o facto da senhora francesa ter vindo ao exterior se despedir de nós quando se apercebeu que estávamos de partida.
Voltámos a Saint-Lary-Soulan refazendo aquela estrada suja de gravilha, lá chegados mudámos o rumo para Sudeste em direcção a Espanha.
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Começámos a subir de novo, no sentido do Col de Val Louron-Azet (1580m). A meio caminho, parámos para tirar umas fotos à paisagem no fundo do vale.
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Depois no Col, outra paragem. A paisagem aqui é muito interessante. Vêem-se claramente daqui as duas encostas, de um lado Saint-Lary e do outro Génos e o seu lago, por onde iríamos passar.
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No topo, como habitualmente, muito ciclista. Foram uma constante em todo o percurso do lado francês. Andámos verdadeiramente pela terra do pedal. Mas o que mais me espantou, foram as idades dos praticantes. É ver homens de barba branca e senhoras de cabelo grisalho, bem acima dos 50 a lançarem-se sem medos em subidas de 6 a 8% de inclinação. E nós a andar por ali de cu tremido, é de ficar com vergonha.
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Do lado de Génos, andavam por ali um pessoal nos ares em parapente. Descemos a encosta, sempre com os fulanos por cima das nossas cabeças… A ver se não levamos com nenhum.
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Lá em baixo ladeamos o lago que precede a vila. Coisa fantástica, tudo arranjadinho ao milímetro. As margens do lago estão revestidas de um relvado magnífico certo e aparado sem qualquer falha. São a essas margens que pessoal recorre para descanso e recreio.
Chegados à vila, pensámos que seria boa ideia almoçar por aqui. Os tipos almoçam cedo, e encontrámos um restaurante à entrada de Génos. Ficámos logo ali.
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Casita castiça com esplanada exterior, perfeito. Fomos às hamburguesas da região. Pedi um com queijo de cabra e mel (fiquei fã desta mistura) e o Rui mandou vir um estilo montanhês.
Já referi anteriormente que a concentração de reformados por estas bandas é anormalmente grande. Tenho a minha própria teoria que a vida por aqui é sazonal. Em suma, durante as estações do ano mais propícias, os velhotes franceses deslocam-se para estas bonitas terras, para aproveitar o bom ar, fazer caminhadas e dar ao pedal. No Inverno, que por aqui são rigorosos, deve passar-se precisamente o contrário, dando lugar à “juventude” e desportos radicais.
Aí estava a excepção do dia… Uma jovem francesa a atender-nos. Vinte e muitos, cabelo curto, estilo meio-gótico, toda vestida de preto, com um piercing num local curioso. No decote, logo por baixo do pescoço tinha uma espécie de brinco cravado no peito… Pela pronúncia via-se que não seria de cá. Não tinha o sotaque característico da zona, que é semelhante ao que o pessoal tem no Sul de França, um falar cantarolado.
Vieram os hambúrgueres. Estavam assim, assim. A carne era boa, mas no conjunto, nada de espectacular. Pelo que achámos que uns crepes no final ficariam a matar.
Chegámos com Sol e saímos com ele coberto. Seguimos pelo lado contrário ao que tínhamos chegado, parando mais adiante para mais umas “chapas”.
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Continuando para Sudeste, atravessámos a vila de Luchon. Bem engraçada.
Um quanto movimento por aqui, com algumas avenidas longas, a vila tem uma dimensão considerável. O próximo destino seria uma aproximação ao pico d’Aspe, alcançando a estância de Inverno de Superbagnères, a cerca de 1800m. De novo a subir.
Também aqui as chuvas fizeram estragos e novamente um troço de estrada em obras cortado.
Felizmente estavam a deixar fluir o trânsito, de modo que conseguimos passar assim mesmo. Alguma cautela na passagem da obra, com um pedaço de estrada totalmente enlameado.
Com o céu nublado, à medida que ganhávamos altitude, o tempo encobria. Felizmente nada de chuva, apenas alguma água na estrada.
Subimos aquela estrada aos esses até ao cimo da estância.
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Como é normal, nesta altura estes equipamentos estão todos encerrados.
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Mesmo assim é fácil imaginar esta vista toda carregada de branco.
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Quase nos 2000m estava fresquinho… Demos por ali uma volta, e de tantas voltas estávamos os dois a precisar urgentemente de um urinol.
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Fomos espreitar ao edifício que suporta a instância se poderíamos tratar ali da nossa necessidade, mas aparentemente estava mesmo tudo fechado, incluindo WCs.
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Nisto, diz o Barradas, “Ali atrás daquela casa há ali uma casa de banho…” Estava uma casita encerrada as uns 100m complexo. Fomos lá espreitar.
E não é que havia mesmo um WC ao ar livre com vista para a montanha… Foi ali mesmo, fora de olhares indiscretos… Muito melhor… E assim se confirmou a máxima de que, quando mija um português, mijam dois ou três…
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Com tudo despachado, viemos para baixo de novo por aquela estrada louca.
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tudo bem aí?
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Regressámos a Luchon, e saímos em direcção a Espanha.
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De manhã à saída do hotel, em conversa com a recepcionista, esta tinha-nos avisado que do lado espanhol tudo mudava. Gentes, vegetação, paisagem e até a temperatura com diferença de mais 10ºC.
Estávamos a confirmar isso. O arvoredo estava a mudar de um estilo “alpino” para um estilo “ibérico”. E o tempo parecia também mais quente.
E continuávamos a subir. Sabíamos que a fronteira se situava no cimo de um Col, a 1291m.
O tempo esse continuava meio encoberto.
Chegámos então ao Col do Portillon por volta das 16h30. Aqui deixaríamos França para trás, para entrar nos Pirenéus espanhóis, mais especificamente no vale de Aran (Val d’Aran).
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Estácionamos as Tiger, só para registar o momento. Por ali andavam uns quantos espanhóis a fazer o mesmo que nós, passear.
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Uns velhotes que seriam daqui perto ficaram curiosos connosco, e a espanhola mais atrevida ariscou conversa. Perguntou-nos de onde vínhamos. Estivemos ali uns breves minutos à conversa. Gosto deste tipo de contacto com as pessoas por onde passo nas viagens. Para além de nos ajudar a integrar nos sítios, gosto de pensar que é também uma maneira simpática de reconhecimento. As pessoas gostam da sua terra, e acho que gostam ainda mais que os outros também a apreciem.
Despedimo-nos dos velhotes, e descemos pelo lado espanhol. Tínhamos mais 15kms pela frente até Vielha, onde iriamos pernoitar.
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #24 em:
Setembro 30, 2013, 21:53:10 pm »
Citação de: Cobra em Setembro 30, 2013, 10:01:25 am
[Crónica] Rota TransPirenaica #2013
Brutal!!
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #25 em:
Setembro 30, 2013, 22:13:05 pm »
O caminho até Vielha foi repartido em 9 kms de curvas enroladas seguidas de uma valente recta sempre junto ao rio Garona que nasce a Este de Vielha.
Vielha é uma cidade de montanha de tamanho moderado. Assim que se chega percebe-se que é espanhola. As casitas seguem o perfil das que vimos do lado francês, em pedra com telhados pretos empinados, mas o povo que circula na rua nada tem a ver com o outro lado.
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Encontrámos o hotel com facilidade. Localização perfeita, nem muito afastado, nem muito próximo do centro. O Barradas foi à recepção fazer o check-in. Eu domino o francês, ele o espanhol, o que permite uma divisão perfeita de tarefas.
O estacionamento fazia-se no exterior em parque descoberto, pelo que em alternativa nos autorizaram a parquear as Tigras à porta do hotel. Descarregamos as malas e metemos os cadeados.
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Foi assim que prendemos as Tigras, aos quadros.
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Esta aprendi de um profissional do furto. As rodas, parece que se tiram com facilidade. Preso ao quadro, só rebentando com a corrente ou cadeado.
Já agora fica outra, cadeados de disco, nas duas rodas, ou preferencialmente metidos na roda de trás com direcção trancada. Parece que existe uma técnica que é meter um patim na roda da frente e carrega-las.
O hotel era espaçoso, mas o elevador nem por isso. Não foi fácil entrarmos os dois cada um com duas malas. O quarto era agradável e espaçoso quanto baste. Desempacotamos a tralha e tratamos de trocar o equipamento de mota por roupa à civil… Ah, e também de ligar a tralha dos carregadores à tomada. O Barradas teve de fazer de electricista para fazer uma puxada à tomada da televisão.
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Finalmente fomos à rua, dar um giro ao local.
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este deve ser primo
O tempo continuava nublado com temperatura agradável.
Descemos até ao centro, onde numa das ruas estava uma grande algazarra.
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Claramente aqui o espírito é outro. Nada de reformados certinhos, bem comportados e discretos. Aqui é… Fiesta!... Juventude por todo o lado e as velhotas como as novas, arreadas de cima a baixo.
Imaginem só o que o pessoal estava a fazer para passar o tempo?
Deixo aqui uma fotografia…
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Pelo que percebemos seria um "campeonato" de empilhanço de grades de coca-cola… São doidos estes espanhóis.
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Um empilhador ia fazendo chegar as grades ao artista.
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O camarada da foto devia ser o detentor do título… Estivemos ali um bom bocado à espera que o homem virasse as palhetas… Eu queria apanhar a queda em vídeo, mas o tipo demorou tanto que fiquei sem bateria para registar o momento.
Caminhámos um pouco pelas ruas de Vielha, que estava muito animada.
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Havia ali uns carroceis e outras coisas do de feira. Deveria ser dia de festa aqui no sítio.
Passámos por uma igreja que pelo aspecto seria mesmo muito antiga.
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Infelizmente estava fechada para obras de restauro.
No percurso que fizemos a pé, às tantas tínhamos um espanhol aos berros connosco.
Não nos queria por ali, estava a armar fogo-de-artifício… Bonito, esta noite vamos ter morteiros.
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Depois da voltinha pela cidade regressámos ao hotel. Ainda tínhamos tempo para dar umas tecladas na net. Infelizmente o Wifi (ou Ouifi, como se diz em Espanha) tinha tido um fanico.
Bem, fomos fazer tempo para o quarto. Aproveitámos para arrumar umas coisas e ver a previsão do tempo. Tudo de bom para amanhã. Excelente!
Nisto seriam horas de jantar. Descemos ao restaurante do hotel, a sala estava meio-cheia. Algum barulho claro, não estivessem aqui espanhóis.
Sentámo-nos e fizemos a nossa selecção no menu. Dois pratos, como é costume. Para mim huevos revueltos (ovos mexidos), seguido de um lomo de cerdo (lombo de porco).
Não estando nada de espectacular, não estava mau de todo. Típica comida espanhola.
No fundo da sala estava um grupo de velhotes espanhóis a dar-lhe bem.
Alguma excursão ou viagem organizada. Eram tabuleiros e tabuleiros de comida, despejados para aquelas mesas.
Ao nosso lado estava uma mesa com três casais, que julgo serem catalães, pois falavam um raio de um dialecto que pouco se percebia. Uma mistura de francês e espanhol, mas eu só conseguia apanhar umas palavras de vez em quando, tal qual o crioulo.
Satisfeitos, regressámos ao quarto para meter o sono em dia.
Já deitados ouvimos os morteiros. Toca a dormir, que amanhã teríamos Andorra pela frente com umas 5h de condução e umas quantas e boas paragens.
continua...
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Última modificação: Setembro 30, 2013, 22:16:23 pm por Cobra
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #26 em:
Outubro 01, 2013, 09:15:32 am »
Excelente crónica, como sempre
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #27 em:
Outubro 01, 2013, 23:50:12 pm »
A qualidade continua igual e o meu interesse de ver como acaba a viagem também.
He he he
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #28 em:
Outubro 13, 2013, 22:42:08 pm »
Obrigado pessoal.
Ora então, mais um dia.
Cumps!
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Re: [Crónica] Rota TransPirenaica #2013
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Responder #29 em:
Outubro 13, 2013, 22:42:47 pm »
Dia 05
Depois de uma noite bem dormida, rotina habitual da manhã.
Deixámos tudo arrumado e descemos para o pequeno-almoço já com as calças de rolar vestidas.
Na sala de refeições do hotel já nos aguardava uma copiosa refeição.
Deve ter sido provavelmente o pequeno-almoço mais abastecido que tivemos em toda a viagem. Torradas, pães, frutas, cereais, iogurte, tomate, queijo, carnes frias, croissants, donuts, outras pastelarias, e devo estar a esquecer alguma coisa… Chiça!
Os espanhóis faziam fila à frente do pão torrado e dos tomates (salvo seja). A torrada em Espanha também se come de tomatada.
Em cima do pão torrado, com os ditos cortados a meio (ouch!), o pessoal barrava o pão até ficar praticamente com a pele na mão. Depois, vai azeite e sal por cima. Obrigado, eu passo esta receita, e fico-me pelos doces.
Café é que estamos mal, era aquela aguadilha escura espanhola a que já estamos habituados.
Comemos e repetimos. Saímos de lá bem satisfeitos.
Buscar as malas, pagar a conta e siga caminho.
O dia estava soalheiro mas a atirar para o fresco. Atestámos os depósitos à saída de Vielha e continuámos para Sudeste.
9h35 e estávamos despachados e a rolar. Seguimos pelo Val d’Aran atravessando umas quantas aldeias pequenas engraçadas em tudo semelhante a Vielha. Casas de pedra de telhados negros a pique.
Depois começámos a subir até ao pico de Port de la Bonaigua até uns 1600m de altitude.
E se estava fresco cá em baixo, lá em cima estava um pouco mais.
Ao chegar ao cimo, fomos recebido por esta comitiva.
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Estes amigos são bem simpáticos e engraçados com as suas fartas crinas e aspecto arredondado. Estão relativamente habituados à presença humana, e não se negam ao contacto, embora também não o procurem.
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Passaram por nós e seguiram para o pasto. E pasto não falta por ali.
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Parámos as motas, e fomos espreitar em redor.
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Tudo desértico, como todas as estâncias por onde passámos durante a viagem. Isto deve ser animado de Inverno, mas nessa altura não se deve andar por aqui de mota.
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Andavam uns tipos pendurados em reparações dos teleféricos. Já se estava a preparar a época.
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Voltámos às Tigers e continuámos pelo outro lado da encosta.
Começavam os laços fechados. A caminho passámos por um grupo de Tigers 800 que se encontravam estacionadas à beira da estrada. Não chegamos a parar mas fizeram-nos uma festa ao passar. Julgo que seriam franceses.
Viemos por ali abaixo com calma a curtir aquela maravilhosa estrada. De torcida passou a uma extensa recta com curvas redondas de boa velocidade. Adoro este tipo de percurso que nos proporciona uma estrada fácil (mas nem por isso menos divertida) e não nos prende demasiadamente o pensamento na condução. Sobra-nos uma reserva para apreciarmos devidamente o local por onde passamos. Gosto mesmo deste tipo de estrada.
Às tantas a estrada enfia por um vale, com uma encosta à nossa direita. Do lado esquerdo conseguíamos ver uma pequena albufeira mesmo junto à estrada.
Muito bonita a paisagem por aqui. Rolámos um bom bocado assim até sair dos Pirenéus. Depois começámos a trepar de novo o monte.
Estrada de piso razoável, enrolada com curvas estreitas, mas sem laços. O ideal para se fazer de mota. Fomos soltos sem exageros, mas a curtir bem aquele traçado.
Aqui a paisagem é desafogada. Já não se vêem aqueles pinheiros alpinos espalhados pela encosta. É serra ibérica, daquela a que já estamos habituados em Portugal.
Subimos um bom bocado até Port del Cantó (1718m de altitude) para aí fazer uma paragem.
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Nesse momento, adivinhem quem chega? Os nossos amigos holandeses da autocaravana. Seria a última vez que os iríamos encontrar, eles seguiriam para o Sul de Espanha e nós íamos rumar para Norte, de novo para os Pirenéus, para Andorra.
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Não demorámos por ali muito. A vista é boa, mas não particularmente espectacular. Voltamos ao asfalto desta vez para fazer a outra encosta do monte a descer.
Do outro lado, o traçado era mais agressivo e divertido. Muitas curvas encadeadas, alguma a requer algum cuidado.
O Rui seguia à frente, e às tantas numa dessas “chicanes” ficámos separados por um daqueles pequenos autocarros. Estávamos afastados uns 100 ou 200 metros, e eu atrás do mini-bus sem visibilidade. O Rui ia a controlar o trânsito e deu-me o OK pelo intercomunicador. E banzai! Lá vou eu! Rodo o punho de acelerador, e sem reduzir mudança ponho o Tigre a rugir. Este motor é fabuloso, não se nega a nada, em 20.000kms feitos devo ter recorrido uma ou duas vezes à caixa para fazer ultrapassagens.
O Tigre enche o pulmão e faço a curva toda fora de mão com visibilidade zero. O tipo do autocarro deve ter ficado de boca aberta a pensar que devia estar possuído por algum demónio.
Prosseguimos com a descida, por aquelas curvas malucas até lá abaixo. Um mimo. E estávamos finalmente a aproximar de Andorra.
Estávamos a prever uma passagem tranquila pela fronteira. O difícil não é entrar, é sair. E assim foi, entrámos sem paragens em Andorra.
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