2ª parteEscusado será dizer que com este calor, o regresso à estrada depois de almoço foi penoso.
Felizmente, e pela proximidade do mar, circulava uma brisa agradável que nos trazia algum alívio e conforto.
Aliás, foi precisamente nessa estratégia que apostámos toda a manhã, seguir pela Costa junto à água.
Embalámos mais um pouco para Sul, até Odeceixe e aí fomos espreitar a praia.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Paragem no cimo para umas fotos da ribeira.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

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[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
E depois junto ao areal.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho


[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Não nos demorámos muito, o clima não estava para descansar ao Sol.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Daqui até próximo de Aljezur e depois mudámos a agulheta para o interior em direcção a Monchique.
Um abastecimento pelo caminho, e depois atacámos tranquilamente as adoráveis curvas de Monchique.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Um traçado formidável, devo dizer. Uma estrada serpenteante com bom traçado pelo meio da folhagem.
Curvas encadeadas, sem grandes surpresas, que permitem desfrutar da estrada e paisagem.
E assim seguimos nesta dança descontraída até aos pés do Alto da Fóia.
Aí subimos o monte para do seu topo apreciar a paisagem… E que grande vista se tem de ali de cima.


[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Sabem o que é aquele aglomerado de casas junto ao mar?

Portimão. Não me estava a orientar e tive de perguntar ao Barradas… O homem não falha, está bem treinado na geografia da região.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

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Aproveitámos o cafezito que existe lá no topo para nos refrescarmos à sombra da esplanada.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho

E vamos seguir caminho que se faz tarde.
Na descida do alto, uma paragem na fonte, que estava bem concorrida, o que não admira com este calor.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Depois recuperámos o “bailado” estradístico por mais uns quilómetros seguindo ass Tigers nas pontas e a Deauville no meio.
O Barradas na dianteira rodou acelerador para ganhar alguma vantagem de modo a poder parar e tirar-nos uns retratos.
Quando passámos por ele, tomei a dianteira e continuámos. Eu por ali não conheço nada, mas tenho o GPS que conhece.
Foi seguindo este que na aproximação à barragem de Santa Clara nos enfiamos por um mau caminho.
O Barradas bem me dizia que não era por ali, mas o sacana do aparelho encontrava ali uma via.
Descemos por ali os três por uma estradeca composta por um misto de ervas, cascalho e terra…
Aquilo parecia ter uns resquícios de alcatrão de um tempo longínquo.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Acabamos por descer sem grandes dificuldades a parte pior e fazer uma paragem lá em baixo para avaliar a situação.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
O estupor do navegador electrónica teimava em apontar-nos em frente, mas achei que seria melhor ir espreitar mais adiante o que nos esperavas.
Não volta aquele caminho não nos levaria a lado nenhum, a não ser a chatices e arreliações.
Montei-me na Tiger e fui bater o terreno. A estrada suficientemente larga seguia a direito pelo meio da vegetação, o piso até era razoavelmente mais limpo que a descida que tínhamos feito. Uns 600 metros adiante a coisa complicava, uma subida em cotovelos apertados. Parei a Tiger, fui a pé espreitar, e voltei convicto que não valia a pena inventar. As XCs passavam à vontade, já andei com a minha em terrenos piores, mas a Deauville claramente não estava apta para isto. E depois não tinha garantia que aquele caminho nos levasse onde pretendíamos. Regressei junto dos Ruis, e disse-lhes que o melhor era arrepiar caminho e voltar à estrada.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
A nossa preocupação era a mota do Atikman, pelo que nas primeiras dezenas de metro acompanhámo-lo a pé, um de cada lado. O Rui Tripa doseou suavemente o acelerador e embraiagem, segurando bem a direcção que teimava seguir aos solavancos. Abriu caminho pelo cascalho e alcançou o topo sem grandes dificuldades.
Felizmente nada de percalços, só umas pingas de suor. Agarramos nas Tigers e fizemos o mesmo. Engatei segunda e num instante estávamos todos de regresso à estrada e de seguida junto à barragem. Foi a decisão correcta, não valia a pena teimar naquele provável beco sem saída, ficou a lembrança para recordar.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Aqui no interior o calor estava como se previa, pior. Não ficámos ali muito tempo, só mesmo para tirar duas ou três fotografias.


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Vamos nessa, rumo a Norte.

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Daqui em diante seguimos tranquilamente por nacionais a ritmos moderados, ultrapassando sem sobressaltos os automóveis que íamos apanhando à nossa frente.
Já próximo da Mimosa, passámos por uma mota parada na berma. Eu reparei que estava alguém ao telemóvel junto dela, e metros adiantes vimos uma pessoa de capacete na mão a pé… Pronto, estão apeados… Encostámos para ver se podíamos dar alguma ajuda.
Perguntei à rapariga que seguia à pé, se estavam apeados… Ela respondeu-me que sim, tinha rebentado um pneu.
Ora bolas… O rapaz empurrou a moto até nós e explicou-nos o sucedido.
Vinham do Algarve, numa Suzuki Burgman carregada de malas e alforges (aquilo da estrada pareceu-me uma Pan European), quando se lhes estourou o pneu traseiro.
Um rasgo grande, totalmente irrecuperável. Tinham ligado à assistência em viagem e marcado encontro no posto de abastecimento da Mimosa, a uns 2kms dali.
Estivemos a falar um pouco com ele, que estava um pouco desorientado. Parece que tinha ido na conversa do homem do reboque que não queria levá-los até Sesimbra, dizendo que teriam de arranjar por ali uma oficina… Domingo às 6 da tarde na Mimosa, está-se a ver que vai ser fácil.
Ele estava com vontade de empurrar a mota mais 2kms até à Mimosa. Dissemos-lhe para deixar a mota naquele lugar, e que levaríamos um deles até à estação de serviço para se encontrar com o tipo do reboque. E claro, indicamos-lhe que teria de insistir com o tipo para os rebocar até casa, para isso serve a assistência em viagem.
Acederam, ele ficou junto à mota e a rapariga iria connosco de boleia até ao posto de abastecimento.
Ela tentou subir para cima da Tiger, mas revelou-se um problema… A altura e a perna curta… Ainda fez uma ou duas tentativas, mas depois o Rui Tripa sugeriu que fosse com ele na Deauville mais rasteirinha. E assim foi, deixámos o rapaz junto à Suzuki sem pneu e seguimos até à Mimosa.
Aí deixámos a rapariga que iria aguardar pelo reboque e continuámos o nosso caminho.
É algo que gosto este espírito solidário entre o pessoal das duas rodas. Desta vez fomos nós a ajudar, mas já me aconteceu no passado quando parado à beira da estrada para fazer uma chamada que passassem por mim a perguntar se estava tudo bem. É assim mesmo, temos de olhar um pelos outros. É isso que nos distingue e nos identifica.
Continuamos para Norte até Grândola, onde parámos num boteco recorrente, o Príncipe Isaías. Nem é bom, nem é mau, é barato e saio de lá sempre satisfeito.

[Crónica] Rota do Medronho - 7 de Julho
Bifanas para todos para aconchegar o estômago, que hoje chegamos a casa lá para as 22h00… Sem stress, os dias estão longos e está um calor do cacete!

Nacionais por aí acima, e paragem final na Marateca para despedidas. O trajecto final seria feito pela auto-estrada com os Ruis a seguir pela Vasco da Gama e eu pela 25 de Abril.
Excelente dia, um pouco de calor a mais é verdade (provavelmente o mais quente do ano!), mas como se diz, quem corre por gosto não cansa!
Total mérito e destaque para o Atikman que com muita vontade, resolveu passar à acção! Compareceu cedo para nos fazer companhia, passando por uma “prova” dura, 600 e picos quilómetros de filada com uma temperatura infernal, digo-vos sinceramente que não é o melhor cenário para um passeio destes… Mas aguentou-se à bronca sem protestar e acompanhou-nos sempre com à vontade… Espero não estar enganado, mas este rapaz tem estofo de Padeiro!
Obrigado Rui Tripa pela tua companhia, espero que te tenha agradado o formato, e fica a ressalva que Padeiradas com este calor são excepção não regra!
E claro também um agradecimento ao Rui Barradas, um fiel companheiro destas “aventuras” de estrada. Um dia desses fazemos um livro de muitas páginas destes relatos.
Fica aí mais uma crónica com relato e fotografias para a posteridade!
Cumps!