Cá vai o meu relato e fotos!
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Com a Tiger do Rui acabada de chegar, é lógico que me começou a fazer a conversa para uma saída no fim-de-semana. Ainda por cima, parece que se avizinhava um fim-de-semana limpo, sem ameaços de chuva...
No final da semana começo a receber umas propostas de percurso, todas a Sul, que a Norte parece que há hipótese de cair água.
Só à noite pude me debruçar sobre os mapas. Entre várias opções do agrado dos dois, tínhamos Costa Vicentina, Mértola, Alentejo em geral. Com o puxar do mapa para cima e para baixo, veio-me à cabeça uma ideia.
Ao observar o mapa, dou de caras com a tão badalada N2. Comecei a segui-la desde Montemor até mais para Sul, próximo dos Algarves. Pareceu-me uma boa ideia. Depois um regresso pelo IC1, sempre desviando das AEs, que ainda é cedo para a Tiger "bebé" se lançar em velocidades.
Dei conta da ideia ao Rui, que imediatamente respondeu com uma proposta revista. Geralmente é assim que funciona connosco. Um dos dois faz um traçado e ou outro complementa. A sugestão do Rui seria fazer uma passagem por Alte, local que dista de 20km de Albufeira e que desconhecia por completo.
Para além disso, outra sugestão, regresso por Almodôvar pelo meio da serra, em traçado desafiante. Pareceu-me excelente!
O almoço seria feito quando chegasse a fome, num boteco qualquer que nos aparecesse pela frente. Iríamos portanto fazer para passeio de estreia em jeito de evento "N2" personalizado, ou melhor dizendo, um passeio "1/2 N2".
Comecei a "googlar" por "Alte" e rapidamente me surgiram uns quantos cenários interessantes de piscinas naturais. Dei uma espreitadela pelo geocaching.com, e descobri ali mais outro local para visita, uma pequena cascata de aspecto inspirador.
O Rui também fez a sua pesquisa, e no fim da noite, já tínhamos um percurso delineado com 4 ou 5 pontos de passagem interessantes. Só faltava uma espreitadela pelo boletim meteorológico, que logo nos deu a entender que a palavra chave do dia seria "agasalho".
Madrugada de sábado, tinha acabado de nascer o Sol, e já estava no ponto de encontro do costume, pelas 7h30, com o Tigre arreado.
Café, pastel de nata, e saímos a caminho. Eu estava particularmente desconfortável com os vários centímetros de roupa em cima do canastro, mal me conseguia mexer (enfim, estou a exagerar, mas serve para passar a ideia).
Era isso, ou bater o dente, e no dia seguinte ficar de cama. Atravessámos a Vasco da Gama, e daí seguimos sempre por nacionais até Montemôr, para finalmente encarrilar pela N2.
Já tinha feito uns curtos troços da N2, mas nunca até lá abaixo, pelo que tinha alguma curiosidade em conhecer tão afamada estrada.
Passagem pelo Torrão, onde parámos uns curtos minutos só para tirar umas fotos. Ainda trocámos duas ou três palavras com uma simpática senhora Torreense (é assim que se chamam?) que nos desejou boa viagem.

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Logo depois do Torrão começou tudo a ficar muito interessante. Paisagens verdejantes e rurais, com muito gado. O traçado também era agradável, e ia alternando entre rectas curtas e curvas fáceis.
Ao chegar a Odivelas (no Alentejo, sim...), o Rui embicou para a vila. Eu seguia atrás e levava o GPS. O intercom do Rui tinha ficado sem "pilha", de modo que não o pude avisar. Tentámos atravessar a vila, mas para quem não conhece, Odivelas é uma espécie de "pirâmide" onde se construiram em cima umas casas.
Subir ao topo da "pirâmide" de mota, não custa nada, mas descê-la guiado por GPS em curvas apertadas, por calcada, com obstáculos à frente requer alguma vontade para a coisa. Uma das ruas de inclinação a pique por onde o GPS nos mandava tinha um automóvel atravessado a barrar a passagem. Imaginei logo que se fosse preciso, seria muito difícil fazer ali inversão de marcha.
Decidimos arrepiar caminho e voltar ao ponto do desvio, para prosseguir pelo caminho inicial sugerido pelo GPS que efectua passagem ao largo da vila.
Continuando pela N2, a estrada ficava mesmo muito interessante. O cenário continuava idílico e a estrada começava agora a ser desafiadora. Os poucos quilómetros que se fazem entre Ervidel e Aljustrel são verdadeiramente "nirvânicos"... Jesus, o jogo de cintura que é preciso.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Tínhamos uma paragem simbólica planeada, tirar uma foto num marco quilométrico da N2, para mais tarde recordar.

Ora um bom número para escolher, seria o km 69 (lol), infelizmente esse fica na metade de cima da N2 que não fizemos, de modo que ficámos pelo km 666.

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Passado Almodôvar, e continuando pela N2, começámos a galgar a Serra do Caldeirão... Minha Nossa Senhora, se o troço até Aljustrel tinha sido divertido, este até Barranco do Velho, é um verdadeiro puro extâse. Requer também muita atenção. A estrada é boa e bem traçada, mas algumas curvas cerram a meio, alguns troços assemelham-se a verdadeiras cobras, encadeando 5 ou mais curvas e contra-curvas, e avistava-se muito lixo na berma.
Estava a aquecer, mas mesmo assim ainda ia atordoado com o frio... Abri logo a pestana, e se de inicio fomos calmamente comigo à frente, para o final já íamos com ritmo mais vivo com o Rui adiante a querer sentir as capacidades da sua Tiger.
E são excelentes! Nunca se nega, e acompanha todas as nossas vontades com uma facilidade tremenda. Estas máquinas têm mesmo um ADN serrano, percebe-se que "adoram" este tipo de percurso. Certeiras em curva, o equilíbrio está facilitado, qualquer transferência de peso ou acerto em curva e faz-se sem sobressaltos ou surpresas. A ciclística é soberba, é incrível como uma máquina pode ser tão capaz em tantos aspectos.
Uma paragem no miradouro do Caldeirão, onde se avista quase tudo, o Mar, o Algarve e Alentejo.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Regresso às "burras", ou melhor... aos "felinos", para mais umas curvas. Dado ser perto da uma, o Rui sugeriu uma paragem em Cortelha, na Casa dos Presuntos, onde parece se come bem. Vamos a isso, é mais um quarto de hora até lá.
Aí demos descanso às máquinas e fomos tratar do estômago... E que bem ficou tratado. Não foi propriamente barato, mas também não nos privamos de nada e comemos de tudo o que tínhamos direito.
Queijinho, presunto e chouriço caseiro para começar. Uma valente dose de borrego assado no forno, e para acamar uma tarte de figos para mim (que bomba meu Deus!) e uma torta de alfarroba para o camarada da frente... Ui... Seriam umas 14h e picos quando saímos de lá a rebolar.
Peço desculpa, não há fotos do repasto, tal era a vontade de "dar ao serrote"...
Que moleza... Com a pança cheia e um arzinho fresco a entrar pelo frestas do capacete, só apetecia pendurar os braços no volante e encostar ao depósito ao som da suave melodia do tricilindríco... Passámos Barranco o Velho, saímos da N2 e finalmente chegávamos a Alte.
Seguimos directamente para o ponto de acesso à cascata de Alte (ou Queda do Vigário). Pelo mapa, dava-me ideia que conseguiríamos chegar à beira desta em cima das motos. Lá chegados, percebemos que teríamos de ir a pé. Não é que o caminho fosse bera, mas estava barrado com cancela de ferro.

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Descemos dos Tigres e seguimos a pé, aproveitando para desmoer o almoço. Descida a pique, até lá abaixo (ui, o que vai custar no regresso!) e daí a instantes estávamos à beira da cascata, pequena, mas belíssima. Adivinham-se por aqui grandes banhocas no Verão.

[Crónica] "Alte" e pára o baile
O espaço em redor, parece meio abandonado. Existe uma infraestrutura que deverá dar suporte a sanitários e algum serviço de bar, mas estava bastante mal tratada. Por lá se encontram também umas mesas e bancos a precisar de alguma manutenção.
Fotos da praxe, e regresso para cima...

[Crónica] "Alte" e pára o baile
E bem custou subir aquilo tudo... Mas fizémo-lo de uma vez, já com os casacos debaixo do braço.
Seguimos para a parte Norte de Alte, aí onde se encontram as piscinas naturais e onde nasce a ribeira de Alte.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Quando lá chegamos, estava montada uma algazarra, que se assemelhava a um encontro de tunas. Algumas bancas, madeira para fogareiro, e muita mini.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Demos uma volta ao local, tirámos mais uma fotos, e seguimos para a estrada que o Sol já estava a querer esconder-se no horizonte.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Começámos então a rumar para Norte, pela Serra, seguindo a sugestão Rui. Por esta altura começava a arrefecer de novo. Entrámos Caldeirão dentro, e depois de iniciar a subida íngreme até ao malhão fomos fazer uma visita rápida ao centro budista.
Sim, não me enganei, há mesmo um centro budista num dos picos da Serra do Caldeirão. Foi o primeiro a aparecer em Portugal (agora com templo e tudo), e conta já com cerca de 30 anos de existência. Parámos as Tigresas junto ao relicário (ou "Stupa", como se deve chamar) para tirar umas fotos.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
A vista aqui de cima é qualquer coisa de fenomenal.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Quando por ali estávamos aproximou-se de nós uma curiosa figura. Um tipo dos seus 60, cabelo tingido de negro, com meio bigode no lábio superior e uma sandes de paio na mão.
Começou a mirar as "bifas" e logo encetou conversa connosco. Pelo que percebemos seria um "motard" mais ou menos reformado. Tinha uma V-Max "americana" (seja lá essa a variante que for) e gostava de ferros, mas dentro do género das nossas a sua preferência ia mesmo para "Vanaderos".
Um tipo simpático, trocámos ali dois dedos de conversa e deixámo-lo seguir caminho para o templo (ele e a sua senhora que entretanto apareceu). Para nós a visita fica por aqui, que ainda temos muitos quilómetros pela frente.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Mais dez minutos de estrada, e parámos junto ao parque eólico do pico de Mú, que se diz ser o segundo ponto mais alto da serra com os seus 577m de altura... Pois não estivemos ali mais de 5 minutos, tal era a "aragem" que se fazia sentir.

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Toca a agasalhar, todos fechadinhos, manápulas aquecidas ligadas e siga para Lisboa.
Subimos até Almodôvar. Aí ia desatinando com um pensionista a bordo de um Ford Fiesta branco. A estrada variava entre rectas e curvas curtas, o Sr. reformado teimava em fazer todas as curva a direito.
Fui atrás dele à espera de uma oportunidade de rodar o acelerador, mas estava difícil. Pensava eu que aquilo era idade, até que o apanhei a controlar-me pelos espelhos... Grande artista. Lá apareceu uma recta mais esticada onde rodei o acelerador e fiz questão de lhe fazer soar no ouvido o ronco do Arrow.
Ainda pensei le deixar uma marca da mala na lateral, mas provavelmente ficaria eu a perder.
Depois de Almodôvar seguimos nas calmas pelo IC1, e à saída de Grândola parámos para comer qualquer coisa. Poucochinho, que ainda estávamos enfartados do almoço.

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Na Marateca, entrámos na A2, e separámos-nos mais adiante, seguindo o Rui pela Vasco da Gama e eu pela 25 de Abril.
E sem entrar em detalhes, daí até à ponte, o Tigre foi sempre de goela aberta...

[Crónica] "Alte" e pára o baile
Grande voltinha, fiquei fã daquele troço da N2, vai para os primeiros lugares da minha lista de melhores estradas mototurísticas do país (e já fiz umas quantas), quer em traçado, quer em piso, quer em cenário. Sem dúvida um local a revisitar numa futura Padeirada.
E pronto, o Tigre negro ficou quase rodado para a vida Padeirística que aí se avizinha... O meu Tigre no fim do dia, somou mais 610km, ficando com 3000 e poucos no total. E já começo a amealhar com esta máquina umas quantas boas memórias.
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