Faz agora quase um ano que recebi a que já se tornou a minha fiel companheira de estrada e efectuei com ela uma volta inaugural recordada nesta crónica
aqui.
Pois bem, o amigo Barradas estava de volta à capital e doidinho para queimar "gomas", já que não punha o seu digno traseiro em cima do felino desde a famosa volta a Madrid em 24h...
Ainda sem destino, a meados da semana manifestou-me a sua intenção de "viajar" no sábado próximo, numa volta em formato "em cima do joelho", sem reservas, nem compromissos. Eu, tinha acabado de
Ir Comer a Penela no fim-de-semana anterior, mas para quem já me conhece, só se não me agradar ou eu não puder mesmo ir. As "cenas" entre nós alinham-se naturalmente, as ideias complementam-se, as expectativas que ambos temos do que é um bom passeio de mota são perfeitamente as mesmas e depois de tantos quilómetros feitos juntos na estrada a cumplicidade é total. É assim, tenho a perfeita noção que esta "simbiose" motociclista não é coisa que se veja todos os dias, e por isso dou-lhe valor.
A perspectiva do tempo era boa, calor à farta, coisa que também gosto. Mas porra, um compromisso no sábado impedia-me de comparecer à formatura... De modo que tive de lhe dizer, que ia passar.
Felizmente de véspera o dito compromisso ficou para o fim-de-semana seguida, e informei logo o camarada que estaria disponível para andar de cu tremido no dia seguinte.
A isto o Rui respondeu-me com duas alternativa, sendo a última mais do seu agrado... E claro, em sintonia, também a minha preferência seria para esta...
E por esta altura já devem estar a adivinhar o plano... O homem depois de fazer 1600kms de rajada, fica uns meses à míngua, e o que lhe apetece fazer?... Estrada pois está claro.
Ora nós aqui no rectângulo, para fazer quilómetros sem contribuir à dízima da estradas pagas, só temos um remédio rumar para Espanha pelo Alentejo... E calhava bem, já uns tempos que estava debaixo do radar a famosa ponte romana de
Alcántara.
Imediatamente sugeri um dos trajectos por Cedilho, por onde entra o Tejo no território. E para não repetir estrada regressaríamos por Portalegre... Qualquer coisa como isto...
http://goo.gl/maps/HQjysCedinho, no ponto habitual lá metemos as Tigers pela nacional. Travessia do Ribatejo fresquinha como é habitual pela manhã e só a partir de Ponte-de-Sôr é que o Sol começou a aquecer.
Paragem em Nisa para um café e umas queijadas.
beldades inglesas
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Depois passagem ao largo de Montalvão, mais um pouco e já estávamos a cruzar a fronteira na barragem de Cedilho, local onde se junta o rio Sever ao Tejo.
barragem de cedilho
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
à sombra
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Espanha a dentro, com o "P" bem visível na traseira cruzámos aquele pedaço da Estremadura. O calor estava a pique, um verdadeiro bafo infernal que se ajustava bem às paisagens secas e áridas da região.
Durante vários quilómetros não avistámos mais que hectares de terra seca com algum gado disperso e alguns passarões (abutres negros) de asa larga a mirar-nos por cima em voos circulares.

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
A estrada era boa, praticamente a direito com alguns troços variados de curvas largas. O trânsito por aqui é pouco ao nenhum, só se avistando gente nos poucos pueblos por onde passávamos.
a enxotar um bicharoco do capacete
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Só abastecemos perto de 300kms feitos já em
Alcántara... Mesmo depois da subida do IVA ainda vai compensando meter gasolina no país vizinho, já o Diesel, não vale a pena.

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Atravessámos a cidade e saímos na outra ponta onde se encontra a dita e famosa ponte, magistral e imponente.

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Alcântara em Árabe, significa ponte, está explicado.
A ponte é magnífica e nestas dimensões de origem romana foi a primeira que vi. Com 200m de comprimento e 60 de altura, a sua origem remonta ao século II, está inteiramente calcetada e mais ou menos ao centro está ornamentada com um soberbo arco triunfal em homenagem ao
Emperador Trajano.

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Puxámos das máquinas fotográficas e fizemos o gosto ao dedo, andando por ali para à frente e para trás.
e o tejo
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
as inglesas apreciam o calor, mas deixámo-las à sombra
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
a montante, a barragem de alcantara
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
antiga azenha
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
foto da praxe
Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Já eram horas de almoço, mas antes ainda fomos à barraquinha de recuerdos logo ali defronte. Comprámos o típico imane para a colecção, e perguntámos ao fulano onde se podia ali comer.
Regressámos a
Alcántara, seguindo as orientações do espanhol. Lá demos com o sítio uma agradável praça com uma série de botecos em redor.
As indicações eram para procurar um "bar novo", e nestas condições ali só havia um, o bar/discoteca "Lisboa"...

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Ficámos espantados. A esta hora queríamos comer e não bailar... Mas a danceteria estava cheia de pessoal e aparentemente nenhum estava a dançar.
Almoçar numa discoteca é coisa a que não estamos habituados, mas este pessoal por cá vive as coisas de outra forma, sempre em farras, de modo que lá fomos ver o que se comia.
Chegámos ao balcão e perguntámos pela ementa - orelha, llomo, queso, presunto... Ena... Parece que não há bacalhau com natas... Venha llomo então.
Ficámos na esplanada mesmo virado de frente para as meninas... Daí a pouco veio o llomo...

Passeio a Alcantara (ou À procura da cedilha espanhola #2) (15SET2012)
Não é que estivesse mau, antes pelo contrário. Depois de provar percebemos que era uma espécie de enchido de presunto, mas de um nível superior. De excelente sabor praticamente se derretia na boca.
Mas a mim calhava-me bem algo com mais substância de comer com faca e garfo... Paciência, já aqui estávamos. De seguida veio um prato de queso e ficámos por aqui.
continua...