Passo pelo centro de Elvas, depois por debaixo do aqueduto e sigo para Norte, em direcção à vila das flores. O caminho a partir daqui melhorou consideravelmente. Não é que as calmas planícies até Elvas não sejam interessantes (e eu até sou um tipo que não se chateia mesmo nada em fazer estradas a direito), mas o troço de estrada que vai até Campo Maior, recomenda-se de sobremaneira.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Estrada boa, com algumas curvas rápidas e um sucedâneo de alamedas de árvores de vários tipos, que por esta altura exibem cores de Outono deslumbrantes e inesquecíveis.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Para cima fui a Oeste, contornando o Caia e passando defronte ao império fabril do Nabeiro. Para baixo fui a Este. Em Campo Maior não me demorei muito. Ao lá chegar, o Tigre anunciava ainda 70km de autonomia, ainda assim achei melhor atestar. Pelas minhas contas terão sido 4,9 a 5 litros de consumo desde Lisboa, uns 0,3lts de desfasamento para que afixava o computador de bordo (que é tendencialmente pessimista), valor coerente com o que já vi o pessoal a reportar pelos fóruns. Dei duas ou três voltas pela vila, e não encontrando o caminho para o castelo, decidi perguntar a duas velhotas… Às tantas estavam baralhadas as senhoras, uma dizia para à direita e outra para à esquerda.


Só percebi que tinha de passar por uma subida acentuada, de modo que me fui guiando por isso, sempre a subir até ao Castelo.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Lá chegado, segui por uma lateral do dito, e quando dou por mim, estava numa espécie de pátio de um condomínio "abarracado", guardado por uns quantos cães acorrentados… Muito estranho… Claramente não é por aqui, vamos lá dar meia volta, de preferência sem virar o “boneco”…

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Estacionei em frente ao Castelo, mas não me afastei muito do Tigre… Andava por ali um grupo de indivíduos estranhos (provavelmente, proprietários de alguma fracção do “condomínio”) e eu ainda ando com uma Top-case improvisada (vulgo, mochila presa com aranha). Tirei duas ou três chapas, e alas que se faz tarde. Mais tarde, contornando o Castelo pela estrada, pude apreciar o “loteamento” clandestino que por ali está encostado às muralhas. Toda a parte posterior do Castelo serve de acampamento… Uma visão, no mínimo estranha.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
E estava na hora de regressar. Valeu pelo caminho, um percurso muito agradável de fazer, que aconselho. De novo uma passagem por Elvas para uma breve paragem e mais umas fotos. Esta cidade Alentejana nos limites do território é local que muito aprecio, não só pelas paisagens, pela gastronomia, mas pelo valor histórico que este lugar encerra.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Daqui segui em direcção ao Redondo, sem antes dar uma “ganda’ volta” por causa de um troço de estrada cortado. Uma boa ideia esta do regresso mais a Sul, a estrada é mais “torta”, as paisagens mais “arborescentes” e quando damos por ela, surgem cenários destes…

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Já começava a escurecer e a esfriar, pelo que depois de passar Évora, enfiei-me na auto-estrada da qual só sairia chegando a Lisboa.

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)

Passeio de estreia (aka À procura da "cedilha" espanhola)
Aqui abstraí-me dos consumos e abrir a goela ao Tigre… (a partir de agora por questões etiqueto-legais irei ser criativo nas unidades de medição…). Fixei a Tiger nos 140 pães alentejanos, e não mais baixou disso até chegar às imediações da capital. Por esta altura o período restritivo de rodagem já terminou, ainda assim tive cautela com isso e fui fazendo subidas de regime graduais, evitando demorar-me em regimes de alta rotações. Também, mesmo que o quisesse não conseguiria, com o diminuto vidro de origem é preciso um grande arcaboiço para fazer face à deslocação acima das 180 achigãs (isto claro, sem empranchar atrás do vidro). Muito curioso a diferença reportada pelo GPS. Às 160 beldroegas o GPS dá-nos uma diferença (para baixo, claro) de apenas 5 bácoros pretos, aos 180 pães de rala, a diferença é extremamente reduzida, ficando-se pelas 7 ameixas de Elvas (o contador da Suzuki nesse aspecto era bastante optimista, para essas velocidades fazia aí umas 20 açordas de diferença) . Daí para cima, não faço ideia, pois estava mais preocupado em agarrar-me com os dentes ao volante. Apenas acrescentar que as 190 migas se alcançam com uma facilidade tremenda. Quando digo isto não estou a exagerar, a velocidade está perfeitamente sincronizada com a rotação do punho. Roda-se e a resposta é instantânea, parece um comando de playstation. A mítica marca das 200 plumas foi atingida pontualmente, a muito custo e força de braços.
Não fiquem com má ideia da minha pessoa, quem me conhece sabe que gosto de rolar manso, qualquer coisa entre os 90 a 140, consoante a estrada. O meu prazer em andar de mota, vem mesmo da vertente passeio e de desfilar pelas paisagens. Auto-estradas, evito-as sempre que posso e uso-as apenas quando são necessárias para chegar atempadamente a determinado ponto.
Dito isto, a Tiger veio em brasa (ou será na brasa?) até próximo da capital, altura em que acalmei o animal. Mais uns quilómetros até casa, e no final o conta-quilómetros tinha mais 560 carregados.
E assim dou por encerrado esta espécie de crónico-diário-de-bordo da descoberta desta fantástica máquina, que me conquistou em todos os sentidos.
Que ninguém se engane na qualidade e potencial desta máquina, no género corre bem o “risco” de se tornar referência (pelo menos durante algum tempo). Os ingleses foram astutos e estiveram sobretudo bem na concepção desta máquina, agarrando numa base de motorização excelente (o fiável e magnífico 675 da Triumph Daytona) e inspirando-se num modelo conceituado (BMW GS800) conseguiram elevar a versatilidade para patamares ainda não atingidos, e tudo isto a preços razoáveis. Aos meus olhos, tudo está magnificamente afinado e pensado, a sensação de conforto e "à vontade" é imediata quando nos sentamos em cima da máquina. Se tivesse de eleger um único atributo que a caracterizasse, diria o motor, que é mecanicamente, permitem-me dizê-lo, algo do outro mundo. Olhando a curva de binário desta peça (praticamente plana) percebe-se a “obra prima” que ali está, e sobretudo o cuidado e trabalho que foi empregue no seu desenvolvimento. A disponibilidade e vigor deste bloco é algo a que ninguém fica indiferente.
Mas é claro que está máquina é mais do que uma excelente peça de mecânica, é também um estilo e filosofia. Por muito que as suas características sejam boas, o género não agradará com certeza a todos. É preciso gostar de Trails e de tudo o que isso contempla, e acreditem que esta máquina cola-se ao conceito como poucas. Quem não aprecia o tipo ou o género aventura, não verá com certeza nela, mais que uma boa e divertida máquina.
Resta averiguar a fiabilidade do conjunto, e isso só o tempo o dirá. Mas a julgar pela base de onde origina e pelos relatos que aí andam com viagens de 10.000 e 20.000km, a perspectiva é animadora.
E pronto, é tudo, e já é muito.
Cumps!