Os que me conheçem por aqui já sabem que sou um bom gastrónomo. Há muitas luas que não me calo com o Panturras. Assim, como tinha uns negócios para tratar no Ribatejo, aproveitei os dois graus que se faziam sentir no passado sábado aqui pelo Deserto, e fui até Santarém.
Revesti-me com o meu equipamento barato da Ixon, mas que funciona muito bem para o frio e enfiei umas luvas para moto de neve que comprei on-line, e que é a única solução para as minhas recentes artroses aguentarem o frio. Pois … tenho umas artroses novinhas que adquiri há pouco tempo.
Fui por Canha depois por Coruche, pelas nacionais, nas calmas a saborear o assobio da bela Trophy 1200. Quando estava a começar a gostar da coisa já estava em Advagar, mesmo à porta do Panturras e ainda eram 11 horas. Muito cedo para comer, vai daí fui visitar um amigo que tem uma adega …
Lá tomei um mata bicho para aquecer, ou fingir que aquecia. No fundo da minha alma lembrava-me do ar condicionado quentinho do meu jipe, inglês também pois claro. Mas olhando para a Trophy … que se lixe o jipe; eu já aqueço.
Como era Domingo e o meu amigo tinha mais que fazer do que apreciar-me a esvaziar-lhe o tonel, fui dar umas voltas pelas redondezas e perdi-me. Perdi-me em Dona Belida à porta da Petisqueira do Bêco Dona Belida em Achete. Sim que eu nunca me perco assim muito mal.
Resolvi entrar. Lá dentro o bafo agradável do ar condicionado, quentinho e um cheiro a comidinha caseira fizeram-me lançar âncora. Livrei-me do equipamento e fiquei logo ali.
Saciei-me com umas azeitonas que serviram de preâmbulo a uma sopa de legumes deliciosa e quente.Pouco depois chegavam reforços na forma de um excelente ensopado de borrego.
Lubrifiquei o repasto com duas tacinhas de tinto rubi. E um café acompanhado de um “rebenta tripas” foram a cereja no cimo do bolo.
Fiquei para ali com o olhar entre a televisão e a magnífica paisagem, para dar tempo a que o organismo digerisse parte do repasto.
Tratei de me “desperder” e rumando a Santarém lá voltei pelo percurso inverso.
Foi assim que passando à porta do Panturras acabei por me “empanturrar” num dos muitos pequenos paraísos que Portugal possui.
Para o mês que vem volto lá. Quem puder que me siga.