Autor Tópico: Rota Berber #2012  (Lida 10791 vezes)

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #45 em: Julho 09, 2012, 20:46:42 pm »

A mim apetecia-me enfiar-lhe o chapéu até aos queixos, mas ainda fui ter com o tipo e apontei-lhe o dedo ao nariz… E ele nada… Parece que estão treinados para não reagir. Por esta altura eu já tinha a voz bem alta, e o fulano podia não perceber francês, mas percebeu que estava de “trovoada” e estrategicamente mudou-se para o outro lado da rua… Bom esquece… Vamos mas é embora… Novamente, o mesmo “filme”. Não é por mais 50, ou menos 50 cêntimos, é pela atitude, e porque ninguém gosta de ser enganado.


Tínhamos mais uns quilómetros desta deliciosa estrada costeira para fazer. Às tantas, e porque já íamos fartos de andar pelo cimo da costa, metemos-nos por um caminho de terra que levava até perto do mar. Mesmo carregadas, um troço fácil para estas trails, apenas com algum cuidado no final onde o terreno tinha um pouco de areia.


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Rota Berber #2012

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Instantes antes o Barradas tinha feito uma paragem forçada. Segundo ele, a Tiger estava a fazer um “grilar” estranho em baixas, em mudanças altas. Ficou preocupado, mas a situação não parecia ser constante e do mesmo modo que veio, foi-se. Quando parámos lá em baixo uma inspecção mais atenta revelou que o suporte inferior de fixação do radiador estava em falta. Era o segundo parafuso que se perdia. O primeiro, um parafuso de fixação da carenagem da VStrom do Benedito tinha ido à sua vida logo no primeiro dia. Nada de grave, quer num caso, quer noutro, dado que as peças estavam fixas por outros pontos. Uma situação normal depois de tantos dias de solavancos e vibrações.


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Talvez o ruído que o Rui sentiu momentos antes, tivesse a ver também com esta situação. Mais tarde atribuímos este grilar, e também umas falhas de ralenti que tinha sentido na minha Tiger à saída de Maraquexe, à qualidade da gasolina. Já tinha ouvido e lido sobre a falta de qualidade de gasolina por aqui, que deverá depender muito dos locais onde se abastece. Tentámos sempre que possível abastecer em estabelecimentos que pela sua aparência nos davam alguma confiança. Mas parece que por aqui o combustível tem alguma mistura de água, e ao fim de muitos quilómetros isso faz-se sentir no trabalhar dos motores… Nada de grave ou preocupante. Mais parafuso, menos parafuso, as três máquinas nunca se negaram a seguir a toque de acelerador.


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Voltámos à estrada e ao nosso caminho. A paisagem continuava agradável, sempre com o mar à nossa esquerda. De caminho ainda vimos um ou dois dromedários a pastar à beira da estrada. Depois lembro-me de passarmos próximo daquilo que parecia uma feira de burros com centenas deles amarados às carroças do lado fora. Fizemos mais uns quilómetros e finalmente entrámos em El Jadida, o nosso destino. Na paragem anterior, numa estação de serviço à entrada da cidade, vimos que o Barradas não estava sossegado. Estava ali com um desarranjo na zona do abdómen. Deveria estar na mesma situação que tive há uns dias. O organismo estava a ressentir-se dos menus! Disse-nos que aguentava até ao hotel, mas a coisa estava agitada. Entrámos pelo Souk de El Jadida, claro. Pelo meio das frutas e legumes chegámos à porta da fortaleza. Dado que não conseguimos arranjar as coordenadas certas do Dar El Jadida (local onde iríamos ficar) as coordenadas que levávamos do GPS eram da proximidade da cisterna portuguesa.


Logo no interior da fortaleza estão uma série de lojas. Pedi ajuda a um lojista, que me indicou o caminho com a promessa de uma visita à sua loja, OK. Ainda me disse a correr que o avô dele era português, chamava-se João.
O Dar não era muito longe dali. Passámos a cisterna, virámos numa ruela à esquerda e seguimos por ali, como nos tinha indicado o marroquino. A rua termina numa praça, e mesmo aí vislumbro um tipo de bigode abastado nos seus cinquenta e muitos a fazer-me sinal… É aqui.


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Deixámos as motos na praça e a primeira coisa que fiz foi pedir ao fulano que apontasse ao Barradas o caminho da casa-de-banho… O Barradas saiu disparado e eu e o Benedito ficámos com o fulano… E o fulano, era o Massimo, um ex-gondoleiro veneziano radicado em Marrocos e proprietário do Dar El Jadida (ou “casa del gatto” em italiano). O Massimo arranhava o francês e o inglês. Fui falando com ele em francês, e percebíamo-nos. Como personagem é o típico porreiraço! Levou-nos logo para a entrada do Dar e mostrou-nos no facebook umas fotos de outros portugueses que por ali tinham passado há dias. Não conhecíamos.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #46 em: Julho 09, 2012, 20:47:42 pm »

Na recepção estava um quadro pendurado com uma foto grande do Massimo na companhia da sua mulher, ambos em cima de uma moto Guzzi… Ui, também é motard!
Por cima estava uma luva de cabedal, mas apenas uma. Explicou-nos que era a luva dele, e que numa volta de mota tinha perdido a outra. Também nos falou do grupo de amigos das motas que tinha em Itália (“Ombre Rosso”), e da morte da mulher há uns quatro anos… Estávamos em casa.
Ofereceu-se logo para nos servir o jantar, um magnífico spaghetti al salmone, por 60 Dirhams… O Barradas já estava connosco, e esta oferta era tudo o que queríamos ouvir… Uma “pasta” feita por um italiano com pinta de apreciar bem as coisas boas da vida, não poderia com certeza desiludir… Aceitámos.


Seriamos os únicos a ficar no Dar esta noite, pelo que em vez de ficarmos três no mesmo quarto, acabámos por ocupar os dois quartos de um piso. Os roncadores para um lado e outro para o outro. Foi aí que conhecemos a companheira do Massimo, uma marroquina dos seus trinta e poucos anos originária do Sul de Marrocos, junto à Mauritânia… Era alta, simpática, com uma pele de cor escura e feições mais africanas que marroquinas. Falava bem francês, mas tinha alguma dificuldade na construção das frases, o que por vezes confundia a percepção do que queria exprimir. Não fixei o seu nome. Era ela que parecia tratar da lida da casa. Foi ela que nos negociou um guarda para as motos na praça. Ficámos com dúvidas se seria mesmo necessário, ou se seria mais uma forma de fazer o “favor” a um desgraçado. Seriam 100 Dirhams pelas três motas, mas em serviço de plantão. O tipo iria literalmente dormir de frente para as motas… Recomendaram-nos os serviços do guarda, porque a zona era antiga e tal… e nós aceitámos.


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Rota Berber #2012

No topo do Dar


Queríamos claro, visitar a cisterna portuguesa. E por isso apressámo-nos em descarregar as malas e correr para lá. Na verdade não foi preciso correr, a cisterna ficava logo ali a 50 metros da casa do Massimo. Entrámos no edifício que faz também funções de esquadra. Pagámos a entrada, 10 Dirhams. Parece que é bilhete padrão, tudo o que é monumento nacional tem esse preço. Depois abriram-nos a porta de madeira de generosas dimensões que dá acesso à cisterna. E aí pudemos assistir ao maravilhoso espectáculo que é esta obra de arte da arquitectura Manuelina. Antes de continuar o relato, algum contexto histórico.
À semelhança de Essaouira, El Jadida é também uma ex-cidade portuguesa. Por volta de 1500 sob o nome lusitano de Marzagão, pela nossa mão foi aqui fundada uma vila. 40 anos passados, e depois da coroa portuguesa perder os portos de Agadir, Safi e Azemmour, o rei ordena a fortificação seguindo o modelo militar de fortaleza em estrela armada com cinco bastiões. Ao fim de um século, com o interesse dos portugueses virado para o “Novo Mundo” e o cerco árabe permanente, os habitantes de Marzagão transformam a antiga sala de armas em cisterna de águas pluviais, vital para a sua sobrevivência. O domínio português finda-se em 1769 quando a cidade fortaleza é retomada pelos árabes após um cerco levado a cabo com 120.000 soldados árabes e berberes. Na sua fuga, os portugueses destroem o que podem da cidade, tendo esta sido reconstruída apenas em 1820. É neste cenário que nasce e se mantém a “cisterna portuguesa”, obra de estatuto importante na arquitectura Manuelina e Renascentista, e desde 2004 incluída no restrito património mundial da UNESCO. E foi precisamente a este local que tivemos acesso.
O interior é iluminado por uma luz fraca e por uma abertura central em forma circular. O solo tem uma leve inclinação para o centro e é chumbado para garantir a estanquicidade.


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Um dos efeitos cinematográficos deste local é proporcionado pela fina película de água que cobre o fundo. Proporciona um espelho de água perfeito, conseguindo reflectir os pilares e a luz exterior que passa pela abertura destinada a receber as águas pluviais. Os seus 34 metros quadrados de área habilitam a sala com propriedades de eco e conferem um ar austero ao local. E por ali estivemos mais de meia-hora, a tentar captar as melhores imagens deste fabuloso local! É claro, a fraca luz não é amiga da fotografia e dado que não tínhamos connosco tripés de jeito, tivemos de improvisar com as condições que havia.


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Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #47 em: Julho 09, 2012, 20:48:13 pm »

Depois saímos da cisterna e fomos passear até aos mercados da Medina. O Barradas por esta altura procurava desesperadamente umas bananas… Diz que prende!


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Rota Berber #2012



Lá encontrámos as bananas numa das muitas bancas de fruta do mercado. Continuámos rua acima, e o Benedito foi espreitar umas roupas. Seguimos mais um pouco e parámos num boteco curioso, repleto de juventude. Sítio onde há muito marroquino a comer, é bom sinal! No interior estava um tipo a estender e cozer uma espécie de massa de crepe num quadrado com perto de 1 metro de lado. Depois passava esse crepe gigante a outro que cá fora retalhava-o em bocados, e servia-os aos que jovens que se acumulavam à volta dele. Os bocados eram cortados consoante o preço que se pretenda, e alguns borrifados com mel no interior. Este crepe, já o conhecíamos, ainda que não nestas dimensões, era presença frequente nos nossos últimos pequenos-almoços. Trata-se de um crepe marroquino folhado à base sêmola, conhecido por Msemen.
Ficámos com vontade, aproximámo-nos para saber de preços. Um dos jovens que ali estava percebeu logo o nosso interesse e explicou-nos que havia bocados para vários preços, 1, 2, 5 ou 10 Dirhams. Pedimos um pedaço grande com mel, creio que de 5 Dirhams (menos de 0,50€). Embora o Benedito se queixasse que não lhe sentia o mel, estava bom. Um pouco enfartadiço, mas bom. Demos a volta ao mercado e continuámos pela Medina contornando as muralhas da fortaleza portuguesa. Às tantas andávamos um pouco perdidos, mas lá se achou um caminho. Passámos por umas ruas estreitas, cheias de povo e negócio. Muitos legumes, e carnes penduradas ao género daqueles talhos improvisados marroquinos. E, finalmente o mar. Estávamos junto à costa do lado fora da fortaleza. Nada de muito especial.


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À nossa direita as muralhas velhas e imponentes, à esquerda o mar e continuação da cidade. Lembro que de caminho passámos por um cão deitado junto à muralha, primeiro achámos que estivesse a dormir, mas no regresso percebemos que tinha morrido há pouco… Uma penosa memória.


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Rota Berber #2012

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Afinal há por cá escolas de condução, mas devem ser uma mera formalidade


Reentrámos na fortaleza, por uma porta larga e baixa da muralha. Por cima ainda se conseguia ler “Porta dos Bois”… Mau…


Facto curioso é apesar da cidade ter abdicado do seu nome português, as ruas no interior da fortaleza manterem os seus nomes originais portugueses. Regressámos pela rua da Cadeia, nas costas da cisterna.


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Rota Berber #2012



Ainda por lá se vê o edifício selado com as janelas gradeadas. Passámos pela esquadra que partilha o edifício da cisterna e regressámos pela rua dos lojistas… E claro, fomos “agrafados” por um! Lá nos convenceu a entrar na loja deles (é o primeiro passo, todos querem isso) e fez-nos a demonstração dos artefactos. O povo aqui tem fisionomia diferente. A pele é escura em tom ocre, como é habitual na maioria dos marroquinos, mas o rosto é diferente, mais redondo, nariz aquilino e com os olhos menos escavados. São traços que nos são mais ou menos familiares. Aqui há mistura de sangue luso e marroquino e isso é visível.


O tipo tinha a loja muito bem arranjada. Mostrou-nos um pouco de tudo. Cerâmica de Fés, punhais tuaregs, jóias berberes, mantas marroquinas, etc… Um pouco de tudo, com extremo bom gosto e qualidade. O Benedito fez um reparo, que lhe agradava as mantas, mas que não tinha mais espaço para levá-las… O marroquino já não o largou… Tivemos de lhe explicar que estávamos no fim da viagem, carregados e de mota. A conversa acabou com o marroquino a dizer, que se a vontade de Alá fosse que ele levasse a manta, que ele iria levar a manta! Disse-nos que teria a loja aberta até às 20h00, e quem sabe regressando ao hotel não conseguisse encontrar um espacinho na bagagem para enfiar mais uma manta… Os tipos não desistem mesmo de nos vender tralha. Agradecemos e fomos embora.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #48 em: Julho 09, 2012, 20:48:45 pm »

Regressados ao Dar, o Massimo deu-nos conta da hora do jantar, pelas 20h30… Dava tempo para tomar uma banhóca e consultar um bocado de net.


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

a meter umas fotos


Depois subimos ao telhado do Dar onde está montada uma marquise com uma belíssima esplanada, que oferece uma tremenda vista sobre os telhados da fortaleza portuguesa. Ficámos radiantes! A marquise era grande o suficiente para acomodar uma pequena cozinha e uma sala de estar. Entrámos e já por lá se encontrava o Massimo e sua companheira. Ele fazia anos, teríamos portanto bolo e champanhe por conta!


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Rota Berber #2012

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Rota Berber #2012

a "pasta" estava espectacular


A massa estava estupenda, como só os italianos sabem fazer. Falámos de uma série de coisas. Da vida, da nossa vida, da vida deles, e de como se vive por aqui. Entre outras coisas, ficámos a perceber que a vida por ali é extremamente barata, que o Massimo se radicou por ali por estar farto da situação política e económica no seu país. Quando lhe fiz a pergunta do porquê da mudança, respondeu-me: “Berlusconi”!… Farto de impostos, da corrupção, de uma economia em crise e depois de perder a mulher, e já com a filha criada resolveu mudar-se de armas e bagagens para El Jadida. Tinha feito duas ou três viagens a Marrocos antes, e El Jadida, cidade mais calma à beira mar, pareceu-lhe o ideal para se estabelecer. A filha e netos estavam em Itália, mas faz-lhes visitas frequentes, e todos os dias falavam e via-os pela internet. Gostava de viajar, e todos os anos visitava um lugar diferente. Já tinha estado uns dias em Lisboa, e durante a estadia fez questão de todos os dias comer bacalhau! Mostrou-me até um livro de receitas de bacalhau da Filipa Vacondeus.


Instalou-se por aqui, encontrou esta companheira com menos vinte anos e agora só queria viver bem e sossegado no seu cantinho. Tinha saudades de ter uma mota, mas para um estrangeiro aqui, ter uma mota não é fácil. Aqui só há motoretas e triciclos à venda. Trazer alguma máquina lá de fora, é caro e obriga a renovação da licença de importação a cada 6 meses… E depois, há a verdadeira maluqueira do trânsito… Mas andava de olho em algum anúncio, não fosse surgir alguma oportunidade!


Enchemos a barriga com a fantástica “pasta”, que bem que soube! E depois veio a champanhóla e o bolo, este muito bom por sinal. Não acabámos o champanhe, ficando mais de meio-copo a cada um. O italiano juntou tudo no copo dele, e goela abaixo!… Não se pode estragar, disse ele!


Ainda vimos um álbum de recortes de imprenssa, do Massimo, da época em que era gondoleiro. Ficámos à conversa mais um pouco, e descemos até aos nossos quartos para dormir. Já cá em baixo o Massimo fez-nos sinal para espreitarmos lá fora a praça… Estava lá o guarda marroquino com um colchão improvisado para passar ali a noite…


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Rota Berber #2012

o nosso "guardien"


Ainda se deu mais umas tecladas na net, e fomos ao descanso merecido.


continua...

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #49 em: Julho 16, 2012, 23:45:25 pm »

Dia 10, El Jadida-Assilah


Acordámos depois de uma noite bem dormida. Abri a janela e espreitei para a praça, a ver se o guarda lá estava… E estava mesmo, a tomar o pequeno-almoço.
Rotina da manhã, despachar as coisas e subimos ao telhado para o pequeno-almoço.


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Rota Berber #2012

vistas do topo do Dar, a partir da fortaleza


Lá em cima, já nos aguardava uma mesa com o menu habitual: café, chá, pão, doce, mel e crepes marroquinos. O dia estava promissor, céu descoberto e temperatura amena. Mandámo-nos ao pequeno almoço e pouco depois surge o Massimo envergando uns estilosos óculos escuros e uma T-shirt amarela fluorescente com o logo dos “Ombre Rosso”, o grupo de amigos motard de Veneza. Pelo que percebi uma espécie de Comando Padeiros lá do sítio.


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Rota Berber #2012

ombre rosse


Ligou a televisão que ali havia, marcou o canal das notícias e depois magicamente seleccionou um serviço de tradução em português… As maravilhas da televisão digital de satélite. Ficámos um pouco à conversa, acertámos as contas e estava na hora de partir. O guarda já lá não estava, já tinha cumprido o seu serviço. Parece que até apanhou um pouco de chuva durante a noite.


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Rota Berber #2012



Carregámos as motos, alinhámo-las e tirámos uma foto com este castiço italiano. Um tipo boa onda, que gosta de gozar bem a vida. A estadia neste Dar, teve um ar mais intimista e ficou mais a sensação de ficar na casa de um amigo, do que propriamente num hotel. Quando reservámos aqui a estadia, e pela localização estávamos com a ideia que seria uma excelente escolha, e acabou por ser ainda melhor do que esperávamos!


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Rota Berber #2012

interior do Dar


Despedidas e arrancámos, saindo pela última vez do exterior da fortaleza portuguesa.


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Rota Berber #2012

os três estarolas e o gondoleiro


O itinerário de hoje contemplava mais um pouco de estrada costeira até às proximidades de Casablanca, onde desviaríamos para a auto-estrada até Assilah, o nosso destino. Seria a primeira vez também que iríamos rolar numa auto-estrada marroquina.
Mais um pouco de estrada costeira até às proximidades de Casablanca, onde evitámos percorrer a cidade e ingressámos na auto-estrada. E que grande confusão que é este acesso. Muito trânsito, semáforos, o caos! Ainda fizemos uns quantos quilómetros em ritmo moderado por traçado desacertado, até chegarmos a um troço capaz de se qualificar como auto-estrada e seguimos por ali uns quantos quilómetros. De aspecto, nada de muito diferente das nossas, duas a três faixas delimitadas com rail, e portagens em tudo iguais ao que estamos habituados, excepto no preço que aqui é bem mais razoável.


Saímos da A3 (Casablanca/Rabat) nas imediações de Rabat e desviámos para a A1 (Rabat/Tanger) sempre rumando para Norte.
Logo depois de entrar parámos na primeira estação de serviço para almoçar. Hoje tinha mesmo de ser por aqui, havia ainda muito quilómetros a percorrer por auto-estrada sem passar por localidades. Na estação pedimos umas pizzas e hambúrgueres e para rematar mais um daqueles crepes folhados marroquinos recheados com mel.


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Rota Berber #2012

Almoço meio-marroquino na estação de serviço


Não demorámos muito, e voltámos à estrada.


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #50 em: Julho 16, 2012, 23:45:59 pm »

Íamos descontraídos. Já não me lembro bem, seguíamos em duas faixas desimpedidas e eu à frente. Às tantas o Barradas diz-me que ia de mãos dadas com o Benedito…
Perdão?... Opá… Faziam era isso à minha frente para eu filmar a cena – respondi-lhe…
E assim foi… Passaram os dois para a frente e começaram a dar as mãos… em andamento, que nem artistas…
Depois trocou-se o par, fui “dançar” com o Barradas à frente do Benedito enquanto este filmava. E ainda bem que se filmou duas vezes, pois mais tarde verifiquei que na altura a lente da minha câmara tinha nela barrada os restos de um moscardo, inviabilizando o registo! Felizmente ficou a fita do Benedito para a posteridade.


Esta auto-estrada era um pouco diferente da primeira. Duas faixas, com um separador central largo cheio de vegetação. Nesse separador chegámos a ver um polícia marroquino com tripé e binóculos montados. Estavam mais à frente, a passar multas.
As auto-estradas marroquinas têm que se lhe diga. Se por um lado de aspecto são iguais às nossas, de uso são totalmente diferentes. Assim, não é raro ver pessoas a andar por lá e a atravessá-las, burros, rebanhos, etc… Ia a comentar isso mesmo com o Barradas, dizendo-lhe que só nos faltava ver um gajo a vender fruta… Meu dito, meu feito… Acabávamos de passar por um tipo na berma de braço estendido com uma abóbora na mão!…
Papámos os restantes quilómetros de A1 sem problemas. A temperatura estava amena e toda aquela distância fez-se bem até à saída nas proximidades de Assilah. E foi mesmo aí à saída que fomos parados pela polícia. Quer dizer, foi com o Barradas que pegaram. Eu e o Benedito passámos.


Não havia razão, viemos sempre nos limites, mas numa ou outra esticada é possível que se tenha rodado ligeiramente acima do limite, e que fossemos fotografados por um daqueles tipos de tripé, enfiados no meio da folhagem.
Não demorou muito e o Barradas veio ter connosco depois das portagens. Nada de especial, o polícia motard marroquino queria apenas saber como tudo estava, se estávamos a gostar e até esteve a tirar medidas ao casaco do Barradas. Fantástica esta gente!… Estou para ver isto a acontecer na Europa. Não digo que não aconteça, mas deve ser raro, e aqui não é. Parece-me que o Barradas ainda quis tirar uma foto, mas nada feito… Devem ser ordens superiores, apesar de tentarmos, não trouxemos de lá nem um retrato da polícia marroquina, nem das suas magníficas BMW RT último modelo.


Já muito próximos de Assilah, mais um quilómetros de nacionais até à entrada da pequena cidade costeira. Para hoje não havia reserva, apenas a referência de um ponto onde poderíamos procurar dormida, o hotel Dar Andalhous… De hotel tinha pouca coisa, só mesmo os quartos sem qualquer serviço adicional. O preço era em conta e poderíamos deixar as motas à beira do hotel numa rua sem trânsito. Entrei eu primeiro para ver se havia algum triplo, e havia. O recepcionista levou-me ao primeiro andar para me mostrar o quarto, que julguei bastante satisfatório. O aspecto era limpo, casa de banho privativa e espaço suficiente para nos mexermos, nós e as nossas bagagens. Fiz-lhe sinal que sim, e logo de seguida fomos buscar a bagagem.


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Rota Berber #2012

o pátio do Andalhous, reparem onde dorme o recepcionistas]


Ainda era de dia pelo que não demorámos muito por ali e saímos logo à rua para dar uma voltinha pela costa e Medina.


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felizes da vida, com um barbão de 10 dias


Assilah é uma cidade pequena, com uma Medina pequena e muito mais inspirada no estilo Andaluz do que no Árabe. Tudo ali faz lembrar Espanha! Historicamente, Assilah foi inicialmente tomada pelos árabes aos gregos e fenícios em 712 depois de Cristo. Na época dos Descobrimentos foi conquistada pelos portugueses e reconstruída, para logo de seguida ser retomada pelos Árabes. E depois vieram os espanhóis que no século XVII sucumbiram ao assalto dos árabes. É apenas durante o século XX que esta cidade é oficialmente integrada no Reino de Marrocos, tendo sido até aí considerada uma cidade base de piratas (em 1829 foi bombardeada pela marinha espanhola e austríaca como retaliação à pirataria).


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As habitações fazem lembrar o Sul de Espanha, mas as muralhas exteriores da cidade são nossas. Portuguesas, e ainda estão por lá de pé!


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #51 em: Julho 16, 2012, 23:46:41 pm »

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A Medina está mais ou menos “muralhada” e o acesso lá por dentro faz-se a pé ou de motoreta, como é prática geral em todas. Entrámos por um dos arcos de acesso à Medina e lembrámo-nos de fazer uma foto daquelas “prá palhaçada”. Já tínhamos ensaiado uma há uns dias à saída do deserto. Nessa altura o Barradas ficou a disparar a máquina enquanto eu e o Benedito nos mandávamos ao ar… Tentámos fazer o mesmo, mas agora os três. A minha máquina tem modo finório para isso, quando programada consegue disparar 4 ou 5 fotos de rajada. Metemos umas camisolas no chão, assentámos e programámos a máquina, e mandamos um pulo na esperança que alguma foto nos apanhasse aos três no ar… E conseguimos!


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jump!


Pegámos na tralha e continuámos Medina adentro. Não tínhamos feito mais que três metros, quando o Benedito se volta para trás. A caminho dele já estava um marroquino com o braço estendido e a carteira do Benedito na mão. Tinha-se esquecido dela no chão. Agradecemos ao marroquino, mas parece que não chegava… “Una propina!”… Dizia ele… Ai o cacete!… A história das propinas outra vez?!... Mas desde quando um gesto destes tem de ser recompensado com dinheiro?!... Hã?!... Tenho aqui mesmo uma propina na ponta do sapato, serve?!... Santa paciência! Negámos e virámos-lhe costas e seguimos… Temos pena, mas para este género de tipos não há conversa possível, temos que ser desagradáveis. O tipo lá veio atrás de nós com a história da propina, e às tantas desistiu… Quer dizer, já o tínhamos deixado a uns vinte metros e agora via-o a contar a “história” aos comerciantes locais de rua que por ali estavam, na esperança de não sei bem o quê, talvez de incitar uma rebelião… Que tipo estúpido.


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sem comentários...




Não ligámos, seguimos caminho e enfiámo-nos pela Medina, que não achámos particularmente interessante. A verdade é que o seu ar pouco exótico e o facto também de por esta altura já termos “papado” muitas Medinas, não nos deixou impressionado com esta. Saímos dali por outra porta que nos dava acesso ao mar. E adivinhem quem reencontrámos?! O nosso querido “amigo”! O tipo tinha metido na cabeça que haveria de fazer dinheiro connosco e não desarmou.


Em espanhol tentou dialogar com o Barradas chamando-lhe a atenção que por ser aqui e tal, não lhe tinha ficado com a carteira, se fosse em Tanger tinha desaparecido dizia ele… O Barradas no seu melhor espanhol respondeu-lhe que se tivesse fugido com ela, nós corríamos atrás, e que de onde vinhamos não se cobra por este tipo de gestos.


Virámos-lhe as costas novamente e parece que finalmente nos livrámos do melga.


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De seguida resolvemos caminhar um pouco mais e conhecer a parte nova da cidade. Fomos por aquilo que nos pareceu ser uma rua principal, até quase aos limites da cidade.


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De caminho passámos por uma igreja católica de influência claramente ibérica e cruzámo-nos também com um grupo enorme de adolescentes saídos de uma qualquer escola.


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café da moda


Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #52 em: Julho 16, 2012, 23:47:05 pm »

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Rota Berber #2012

a arte faz o engenho


Depois voltámos para trás e fomos à procura do jantar. O tipo do Dar Andalhous recomendou-nos um bom restaurante não sei onde, mas parece que era caro. Optámos então por outros mais acessíveis, precisamente na rua paralela à do hotel… E não foi propriamente uma escolha feliz.


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Rota Berber #2012



Nessa rua, havia três ou quatros restaurantes de seguida, do mesmo género: cheios de salamaleques coloridos e placards luminosos. Escolhemos um ao acaso. Seriam uma 19h30 quando nos sentámos na esplanada. Veio um tipo meio enrascado, e fizémos o pedido… mas espera… para já, só podíamos pedir pizzas, a cozinha só abria às 20h00.


OK, tudo bem, pedimos uma pizza de entrada para os três. Ficámos entretidos até às 20h00, e finalmente lá pedimos os pratos principais que se dividiram entre calamares fritos (à la plancha) e espetadas de peru que se transformaram em espetadas de frango. Não estava nem bom, nem mau, antes pelo contrário. Enquanto comíamos havia por ali um gato atrevido que rondava as nossas pernas e miava que nem um desalmado. Este não deixava outro, mais enfezado, chegar sequer próximo da nossa mesa. Mas o tipo só lhe cheirava a carne e o calamar, o resto, come-o tu!... Volta não volta o empregado enrascado vinha enxotá-lo, mas sem grande sucesso… Mas tudo bem, o bicho era um bocado chato, mas era simpático e bonito. Pagámos e zarpámos dali. Não foi muito barato, mas também não foi muitocaro, e digamos que serviu.


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Rota Berber #2012

o restaurante eram um boteco deste género


Quando voltávamos ao Dar Andalhous, na rua ao lado, um marroquino aborda o Benedito… “Una propina? 100 Dirhams? (cerca 10€) ”… Ai, que é agora!...


O Benedito já estava pelos cabelos também, e em bom português perguntou-lhe, o porquê?... “Amigo”… respondeu o malandro.


“Amigo?! Eu sou teu amigo, dá-me tu Dirhams a mim!!!” disse-lhe o Benedito... O tipo virou-se para ele e riu-se.


 E ficou por ali a conversa... O que se passa com estes tipos?!…


Amigos marroquinos!... Nós é q estamos em crise, tá?! Vocês é que estão a crescer… Não há cá Dirhams de borla, ainda para mais para sustentar malandros!
Finalmente voltámos ao hotel, as motas estavam como as deixámos, amarradas, debaixo dos candeeiros.



quase que a metia lá dentro


Este Dar não tinha wi-fi nem qualquer tipo de internet, de modo que aproveitei para trocar as fotos com o Benedito e o Barradas… Aqui descobrimos que o Benedito numa troca de mãos tinha eliminado um dia de filmagens, mais propriamente o dia da pernoita em Marraquexe… É pena, mas de qualquer forma não faltará fita para fazer um filme desta aventura!


E estava na hora de ir-mos à deita. Amanhã, regresso a casa.


continua...

Cobra

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Re: Rota Berber #2012
« Responder #53 em: Julho 28, 2012, 23:40:27 pm »
Ainda antes do relato do último dia... Um cheirinho do que ainda está para vir... ;)

https://vimeo.com/46550200

Cumps!